Preço do gás sofre mais um aumento e chega a R$ 75 em Minas Gerais

O valor do preço de botijão de gás sofreu mais um aumento na distribuidora, dessa vez de 5%, no último dia 22 / EBC

Segundo pesquisa do IBGE, em 2018 uma a cada cinco famílias brasileiras cozinharam com lenha ou carvão

Larissa Costa

Belo Horizonte

Por Brasil de Fato

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“Acho que não está dando para o bolso do brasileiro, porque a nossa renda está muito baixa e tem muita gente desempregada. O preço subindo desse jeito não sei como vai ficar. Eu ganho mil reais e tenho que comprar um gás por mês, além disso tenho que criar os meus três filhos”, disse a cuidadora de idosos Juliana Rita Faria sobre o valor do preço de botijão de gás (Gás Liquefeito de Petróleo – GLP), que sofreu mais um aumento na distribuidora, dessa vez de 5%, no último dia 22.

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista Transportador e Revendedor de GLP do Estado de Minas Gerais (Sirtgas), Venceslau José da Silva Filho, o preço do botijão varia de R$ 60 a R$ 75 em todo o estado. Desde 2016, quando o então presidente da Petrobras, Pedro Parente, mudou a política de preços da estatal, o valor final do gás de cozinha subiu cerca de 50%. “Para os revendedores ficou pior e para os consumidores também. Pra gente, como revendedor, o gás vai aumentando e a margem de lucro vai abaixando. Nesse último reajuste, tem depósito que nem vai aumentar o preço, porque já está alto”, afirma. Venceslau conta que nos últimos três anos, as vendas de gás de cozinha em Minas Gerais caíram cerca de 20%. “Tem muita gente migrando pra lenha hoje, principalmente a classe pobre, que está arrumando um jeitinho”, analisa.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em maio deste ano, mostram que 14 milhões de famílias usavam, em 2018, lenha ou carvão para cozinhar alimentos. Esse número, que representa 20% das famílias brasileiras, é cerca de 3 milhões a mais do que o registrado em 2016.

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Política do governo pós golpe de 2016

A mudança da política de preços na Petrobras, promovida pelo presidente indicado por Michel Temer, atrelou o valor dos derivados de petróleo à variação cambial do dólar e da cotação do barril de petróleo no mercado internacional.

Ou seja, se sobe o preço do barril no mercado internacional, os preços do diesel, da gasolina e do gás de cozinha também aumentam. Antes do golpe, apesar de considerar a variação do dólar e do barril de petróleo, os reajustes eram escalonados e o preço variava também a partir do mercado interno e da inflação.

Alexandre Finamori, diretor do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG), explica que essa política foi continuada pela gestão de Castello Branco, presidente da Petrobras indicado por Jair Bolsonaro. Castello Branco segue a cartilha privatista e a companhia já se desfez de 63% da BR Distribuidora, além de colocar à venda oito refinarias e a Liquigás, que é a segunda maior distribuidora de gás do país.

“Desde 2016, estamos criticando essa política de preço, porque existem efeitos em cascata, que implicam em mais gasto com saúde pública, por causa dos acidentes domésticos, e em um aumento do preço dos alimentos, porque se o diesel sobe, o preço do arroz, do feijão, das verduras também aumenta”, afirma o petroleiro.

(Com colaboração de Amélia Gomes)

Edição: Elis Almeida

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