Artigo | PIB chinês, em paridade de poder de compra, ultrapassa PIB estadunidense

Artigo | PIB chinês, em paridade de poder de compra, ultrapassa PIB estadunidense

outubro 24, 2020 0 Por admin

Políticas sanitárias e econômicas permitiram a rápida retomada produtiva chinesa, que novamente expõe de forma concreta sua superioridade diante da anarquia do mercado mundo afora – Kremlin / Fotos Públicas

Excluindo a China das projeções de crescimento acumulado até 2021, os números para a economia global ficam negativos

Melissa Cambuhy – Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Segundo o relatório anual do Fundo Monetário Internacional, o World Economic Outlook, segue a projeção de uma recessão profunda ainda em 2020.

O crescimento global é projetado em – 4,4%, sendo que, com a exclusão da China das projeções acerca do crescimento acumulado entre 2020 e 2021, os números para a economia global ficam negativos. De tal forma, a previsão para economias avançadas em 2020 é de – 5,8%, seguido por uma recuperação no crescimento para 3,9% em 2021.

Ainda sobre 2021, o documento projeta recuperação para 5,2% do crescimento mundial. Ato contínuo a esta retomada, o crescimento global deverá desacelerar gradualmente para cerca de 3,5 % no médio prazo, expressando uma perda permanente na produção.

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Esta perda cumulativa, em relação à trajetória projetada pré-pandemia, aumentará 11 trilhões neste ano e tem possibilidade de crescer 28 trilhões até o final de 2025.

Entretanto, a despeito da recessão global, a produção chinesa já está ultrapassando os níveis de 2019 neste ano e continua a crescer cumulativamente em 10% entre 2020 e 2021, contrariando a produção nas economias avançadas, emergentes e em desenvolvimento, que devem ficar abaixo dos níveis de 2019 até 2021, com retorno gradual em 2022 ou 2023.

E justamente em meio à pandemia e à guerra comercial sino-estadunidense – que já se arrasta desde 2018 – o gigante asiático ultrapassou os EUA e tornou-se a maior economia do mundo sob o critério do tamanho de seu PIB, por paridade de poder de compra (PPC).


Conforme mostra a tabela, a participação do Produto Interno Bruto chinês – em paridade por poder de compra – no PIB mundial chegou a 17,4%, enquanto que o estadunidense encontra-se em 15,9% / Reprodução WEO

Conforme mostra a tabela a participação do Produto Interno Bruto chinês, em PPC, no PIB mundial chegou a 17,4%, enquanto que o estadunidense encontra-se em 15,9%. De tal forma que o valor do PIB chinês atingiu 24,7 trilhões de dólares.

Outro dado alarmante exposto pelo relatório do FMI é que “os pobres estão ficando mais pobres, com cerca de 90 milhões de pessoas que deverão entrar em privação extrema neste ano”. Entretanto este é outro fenômeno que a China vem desafiando, tanto no contexto de pandemia, quanto anteriormente.

Isto porque, o país estabeleceu em seu programa “Dois Objetivos do Centenário” a meta de construção de uma “sociedade moderadamente próspera” em todos os aspectos até o centenário do Partido Comunista Chinês, em 2021, e ainda transformar a China em uma “sociedade socialista harmoniosa” até 2049, no centenário da Revolução Popular-Socialista.

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De tal forma compõe o objetivo de construção da “sociedade moderadamente próspera” a superação da extrema pobreza até 2021, sendo que o dragão asiático não desistiu de sua empreitada mesmo em meio à pandemia, e designou o desafio como prioritário em sua agenda político-econômica deste ano.

Desta forma, chama a atenção a queda colossal da população rural que vivia abaixo da linha da pobreza: entre 1978 e 2018 sua incidência passou de 96,2% para 1,7%, valendo destacar que o Relatório de Trabalho de 2020 aponta que este índice teve queda para 0,6%.

Além disto, entre 2012 e 2018 a população afetada pela pobreza rural foi reduzida de 99 milhões de cidadãos para 16,6 milhões, e de acordo com a linha da pobreza internacional do Banco Mundial, desde 1.978, mais de 800 milhões de chineses foram retirados da pobreza, frisando que esta cifra representa mais de 70 por cento da quantia global do período.

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Assim, entre 1949 e 2018, a expectativa de vida do povo chinês aumentou de 35 para 77 anos, caracterizando-se enquanto uma expectativa mais alta do que a média mundial de 72 anos, além de que, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho, em relatório de 2018, entre 2006 e 2017 o gigante asiático experimentou o crescimento salarial mais rápido do mundo.

Destaca-se que a movimentação econômica chinesa que narramos – e que se mostra oposta à estagnação mundial – se dá como consequência direta das inéditas, rigorosas e eficientes políticas sanitárias e econômicas que o gigante asiático tomou para a contenção da covid-19.

Isto porque estas permitiram a rápida retomada produtiva do país, de tal forma que o planejamento político-econômico chinês novamente expõe de forma concreta sua superioridade diante da anarquia do mercado mundo afora.

*Melissa Cambuhy é graduada em Direito, com habilitação especial em Direito e Desenvolvimento, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Mestra em Direito Político e Econômico, pela mesma instituição, professora e pesquisadora, cuja agenda de pesquisa tem como foco o processo de desenvolvimento nacional chinês.

Edição: Leandro Melito