{"id":300272,"date":"2024-10-16T21:57:45","date_gmt":"2024-10-16T21:57:45","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=300272"},"modified":"2024-10-16T21:57:45","modified_gmt":"2024-10-16T21:57:45","slug":"conheca-a-batalha-da-p7-que-coloca-o-hip-hop-em-destaque-no-centro-de-bh","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=300272","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a a batalha da P7, que coloca o hip hop em destaque no centro de BH"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>&#8220;BH \u00e9 quem? BH \u00e9 n\u00f3is&#8221;. Essa frase marca o cen\u00e1rio do rap na capital mineira, que recebe anualmente um dos principais eventos de batalhas de rimas do pa\u00eds, o <a href=\"https:\/\/www.brasildefatomg.com.br\/2017\/09\/01\/a-batalha-que-mexeu-com-o-rap-nacional-10-anos-de-duelo-de-mcs\">Duelo de MCs<\/a>, realizado no Viaduto Santa Tereza.<\/p>\n<p>A poucos quarteir\u00f5es de dist\u00e2ncia, na Pra\u00e7a 7, acontece a Batalha da P7, todas as quintas-feiras, a partir das 19 horas. O\u00a0evento re\u00fane centenas de pessoas, para <a href=\"https:\/\/www.brasildefatomg.com.br\/2023\/11\/10\/hip-hop-salva-vidas-40-anos-de-resistencia-negra-no-brasil\">ouvir, duelar e aprender sobre o rap<\/a> e tamb\u00e9m sobre diversas quest\u00f5es que envolvem a cidade e s\u00e3o abordadas nas rimas. Criada em 2021, a ideia surgiu quando Diego Evandro, mais conhecido como Dieguin D7, produtor da batalha, trabalhava como camel\u00f4 e sentiu falta de uma <a href=\"https:\/\/www.brasildefatomg.com.br\/2022\/08\/05\/conheca-a-exposicao-que-celebra-a-historia-dos-30-anos-do-hip-hop-na-zona-leste-de-bh\">atividade que levasse cultura para o local<\/a>, onde milhares de pessoas passam diariamente de forma apressada.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um local que n\u00e3o tem muita visibilidade, do ponto de vista da cultura, por ser muito discriminado. Eu resolvi fazer a batalha ali e deu certo, est\u00e1 dando certo. Hoje, sou um grande sonhador e creio que esteja possibilitando o sonho de outras pessoas tamb\u00e9m&#8221;, destaca Dieguin.\u00a0<\/p>\n<p>Para quem \u00e9 de Belo Horizonte, a Pra\u00e7a 7 causa uma mistura de sensa\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo em que \u00e9 o principal ponto de refer\u00eancia e o mais movimentado do centro da cidade, sendo escolhido para que torcedores comemorem os seus t\u00edtulos e movimentos sociais fa\u00e7am suas manifesta\u00e7\u00f5es, \u00e9 tamb\u00e9m marcado por um alto \u00edndice de criminalidade.\u00a0<\/p>\n<p>As pessoas transitam em ritmo acelerado, entre gritos de &#8220;foto na hora, foto&#8221;, &#8220;compro e vendo ouro&#8221;, e os sons do tr\u00e2nsito local, sempre muito intenso.\u00a0<\/p>\n<p>Por\u00e9m, nas noites das quintas-feiras, a pressa e os ru\u00eddos que comp\u00f5em a paisagem sonora do cart\u00e3o postal belo-horizontino d\u00e3o espa\u00e7o a centenas de pessoas, em sua maioria jovens negros, que gritam palavras de ordem e sa\u00fadam o rap feito na capital mineira.\u00a0<\/p>\n<p>Gabriela Stephanie, conhecida na cena como Theybs, conta que o Viaduto Santa Tereza \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do hip hop em BH, mas, hoje, a Batalha da P7 \u00e9, inclusive, certificada como movimento cultural. Ela destaca a import\u00e2ncia da Fam\u00edlia de Rua, respons\u00e1veis pelas batalhas do viaduto, nesse processo.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 tivemos situa\u00e7\u00f5es com a pol\u00edcia abordando MCs que estavam l\u00e1 rimando, \u00a0mas nunca aconteceu, de chegar a pol\u00edcia l\u00e1 e, por ser um movimento preto, eles falarem &#8216;sai daqui ou n\u00e3o vai acontecer&#8217;. N\u00e3o tivemos esse problema por causa de outros que vieram antes e deram um passe para que isso n\u00e3o acontecesse&#8221;, relata.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Vidas transformadas<\/p>\n<p>A ideia de levar cultura para um local j\u00e1 marginalizado, surge de pessoas tamb\u00e9m marginalizadas e socialmente invisibilizadas. Dieguin \u00e9 um homem negro, pobre e morador de favela. Theybs \u00e9 uma mulher negra e favelada.<\/p>\n<p>Samai, conhecida como Colombiana, \u00e9 a terceira personagem que ajuda a contar essa hist\u00f3ria. Ela \u00e9 m\u00e3e de dois filhos e j\u00e1 chegou a morar na rua. Todos eles tiveram as \u00a0suas vidas transformadas pelo rap, de alguma forma, como conta a artista.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Eu conheci o hip hop e descobri a hist\u00f3ria dele. Descobri que \u00e9 um movimento pol\u00edtico, preto e de quebrada. \u00c9 um movimento das minas e das monas. \u00c9 um movimento que luta pelo que a gente \u00e9 e, mesmo que a gente n\u00e3o saiba que ele est\u00e1 ali, ele existe h\u00e1 50 anos e revoluciona cada espa\u00e7o que ocupa&#8221;, destaca Samai.\u00a0<\/p>\n<p>Assim como Her\u00e1clito afirma que &#8220;n\u00e3o se pode banhar duas vezes no mesmo rio, pois, na segunda vez, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o mesmo rio nem o mesmo homem&#8221;, nas batalhas, acontece a mesma coisa. Ainda que sejam os mesmos corpos, no mesmo lugar, nunca \u00e9 a mesma batalha. O rap afeta, muda, transforma, contagia e salva, diz Colombiana.<\/p>\n<p>&#8220;No termo mais b\u00e1sico, o rap te ensina a n\u00e3o ser algu\u00e9m idiota, a n\u00e3o ser babaca e preconceituoso. Ent\u00e3o, por que n\u00e3o estar nesse espa\u00e7o? A gente se permite estar em tantos lugares onde nos tratam mal, por que n\u00e3o estar em espa\u00e7os que pautam a nossa luta&#8221;, indaga.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Mulheres na cena<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser um meio estigmatizado por ser negro e perif\u00e9rico, o rap ficou marcado por ser masculinizado. Se engana quem pensa que ser mulher no rap \u00e9 tranquilo e pacifico. Colombiana e Theybs falam sobre as dificuldades, mas citam que o cen\u00e1rio em BH \u00e9 diferenciado, pela forma como as mulheres aprenderam a se impor.<\/p>\n<p>&#8220;Ser mulher no rap \u00e9 bater a cabe\u00e7a na parede v\u00e1rias vezes, todos os dias, mas o hip hop te d\u00e1 espa\u00e7o para lutar. \u00c9 mais dif\u00edcil pela sociedade que vai assistir do que pela pr\u00f3pria galera que comp\u00f5e&#8221;, relata Colombiana.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Sonhos<\/p>\n<p>Viver de rap pode ser um sonho, muitas vezes alimentado pela ostenta\u00e7\u00e3o, vertente que canta ganhos milion\u00e1rios, carros de luxo e itens de marcas caras que foram conquistados por artistas da cena. Theybs explica que, ainda que quem cante n\u00e3o possua tais itens, \u00e9 uma forma de sonhar com o que \u00e9 negado a essa parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A gente \u00e9 preto. A gente j\u00e1 nasce sem perspectiva de nada e, muitas vezes, esses v\u00e1rios MCs cantam aquilo que eles n\u00e3o vivem, aquilo que eles que eles n\u00e3o t\u00eam, mas est\u00e3o emanando para o universo que eles pretendem ter&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Por outro lado, Colombiana se atenta ao risco desse discurso. Ela cita a m\u00fasica <em>Desostenta<\/em>, do cantor Igor Kann\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 legal, mas, muitas vezes, quem est\u00e1 cantando n\u00e3o tem nem \u00e1gua na geladeira. A maioria dos manos aqui da quebrada, que eu conhe\u00e7o, que cantam ostenta\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes est\u00e3o at\u00e9 sem trabalho. Ent\u00e3o, eu acho que pode, mas vamos trabalhar com a sua realidade primeiro&#8221;, defende.\u00a0<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Criado por ex-camel\u00f4, evento \u00e9 reconhecido como movimento cultural<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[334,1452,259,2159,659,1188,384,265,447,303,748,415],"class_list":["post-300272","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-belo-horizonte","tag-carros","tag-cultura","tag-familia","tag-filhos","tag-jovens","tag-mulher","tag-mulheres","tag-negros","tag-policia","tag-rio","tag-trabalho"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/300272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=300272"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/300272\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=300272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=300272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=300272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}