{"id":313267,"date":"2024-10-26T03:18:49","date_gmt":"2024-10-26T03:18:49","guid":{"rendered":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=313267"},"modified":"2024-10-26T03:18:49","modified_gmt":"2024-10-26T03:18:49","slug":"o-adeus-ao-cineasta-vladimir-carvalho-referencia-do-cinema-novo-ao-documentario","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=313267","title":{"rendered":"O adeus ao cineasta Vladimir Carvalho, refer\u00eancia do Cinema Novo ao document\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>Cineasta, professor da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e frequentador ass\u00edduo do Cine Bras\u00edlia, <a href=\"https:\/\/www.brasildefatodf.com.br\/2024\/10\/24\/morre-vladimir-carvalho-icone-do-documentario-brasileiro-e-guardiao-da-memoria-nacional\">Vladimir Carvalho<\/a> teve seu corpo velado na manh\u00e3 desta sexta-feira, 25 de outubro de 2024, no hist\u00f3rico cinema, inaugurado em 1960 junto com a funda\u00e7\u00e3o da capital brasileira.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo que Vladimir fez no cinema, na sua vida pol\u00edtica, de cidad\u00e3o, se confunde com a cidade, com os amigos, com quem tem menos. Tudo que ele fez \u00e9 um legado que n\u00e3o vai com ele, \u00e9 um legado que est\u00e1 a\u00ed, que \u00e9 o cinema que ele nos mostrou&#8221;, declarou o irm\u00e3o, o tamb\u00e9m cineasta Walter Carvalho, para o Brasil de Fato DF.<\/p>\n<p>Integrante do movimento Cinema Novo, ao lado de nomes como Glauber Rocha, Vladimir Carvalho morreu na manh\u00e3 de quinta-feira (24) aos 89 anos, em Bras\u00edlia (DF). Ele estava internado no Hospital Santa Helena h\u00e1 uma semana, ap\u00f3s sofrer um infarto.<\/p>\n<p>O vel\u00f3rio foi realizado das 9h30 \u00e0s 13h30, em meio a uma manh\u00e3 chuvosa, no Cine Bras\u00edlia. Estiveram presentes amigos, familiares e autoridades do DF e da cena audiovisual. A vi\u00fava Maria do Socorro Coutinho de Carvalho tamb\u00e9m acompanhou a cerim\u00f4nia.<\/p>\n<p>Para o irm\u00e3o Walter, &#8220;Bras\u00edlia e Cine Bras\u00edlia s\u00e3o sin\u00f4nimos de Vladimir&#8221;. &#8220;Eu olho para essa cidade e s\u00f3 o vejo. Foi ele quem me trouxe aqui pela primeira vez, foi com ele com quem trabalhei e acompanhei de diversas formas&#8221;, explicou o irm\u00e3o, acrescentando que tamb\u00e9m foi parar no cinema por conta de Vladimir.<\/p>\n<p>Doze anos mais novo, Walter foi convidado para ser fot\u00f3grafo do irm\u00e3o no curta &#8220;Incel\u00eancia para um Trem de Ferro&#8221;, de 1972. Na \u00e9poca ele n\u00e3o tinha experi\u00eancia na \u00e1rea, mas foi incentivado por Vladimir a n\u00e3o desistir da oportunidade.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/ee059dbf91121900f51f1a23f05a6ec8.webp\"><br \/>\nWalter Carvalho (de roupa preta) se tornou cineasta por influ\u00eancia do irm\u00e3o. \/ Foto: Camila Araujo<\/p>\n<p>Para a produtora executiva do Cine Bras\u00edlia, Daniela Marinho, al\u00e9m de formar v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es no audiovisual, o cineasta tamb\u00e9m se empenhou em preservar a mem\u00f3ria audiovisual no Brasil, construindo a Funda\u00e7\u00e3o Cine Mem\u00f3ria em 1994.<\/p>\n<p>O acervo guardado por Carvalho em Bras\u00edlia tem mais de 5 mil itens, entre jornais, revistas, fotografias, filmes, m\u00e1quinas, c\u00e2meras e at\u00e9 a Moviola, equipamento de montagem cinematogr\u00e1fica, usada por Glauber Rocha em &#8220;Terra em Transe&#8221;. A inten\u00e7\u00e3o era criar uma &#8216;extens\u00e3o&#8217; da Cinemateca Brasileira na capital.<\/p>\n<p>&#8220;Vladimir formou v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es no cinema, e tamb\u00e9m se empenhou na preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria audiovisual. Por um esfor\u00e7o dele, construiu o Cine Mem\u00f3ria, preservando filmes e equipamentos. N\u00e3o s\u00f3 da mem\u00f3ria dele, mas do audiovisual brasileiro. A gente espera que institui\u00e7\u00f5es como a UnB, a Secretaria de Cultura do DF, o Minist\u00e9rio da Cultura, possam continuar esse legado&#8221;, defendeu Daniela.<\/p>\n<p>Trabalhadora do audiovisual h\u00e1 quase 20 anos, ela conta que Vladimir Carvalho sempre foi uma refer\u00eancia para ela, destacando o &#8220;Pa\u00eds de S\u00e3o Saru\u00ea&#8221;, de 1971, como uma de suas obras favoritas e um marco no cinema brasileiro e mundial.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/72b18632a560212b521a6147601fa2af.webp\"><br \/>\n&#8220;Vladimir Carvalho sempre foi uma refer\u00eancia pra mim&#8221;, diz a produtora executiva do Cine Bras\u00edlia, Daniela Marinho. \/ Foto: Camila Araujo<\/p>\n<p>O document\u00e1rio retrata a vida de lavradores e garimpeiros no vale do rio do Peixe, mostrando o cotidiano de secas e pobreza no semi\u00e1rido nordestino. \u00c0s 14h, ap\u00f3s o vel\u00f3rio, quando o corpo de Vladimir foi encaminhado para o Cemit\u00e9rio Campo da Esperan\u00e7a, na Ala dos Pioneiros, o Cine Bras\u00edlia exibiu uma sess\u00e3o gratuita do filme.<\/p>\n<p>&#8220;Quando o conheci, Vladimir j\u00e1 era uma pessoa importante h\u00e1 muitos anos e mesmo assim ele sempre foi muito generoso com estudantes e as novas gera\u00e7\u00f5es. Ele era um frequentador ass\u00edduo do Cine Bras\u00edlia e sempre disposto a trocar, dialogar e construir junto. Uma figura inspiradora, fico honrada de ter contato com mestres como ele. Deixa um legado eterno, em nossos cora\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m na hist\u00f3ria&#8221;, disse Daniela Marinho.<\/p>\n<p>Secret\u00e1rio de Cultura e da Economia Criativa do Distrito Federal, Claudio Abrantes destacou que a jornada de Vladimir por Bras\u00edlia &#8220;foi muito frut\u00edfera&#8221; e que o cineasta escolheu a capital para divulgar &#8220;sua arte e talento&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a gente olha pro passado, o sentimento \u00e9 de gratid\u00e3o imensa por tudo que ele fez e tudo que ensinou. Quando a gente olha pro futuro, existem questionamentos de como vai ser sem ele. Mas tamb\u00e9m existe a esperan\u00e7a de que seus &#8216;filhos&#8217;, do ponto de vista da arte, quem bebeu da fonte, v\u00e3o ter oportunidade de continuar esse trabalho&#8221;.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Refer\u00eancia do document\u00e1rio<\/p>\n<p>Nascido em Itabaiana, na Para\u00edba, em 1935, Vladimir Carvalho dedicou vida e obra \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, tendo se tornado uma das principais refer\u00eancias do document\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<p>Na inf\u00e2ncia, ele morou na capital pernambucana, Recife, tendo se mudado depois para a capital paraibana Jo\u00e3o Pessoa. Iniciou a carreira na cinematografia escrevendo cr\u00edticas de filmes em jornais paraibanos. Em &#8220;Aruanda&#8221; (1960), marco do cinema da Para\u00edba, Vladimir atuou como assistente de dire\u00e7\u00e3o de Linduarte Noronha.<\/p>\n<p>Estudante de Filosofia na Universidade da Bahia, em Salvador, se tornou assistente de dire\u00e7\u00e3o do filme &#8220;Cabra Marcado para Morrer&#8221;, de Eduardo Coutinho, cujas grava\u00e7\u00f5es foram interrompidas em 1964, com o golpe militar.<\/p>\n<p>Mudou-se para Bras\u00edlia em 1970, e fez da capital o palco de in\u00fameros de seus registros videogr\u00e1ficos.<\/p>\n<p>O document\u00e1rio &#8220;Conterr\u00e2neos Velhos de Guerra&#8221;, de 1991, por exemplo, narra a hist\u00f3ria da constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia do ponto de vista dos trabalhadores que, ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o da capital, foram empurrados para regi\u00f5es perif\u00e9ricas e, no caso do Massacre da Construtora Fernandes Dantas, foram mortos na Vila Planalto antes mesmo da inaugura\u00e7\u00e3o da capital.<\/p>\n<p>No tamb\u00e9m cl\u00e1ssico &#8220;Barra 68 \u2013 Sem perder a ternura&#8221;, de 2000, o diretor revisita hist\u00f3rias de viol\u00eancia na UnB durante a ditadura militar, em 1964, no golpe, em 1968, em um epis\u00f3dio de repress\u00e3o contra estudantes, e em 1977, quando a universidade novamente seria reprimida pelo Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/6c502ace55bdc55edf517cde783a74c9.webp\"><br \/>\nCartazes dos filmes &#8220;Pa\u00eds de S\u00e3o Saru\u00ea&#8221;, de 1971 e &#8220;Conterr\u00e2neos Velhos de Guerra&#8221;, 1991. \/ Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O <strong>BDF DF<\/strong> preparou um material mostrando as <a href=\"https:\/\/www.brasildefatodf.com.br\/2024\/10\/24\/cinco-filmes-essenciais-para-entender-a-obra-de-vladimir-carvalho\">cinco obras essenciais<\/a> para conhecer o trabalho de Vladimir Carvalho.<\/p>\n<p>::\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefatodf.com.br\/2024\/10\/24\/cinco-filmes-essenciais-para-entender-a-obra-de-vladimir-carvalho\">Cinco filmes essenciais para entender a obra de Vladimir Carvalho<\/a>\u00a0::<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">&#8216;Deixa profundo legado&#8217;<\/p>\n<p>Ator e professor aposentado da UnB, Jo\u00e3o Antonio de Lima conta que viveu v\u00e1rias batalhas com o colega, &#8220;na pol\u00edtica cultural, na pol\u00edtica da universidade, na pol\u00edtica do cinema e na cidade&#8221;. &#8220;Ele era presente em todas as \u00e1reas da cidade e participava profundamente da vida de Bras\u00edlia. Como eu, um velho que renasceu na cidade.&#8221;<\/p>\n<p>Docente da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o (FAC), da UnB, de 1969 a 1992, e professor em\u00e9rito desde 2012, &#8220;tem muita import\u00e2ncia, n\u00e3o s\u00f3 para a cidade, mas para o pa\u00eds. Um dos maiores documentaristas brasileiros. Um nome nacional com identidade brasiliense. Isso para n\u00f3s \u00e9 uma honra extraordin\u00e1ria&#8221;, descreveu Jo\u00e3o Antonio.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/51753e07a93231acb5735fe377f31994.webp\"><br \/>\nAtor e professor da UnB, Jo\u00e3o Ant\u00f4nio conta que viveu v\u00e1rias batalhas ao lado de Vladimir. \/ Foto: Camila Araujo<\/p>\n<p>J\u00e1 a pesquisadora da hist\u00f3ria do Cinema, Ber\u00ea Bahia conta que conheceu Carvalho em 1981 \u00e0 frente da Associa\u00e7\u00e3o Brasiliense de Cinema e V\u00eddeo (ABCV), ent\u00e3o Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Documentaristas. Na ocasi\u00e3o ele organizava o Primeiro Festival de Cinema Brasiliense.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Nossa rela\u00e7\u00e3o foi se aprofundando porque t\u00ednhamos interesses em comum. Em 1985, nos 25 anos de Bras\u00edlia, eu apresentei a proposta de fazermos uma mostra em comemora\u00e7\u00e3o \u00e0s bodas de prata da capital, s\u00f3 com cineastas brasilienses. Infelizmente a mostra n\u00e3o aconteceu como foi pensada, porque justamente nesse ano faleceu Tancredo Neves, antes de tomar posse. Mas a gente ainda conseguiu marcar as bodas de prata exibindo v\u00e1rios filmes de cineastas que moravam em Bras\u00edlia&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>Foram 43 anos de uma rela\u00e7\u00e3o &#8220;muito profunda, de amizade, respeito m\u00fatuo e admira\u00e7\u00e3o&#8221;. Vladimir \u00e9, diz Ber\u00ea, espinha dorsal da universidade, do cinema e da pol\u00edtica. &#8220;Em todas essas \u00e1reas ele deixa um profundo legado para gera\u00e7\u00f5es passadas, atuais e a que vir\u00e3o, que ter\u00e3o a obriga\u00e7\u00e3o de saber quem foi esta figura no cen\u00e1rio cultural e pol\u00edtico brasileiro&#8221;.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/86cdbd34dc7ec40ef2f84539dbccbefb.webp\"><br \/>\nBer\u00ea Bahia, pesquisadora da hist\u00f3ria do cinema, manteve uma rela\u00e7\u00e3o de 43 anos com Vladimir Carvalho. \/ Foto: Camila Araujo<\/p>\n<p>Armando Lacerda, egresso da UnB na mesma turma de Vladimir Carvalho, se formou em 1974. &#8220;Com meu mestre eu filmei muita coisa aqui no Centro-Oeste. Ele me levava pra filmar, me emprestava os equipamentos. Pelas m\u00e3os de Vladimir, eu tive na universidade o melhor de tudo&#8221;, conta o jornalista, acrescentando que tem buscado recuperar as imagens da \u00e9poca.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Hoje eu vejo a grandeza que esse mestre me proporcionou, me oferecendo infraestrutura, apoio moral, cr\u00edticas, sugest\u00f5es. Uma figura que eu admiro, e cuja partida me deixa triste&#8221;, declarou Armando.\u00a0<\/p>\n<p>Juntos, Armando e Vladimir fizeram o longa-metragem &#8220;O Evangelho Segundo Teot\u00f4nio&#8221;, de 1984, no qual o primeiro atuou como produtor e o segundo diretor. Dispon\u00edvel para assistir on-line no canal da <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=B6hm3IL2or8\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa<\/a> (ABI), o filme conta passagens da vida do ex-senador alagoano Teot\u00f4nio Vilela, com \u00eanfase no processo de sua forma\u00e7\u00e3o como homem p\u00fablico.\u00a0<\/p>\n<p>Armando diz ainda que era sempre estimulado pelo amigo, que o apoiou na produ\u00e7\u00e3o do filme &#8220;Juruna, o Esp\u00edrito da Floresta&#8221; sobre o primeiro parlamentar federal ind\u00edgena do Brasil, M\u00e1rio Juruna, do povo Xavante.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/63822a94d2858be592660afc2a357b6e.webp\"><br \/>\nArmando Lacerda produziu &#8220;O Evangelho Segundo Teot\u00f4nio&#8221;, dirigido pelo amigo cineasta. \/ Foto: Camila Araujo<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">&#8216;Presente em todas as causas&#8217;<\/p>\n<p>O jornalista Beto Almeida, um dos diretores da TeleSur, falou sobre a import\u00e2ncia de Vladimir Carvalho para as lutas estudantis e o movimento de greve de 1974.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Ele foi gravar uma daquelas grandes assembleias, com cinco, seis mil pessoas. Como havia muita paranoia, por conta do medo da repress\u00e3o da ditadura, quando ele chegou com a c\u00e2mera o pessoal olhou com uma certa desconfian\u00e7a. Eu o conhecia j\u00e1, mas a maioria das pessoas n\u00e3o sabia quem era ele. Eu disse &#8216;esse daqui \u00e9 um grande documentarista premiado, ele quem fez o Pa\u00eds do S\u00e3o Saru\u00ea. Ele est\u00e1 fazendo isso para levar \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es a mensagem transformadora dessas assembleias, do movimento estudantil e da greve&#8217;. A\u00ed todo mundo se acalmou&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>Beto Almeida detalhou ainda o \u00faltimo encontro com Vladimir Carvalho, que foi assistir no Teatro Mapati, em Bras\u00edlia, o rec\u00e9m-lan\u00e7ado document\u00e1rio do jornalista &#8220;Vargas, a transforma\u00e7\u00e3o do Brasil&#8221;, um m\u00eas atr\u00e1s, em setembro. &#8220;Eu pedi que ele viesse, assistisse ao filme e comentasse, como meu professor. Ele me deu ideias muito boas, sugeriu duas mudan\u00e7as na edi\u00e7\u00e3o e eu j\u00e1 as incorporei ao filme&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>Depois da exibi\u00e7\u00e3o, o jornalista conta que foram comer pizza e prolongaram a conversa at\u00e9 madrugada. &#8220;Fui lev\u00e1-lo em sua casa e para mim foi como uma despedida\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Vladimir \u00e9 daquelas pessoas que levam consigo as crian\u00e7as palestinas, vivas, no cora\u00e7\u00e3o. Ele partilhava a esperan\u00e7a de que a humanidade vai vencer\u00a0 e construir uma civiliza\u00e7\u00e3o realmente generosa. Ele tinha esse otimismo com as grandes e necess\u00e1rias causas da humanidade&#8221;, destacou Almeida.\u00a0<\/p>\n<p>A professora em\u00e9rita da UnB Maria Auxiliadora C\u00e9sar, soci\u00f3loga, assistente social e fundadora do N\u00facleo de Estudos sobre Cuba da universidade (Nescuba), conta que o cineasta era uma pessoa &#8220;muito simples&#8221; e estava &#8220;presente em todas as causas: nas lutas da Am\u00e9rica Latina, da Palestina e do mundo&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Ele captou a realidade com sua lente maravilhosa, mas n\u00e3o ficou apenas na den\u00fancia. Denunciou de forma com que as pessoas pudessem ir em frente&#8221;, acrescentou Dora, como \u00e9 conhecida, destacando que Vladimir Carvalho foi apoiador desde o in\u00edcio da primeira Associa\u00e7\u00e3o Brasil-Cuba, fundada em 1985. &#8220;Ele era presente e permanecer\u00e1 presente. Em janeiro, comemoraremos seus 90 anos&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/6e7d9ecad482e003afe775bd8237f730.webp\"><br \/>\nVladimir Carvalho, cineasta brasileiro (1935-2024). \/ Foto: Roberto Fleury\/ Ag\u00eancia UnB<\/p>\n<p>::\u00a0<a href=\"https:\/\/chat.whatsapp.com\/Hyjleok1c8B7dzcdujTC6E\">Clique aqui para receber not\u00edcias do Brasil de Fato DF no seu Whatsapp<\/a>\u00a0::<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vel\u00f3rio reuniu familiares, amigos e admiradores no cinema hist\u00f3rico da capital brasileira<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[2051,1343,492,1548,1781,777,1882,2289,1549,407,1229,2165,259,423,409,344,477,531,1005,18,2299,659,453,1762,585,1966,1331,1212,1614,556,890,15,1689,1196,852,1699,1504,191,748,2150,584,415,284],"class_list":["post-313267","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-america-latina","tag-aposentado","tag-arte","tag-audiovisual","tag-bahia","tag-brasil","tag-brasilia","tag-causas","tag-cinema","tag-cinema-brasileiro","tag-comunicacao","tag-criticas","tag-cultura","tag-denuncia","tag-direcao","tag-distrito-federal","tag-documentario","tag-economia","tag-encontro","tag-exercito","tag-ferro","tag-filhos","tag-floresta","tag-golpe","tag-greve","tag-infraestrutura","tag-ir","tag-mudancas","tag-nomes","tag-noticias","tag-otimismo","tag-palestina","tag-passagens","tag-presentes","tag-producao","tag-professor","tag-proposta","tag-recife","tag-rio","tag-setembro","tag-trabalhadores","tag-trabalho","tag-vale"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/313267","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=313267"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/313267\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=313267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=313267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=313267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}