Breu político

Breu político

novembro 28, 2021 0 Por admin


© Elza Fiúza/Agência Brasil

Por Ângelo Cavalcante

A direita goiana é vasta, imensa e múltipla colcha de retalhos.

Na última eleição, Caiado, o mais expressivo representante da agro-rentista-latifundiaresca-estatal direita goiana conseguiu fazer os pontos e as costuras necessárias para se apropriar da “colcha”.

Dessa habilidade, enfim, virou governador!

Por três anos, sabemos bem, realiza uma gestão assentada em três pilares básicos:

i.
O mais regressivo e duro arrocho fiscal e orçamentário de toda a história goiana;

ii.
O maior e mais destacado desinvestimento nas efetivas e constitucionais atribuições do Estado. Sem exagero, Caiado foi desses que proibiu e cortou desde o cafezinho nos já bem ociosos espaços e pavilhões do Centro Administrativo até a obras estruturais e necessárias para o Estado e;

iii.
Finalmente, na mais assumida e deslavada submissão, o Governador é, isso sim, um terceirizado; é um “uberizado” governamental. Em sua fissura, em sua obsessão incontida por “ajustar” as contas públicas ao tirânico Regime de Recuperação Fiscal (RRF), repassou o governo da província para o ministro Paulo Guedes, o “off-shore-MAN” e que, tendo muito mais o que fazer, transferiu o guidão do Estado para estagiários do Ministério da Economia. Aliás, é impressionante, Goiás é coisa do IEL ou do CIEE!

Mas, conforme se verifica, a quadra política e eleitoral goiana não está nada alvissareira para Caiado e seu caiadismo.

Sua base, até a pouco tempo, alinhada e canina e politicamente obediente a partir, “of course!”, de cargos, comissões, promessas e privilégios outros é hoje uma plêiade de atores políticos espraiados, dispersos e sujeitos a gravitação objetiva sob outras forças, interesses e legendas políticas.

Desde que anunciou Daniel Vilela (MDB) como seu vice às disputas de 2022, desencadeou um sistêmico processo fabril de defecções, rupturas e incompatibilidades contra si, sua gestão e o pleito do ano que vem.

Aliás, Caiado cria, dá forma para inimigos e adversários inimagináveis.

Erro ou habilidade? A ver…

Gustavo Mendanha, prefeito da nada desimportante cidade de Aparecida de Goiânia, é um baita e muito bem fincado espinho no pé de Caiado e de todo o seu muito frágil arco de alianças.

Por sinal, Aparecida, é detentora de um dos maiores orçamentos goianos e Mendanha fez barba, cabelo e bigode na sua última gestão e soube conduzir muito bem sua cidade e seu povo no turvo da pandemia de covid-19.

Sua aprovação dentre seus munícipes se achega em setenta percentis! Não é algo menor… Aliás esse é excelente indicador e apontamento!

A tucanangem, abatida e quieta, segue viva e, se não define futuros, atrapalha a marcha de quem está no poder.

Tem em Caiado seu adversário preferencial, assumido, definido e inadiável.

O ex-governador Marconi Perillo, experiente e astuto, segue nos bastidores, atuando, orientando e constituindo apoios e estratégias nessa e que será a mais impiedosa saraivada de ataques e que Ronaldo Caiado já assistiu em toda a sua vida política.

A esquerda, tal qual a direita, avança dispersa, fragmentada e, cada uma, com estratégias mais “revolucionárias” e “avançadas” que a outra.

O Partido dos Trabalhadores (PT) se adiantou e inteligentemente, já lança para suas pré-convenções o nome de Wolmir Amado, professor e ex-reitor da PUC-GO para o governo goiano.

Amado, no entanto, terá que imediatamente, adquirir a linguagem, os códigos e símbolos do petismo brejeiro, dos movimentos sociais do qual o Partido é parte, além da “pegada” eleitoral e que terá que impor a sua campanha, às suas propostas de transformação de um Goiás pauperizado e submetido a todas as formas de desamparo e de exclusão.

Para bom começo de conversa, a pandemia que consumiu 2020/2021, empurrou para os vácuos da miséria, da fome, da informalidade e da pobreza, um milhão e meio de goianos.

É preciso fala quente, objetiva e incisiva para contar desse apocalipse sócio-econômico e já realizado dentre nós. O ex-reitor terá expressivos desafios interpretativos, políticos e comunicacionais para essa jornada!

Como se vê, com tais dados, nossa periferia se expande, se agrava e se consolida.

Finalmente, às esquerdas cabe verificar a efervescência dos movimentos sociais, da cidadania ativa e organizada nesses guayazes; não pode, de verdade, haver indicador mais preciso e revelador.

O calor, as agitações e o clímax político saído das massas serão definitivos para uma real renovação nos rumos políticos de Goiás.

E por todo 2022, Caiado e sua corte, irá caminhar pôr sobre um chão movediço e instável.

Um passo em falso e…

Certo é que tudo é incerto, instável e nada, absolutamente nada, está definido.

Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.