{"id":183270,"date":"2024-07-23T17:36:58","date_gmt":"2024-07-23T17:36:58","guid":{"rendered":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=183270"},"modified":"2024-07-23T17:36:58","modified_gmt":"2024-07-23T17:36:58","slug":"como-garantir-direitos-por-meio-das-hortas-comunitarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=183270","title":{"rendered":"Como garantir direitos por meio das hortas comunit\u00e1rias?"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/03\/09\/risco-catastrofico-global-e-seguranca-alimentar-no-brasil-estamos-preparados\">sistema alimentar global<\/a> enfrenta diversos desafios em toda sua cadeia, da produ\u00e7\u00e3o ao gerenciamento de res\u00edduos, o que exige uma profunda transforma\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sustentabilidade social, econ\u00f4mica e ambiental. Essa mudan\u00e7a envolve a redefini\u00e7\u00e3o de valores sociais, normas, pr\u00e1ticas e conflitos da nossa rela\u00e7\u00e3o com a natureza. Neste sentido, os <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/10\/10\/direito-a-cidade-e-negado-a-muitos-brasileiros-como-ter-acesso-a-ele\">bens comuns urbanos<\/a> surgem como uma das diferentes e promissoras alternativas para guiar a transforma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Trata-se de um sistema de gest\u00e3o sustent\u00e1vel dos recursos da cidade com foco no uso deles para benef\u00edcio social, contrariando a l\u00f3gica do <a href=\"https:\/\/www.brasildefatopb.com.br\/2022\/06\/29\/a-cidade-mercadoria-as-expulsoes-planejadas-e-as-resistencias\">uso apenas como mercadoria<\/a> e com vantagens para poucos. Tal gest\u00e3o \u00e9 feita por um grupo de pessoas que compartilham objetivos, regras, interesses, trabalho, vantagens, responsabilidades, problemas, materiais etc. Um desses exemplos \u00e9 feito pelas hortas comunit\u00e1rias.\u00a0<br \/>\n\u00a0\u00a0<br \/>\nE o que s\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/10\/06\/hortas-urbanas-em-salvador-unem-agroecologia-combate-a-fome-e-resgate-da-ancestralidade\">hortas comunit\u00e1rias<\/a>? A <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/07\/22\/bem-viver-na-tv-como-a-agricultura-urbana-pode-atuar-no-combate-a-fome\">agricultura urbana<\/a> varia de acordo com o contexto social e legal de cada pa\u00eds. Dentre as m\u00faltiplas express\u00f5es est\u00e3o, dentro e nas bordas das cidades, as hortas comunit\u00e1rias, mas tamb\u00e9m os quintais produtivos, agricultura familiar e quilombola, fazendas verticais etc.<\/p>\n<p>Com a variedade de formas, prop\u00f3sitos e produtos, n\u00e3o existe um conceito \u00fanico de hortas comunit\u00e1rias. Mas, em suma, elas apresentam componentes f\u00edsicos e n\u00e3o-f\u00edsicos dentro da l\u00f3gica dos bens comuns.<\/p>\n<p>Os aspectos f\u00edsicos incluem geralmente o espa\u00e7o de cultivo e de <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/05\/23\/compostagem-pratica-envolve-comunidade-e-transforma-ruas-em-espacos-verdes-no-df\">compostagem<\/a>, que podem ser em locais p\u00fablicos ou privados, como cal\u00e7adas, t\u00e9rreo ou terra\u00e7os de \u00e1reas residenciais, pr\u00e9dios escolares e parques p\u00fablicos. \u00c9 interessante notar que o cultivo pode acontecer de forma vertical ou suspensa, especialmente quando n\u00e3o existe muito espa\u00e7o dispon\u00edvel no solo.<\/p>\n<p>Os elementos f\u00edsicos, ainda, abarcam a constru\u00e7\u00e3o de tendas para prote\u00e7\u00e3o e para descanso humano, estruturas para armazenamento e seguran\u00e7a dos materiais e produtos, \u00e1rea social para conversas, tomada de decis\u00f5es ou cursos, banheiro seco e, por vezes, cozinhas comunit\u00e1rias; e os materiais de cultivo &#8211; sol, \u00e1gua, ferramentas, sementes, adubos e pesticidas naturais que promovem a produ\u00e7\u00e3o de alimentos agroecol\u00f3gicos, ou seja, sem uso de agrot\u00f3xicos e com respeito \u00e0 natureza.<\/p>\n<p>J\u00e1 os componentes n\u00e3o-f\u00edsicos dizem respeito \u00e0 m\u00e3o de obra, fundos, autoriza\u00e7\u00f5es de constru\u00e7\u00e3o, conhecimento, ancestralidade, treinamento e redes de apoio. Sobre a m\u00e3o de obra, ressalta-se que as hortas s\u00e3o frequentemente iniciadas por grupos auto-organizados de amadores e especialistas.<\/p>\n<p>O grupo \u00e9 composto por volunt\u00e1rios e, por vezes, trabalhadores pagos pelo governo ou por organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais. As pessoas envolvidas possuem perfis diversos, incluindo diferentes n\u00edveis de experi\u00eancia em agricultura, renda, idade, g\u00eanero (com destaque para as mulheres), n\u00edvel de escolaridade, cidade\/estado\/pa\u00eds de origem e etnias.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.brasildefatope.com.br\/2024\/05\/14\/comunidade-se-reune-e-reergue-horta-destruida-pela-prefeitura-na-imbiribeira\">Comunidade se re\u00fane e reergue horta destru\u00edda pela prefeitura, na Imbiribeira<\/a><\/p>\n<p>Quanto ao financiamento, os hortel\u00f5es podem adotar variadas formas de capta\u00e7\u00e3o de recursos para iniciar e manter a horta, como crowdfunding (\u201cvaquinha online\u201d), aluguel de lotes por meio de pequenas taxas (mais comum em casos fora do Brasil) ou contribui\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias feitas em cursos, workshops e eventos.<\/p>\n<p>Mesmo quando a horta \u00e9 organizada como um neg\u00f3cio &#8211; costumeiramente, no Brasil, h\u00e1 um espa\u00e7o de venda na pr\u00f3pria horta, em feiras ou lojas, mas h\u00e1 casos internacionais de hortas com restaurante\/caf\u00e9 e outros equipamentos de gera\u00e7\u00e3o de renda -, ela ainda \u00e9 sem fins lucrativos. Em alguns casos, h\u00e1 financiamento ou apoio t\u00e9cnico total ou parcial de governos, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e empresas privadas.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos produtos, as hortas comunit\u00e1rias oferecem uma rica variedade aliment\u00edcia, desde legumes e frutas at\u00e9 plantas aliment\u00edcias n\u00e3o-convencionais (PANCs) e ervas arom\u00e1ticas\/medicinais. Em alguns exemplos, h\u00e1 pequenos animais de cria\u00e7\u00e3o. Essa produ\u00e7\u00e3o pode destinar-se ao consumo familiar, lazer, promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, fins educativos e ao contexto de programas de desenvolvimento comunit\u00e1rio e integra\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>As hortas comunit\u00e1rias v\u00eam ganhando destaque global, inclusive como pol\u00edtica p\u00fablica, e representam novas formas de rela\u00e7\u00e3o com o solo e o alimento da cidade. Comprovando tal afirma\u00e7\u00e3o, no exterior, chama a aten\u00e7\u00e3o os casos de Berlim, na Alemanha, onde h\u00e1 hortas comunit\u00e1rias em um antigo aeroporto e em cemit\u00e9rios total ou parcialmente desativados.<\/p>\n<p>::\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefatope.com.br\/2024\/05\/08\/escola-marias-quer-fortalecer-e-capacitar-100-agricultoras-urbanas-de-comunidades-perifericas-no-grande-recife\">Escola Marias quer fortalecer e capacitar 100 agricultoras urbanas de comunidades perif\u00e9ricas no Grande Recife<\/a>::\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 no Brasil, nas capitais, s\u00e3o modelos expressivos as pol\u00edticas p\u00fablicas das prefeituras do Rio de Janeiro (com reconhecimento da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas como modelo de desenvolvimento sustent\u00e1vel), de Belo Horizonte e de Curitiba.<\/p>\n<p>No Recife, desde 2021 existe o Programa Hortas Urbanas, de responsabilidade da Prefeitura do Recife, atrav\u00e9s da \u00a0Secretaria Executiva de Agricultura Urbana (SEAU). J\u00e1 o Governo de \u00a0Pernambuco possui o Programa Hortas em Todo Canto, por meio da C\u00e2mara Intersetorial de Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (CAISAN). O Governo Federal, por sua vez, apresenta desde 2023 o Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana, do Minist\u00e9rio do \u00a0Desenvolvimento Agr\u00e1rio e Agricultura Familiar.<\/p>\n<p>Tais iniciativas j\u00e1 eram importantes para enfrentar a situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar e nutricional pelo Brasil nos \u00faltimos anos. E passaram a ter maior destaque no combate aos efeitos da pandemia de covid-19 &#8211; quando muitas pessoas perderam suas fontes de renda e, consequentemente, ficaram sem condi\u00e7\u00f5es de comprar alimentos -, conforme identificou o grupo de pesquisa Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles\/UFPE em uma pesquisa sobre o Recife.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n<strong>Hortas comunit\u00e1rias e a promo\u00e7\u00e3o de direitos<\/strong><\/p>\n<p>As hortas comunit\u00e1rias tamb\u00e9m possuem m\u00faltiplos benef\u00edcios e conex\u00f5es com o Direito. \u00c9 fundamental citar a rela\u00e7\u00e3o, segundo recente pesquisa internacional, entre hortas comunit\u00e1rias e o direito humano \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o adequada dos membros da horta e\/ou de outras pessoas, a exemplo de vizinhos, integrantes de escolas, creches, \u00a0hospitais, asilos, pres\u00eddios etc.<\/p>\n<p>Tal rela\u00e7\u00e3o pode ocorrer de diferentes formas. Uma delas \u00e9 a possibilidade de acesso f\u00edsico e econ\u00f4mico aos produtos frescos e de qualidade, que s\u00e3o essenciais para combater a inseguran\u00e7a alimentar entre diversos grupos sociais vulner\u00e1veis, como mulheres, estudantes e idosos. Por conseguinte, elas contribuem para a manuten\u00e7\u00e3o da vida com qualidade e da sa\u00fade (direitos humanos \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade e a um padr\u00e3o de vida adequado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as hortas tamb\u00e9m podem combater a falta de disponibilidade de alimentos saud\u00e1veis (desertos alimentares), especialmente em bairros pobres, perif\u00e9ricos e de maior presen\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o preta e parda. No Recife, por exemplo, as feiras e os pontos agroecol\u00f3gicos, que representam o acesso aos produtos saud\u00e1veis e sem agrot\u00f3xicos perto de casa, n\u00e3o est\u00e3o presentes em todos os bairros. Assim, as hortas t\u00eam o potencial de lutar n\u00e3o s\u00f3 contra o racismo ambiental (ao aumentar os espa\u00e7os verdes e de contato com a natureza), mas tamb\u00e9m o racismo alimentar, dois fen\u00f4menos que violam o direito humano \u00e0 igualdade.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nAs hortas comunit\u00e1rias tamb\u00e9m s\u00e3o importantes para a promo\u00e7\u00e3o da aceitabilidade \u00a0cultural dos alimentos, proporcionando oportunidades de educa\u00e7\u00e3o alimentar e ambiental (direitos \u00a0humanos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 informa\u00e7\u00e3o) e troca cultural (direito humano \u00e0 \u00a0liberdade de participa\u00e7\u00e3o na vida cultural da comunidade), incluindo aprendizado e pr\u00e1tica \u00a0de nutri\u00e7\u00e3o, como coproduzir alimentos, identifica\u00e7\u00e3o de locais para coleta de alimentos, troca \u00a0de sementes, preserva\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia de conhecimento. Al\u00e9m do mais, a produ\u00e7\u00e3o de \u00a0alimentos agroecol\u00f3gicos (sem uso de produtos qu\u00edmicos artificiais, fertilizantes, pesticidas etc.) \u00a0faz parte da aceitabilidade.\u00a0<\/p>\n<p>Neste sentido, destaca-se a <a href=\"https:\/\/www.brasildefatope.com.br\/2024\/05\/08\/escola-marias-quer-fortalecer-e-capacitar-100-agricultoras-urbanas-de-comunidades-perifericas-no-grande-recife\">Escola Marias \u2013 Mulheres e Agricultoras Urbanas na Regi\u00e3o Metropolitana do Recife<\/a>. Outra iniciativa desse tipo, o Centro Sabi\u00e1, semeando a mudan\u00e7a atrav\u00e9s da agroecologia, recebe um impulso fundamental com o financiamento do Programa Nacional de Agricultura Urbana do Governo Federal. Esse apoio, fruto de uma emenda parlamentar, fortalece ainda mais a iniciativa.<\/p>\n<\/p>\n<p>Mas o Centro Sabi\u00e1 n\u00e3o trilha esse caminho sozinho. Ao seu lado, est\u00e3o parceiros valiosos: o N\u00facleo de Agroecologia e Campesinato da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Movimento dos Trabalhadores\/as Sem-Teto (MTST). Juntos, formam uma rede de expertise e engajamento, impulsionando a causa da agricultura sustent\u00e1vel, do desenvolvimento social e do empoderamento ao capacitar 100 mulheres que j\u00e1 dedicam seus esfor\u00e7os \u00e0 agricultura urbana e periurbana com base em princ\u00edpios agroecol\u00f3gicos nas comunidades perif\u00e9ricas do Grande Recife.<\/p>\n<p>Indo adiante, existe a contribui\u00e7\u00e3o das hortas comunit\u00e1rias para a sustentabilidade alimentar em tr\u00eas dimens\u00f5es. Em primeiro lugar, em termos ambientais, elas podem ter impactos \u00a0positivos sobre a biodiversidade, apoiando os ecossistemas locais. Inclusive, ao aumentar o escoamento de \u00e1guas das chuvas, as hortas tornam-se pontos locais de diminui\u00e7\u00e3o dos \u00a0impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Elas tamb\u00e9m oferecem uma solu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica para diversos \u00a0desafios dentro do sistema agroalimentar, incluindo produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de res\u00edduos. \u00a0Ao promover a produ\u00e7\u00e3o e consumo de alimentos locais, as hortas contribuem para reduzir a depend\u00eancia do transporte de longa dist\u00e2ncia e diminuir os impactos ambientais associados \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de alimentos. Somado ao contato com a natureza, tais fatores relacionam-se com o direito humano ao \u00a0meio ambiente equilibrado.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, em termos econ\u00f4micos, elas podem contribuir \u00a0para o abastecimento dos mercados locais e criar oportunidades de gera\u00e7\u00e3o de renda por meio do trabalho social\/administrativo e venda direta ou indireta (receitas) de produtos da horta, relacionando-se com o direito humano ao trabalho. Isso pode representar a redu\u00e7\u00e3o das disparidades socioecon\u00f4micas.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, em termos sociais, as hortas comunit\u00e1rias podem melhorar a equidade social e a justi\u00e7a ao fornecer acesso igualit\u00e1rio a alimentos nutritivos para comunidades marginalizadas e ao promover abordagens inclusivas e participativas para o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Outros sentidos s\u00e3o o de promo\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o coletiva (direito humano \u00e0 liberdade de reuni\u00e3o e associa\u00e7\u00e3o pac\u00edfica), com destaque especial para os grupos de mulheres no Grande Recife; e de integra\u00e7\u00e3o social de pessoas com diferentes origens (direto humano \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o e direito humano \u00e0 n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o), al\u00e9m da oferta de op\u00e7\u00e3o de lazer e relaxamento (direito humano ao lazer). Isso tem especial significado a novos moradores de uma \u00e1rea e para abrir espa\u00e7o \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de pessoas vindas de outros locais (direito humano de liberdade de locomo\u00e7\u00e3o e resid\u00eancia e direito \u00e0 mem\u00f3ria).\u00a0<\/p>\n<p>Outra vantagem das hortas comunit\u00e1rias \u00e9 o potencial de transformar espa\u00e7os urbanos \u00a0por meio da ocupa\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o de terrenos ociosos (\u00e1reas subutilizadas, n\u00e3o utilizadas ou \u00a0n\u00e3o constru\u00eddas), situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 noticiada pela Marco Zero Conte\u00fado no Grande Recife. Por meio disso, ocorre a concretiza\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 cidade, considerando a perspectiva de decis\u00e3o pelos cidad\u00e3os de qual cidade ser\u00e1 constru\u00edda dentro do estado democr\u00e1tico de direito (direito humano \u00e0 liberdade de opini\u00e3o e express\u00e3o; e direito humano \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o), e o direito de se moldar individualmente e coletivamente enquanto ser humano (com direitos e deveres) a partir da experi\u00eancia urbana (direito humano ao desenvolvimento da personalidade).<\/p>\n<p><strong>Desafios para as hortas comunit\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dos benef\u00edcios listados acima, algumas hortas comunit\u00e1rias acabam sendo \u00a0tempor\u00e1rias, com estruturas que s\u00e3o voluntariamente ou for\u00e7adamente removidas ou danificadas, atingindo n\u00e3o s\u00f3 o alimento e os direitos j\u00e1 listados, mas tamb\u00e9m o afeto, a dedica\u00e7\u00e3o, as mem\u00f3rias e as rela\u00e7\u00f5es sociais de amizade ali constru\u00eddas.\u00a0<\/p>\n<p>Neste sentido, recentemente foi denunciado o <a href=\"https:\/\/www.brasildefatope.com.br\/2024\/07\/09\/apos-ataque-armado-de-encapuzados-comunidade-protesta-em-defesa-da-horta-comunitaria-no-jiquia\">caso de que uma horta comunit\u00e1ria apoiada pela Prefeitura do Recife, no Jiqui\u00e1, foi destru\u00edda<\/a>. A disputa no S\u00edtio Agroecol\u00f3gico \u00a0Margaridas, da Ocupa\u00e7\u00e3o Alian\u00e7a com Cristo, integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), se d\u00e1 em raz\u00e3o de uma suposta propriedade do solo.<\/p>\n<p>No referido caso, a amea\u00e7a de morte \u00e0 Elisangela da Silva, coordenadora do MTST e moradora da Ocupa\u00e7\u00e3o Alian\u00e7a com Cristo, ainda representa perigo ao direito \u00e0 vida, \u00e0 paz, \u00e0 seguran\u00e7a pessoal, ao acesso \u00e0 terra e aos recursos naturais, \u00e0 liberdade e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o dos direitos humanos. Visto isso, espera-se a\u00e7\u00e3o urgente \u00a0das autoridades p\u00fablicas nesse caso, al\u00e9m de vigil\u00e2ncia cont\u00ednua em outras hortas comunit\u00e1rias para que futuras ocorr\u00eancias desse tipo n\u00e3o venham a acontecer.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.brasildefatope.com.br\/2024\/07\/09\/apos-ataque-armado-de-encapuzados-comunidade-protesta-em-defesa-da-horta-comunitaria-no-jiquia\">Ap\u00f3s ataque armado de encapuzados, popula\u00e7\u00e3o protesta em defesa da horta comunit\u00e1ria no Jiqui\u00e1<\/a><\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/5120318f34ab4e2f09e2a75b2e4f2949.webp\"><br \/>\nHorta Comunit\u00e1ria Margaridas, no Jiqui\u00e1, foi constru\u00edda pelos moradores com apoio da Prefeitura e destru\u00edda por homens armados \/ Arnaldo Sete\/Marco Zero Conte\u00fado<\/p>\n<p>No entanto, esta n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica barreira para que as hortas comunit\u00e1rias cumpram o papel de promotoras de direitos. Na verdade, a cria\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e manuten\u00e7\u00e3o de uma horta comunit\u00e1ria pode passar por diversos desafios, que podem ser organizados nos seguintes t\u00f3picos:<\/p>\n<p>a. Restri\u00e7\u00f5es legais e institucionais, vieses socioculturais e descren\u00e7a: incluem quest\u00f5es \u00a0sociais, legais e pol\u00edticas, como a falta de reconhecimento dos benef\u00edcios; a proibi\u00e7\u00e3o por lei de atividades agr\u00edcolas em \u00e1reas urbanas; a falta de seguran\u00e7a na posse da terra (como o caso citado acima); a baixa visibilidade na agenda dos tomadores de decis\u00e3o pol\u00edtica\/administrativa e a perda \u00a0de territ\u00f3rio para o mercado imobili\u00e1rio, para interesses pol\u00edticos (para construir outras instala\u00e7\u00f5es que garantem maior visibilidade), para interesses privados (cercamento de \u00e1rea p\u00fablica por vizinhos) ou para agentes criminosos; \u00a0<\/p>\n<p>b. Acesso limitado aos recursos, insumos e meios financeiros: abrangem conflitos naturais, pol\u00edticos, burocr\u00e1ticos e econ\u00f4micos, como a competi\u00e7\u00e3o com outros usos da terra e o acesso limitado \u00e0 \u00e1gua, sementes e ferramentas, al\u00e9m de problemas relacionados \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o financeira e, mais comum em casos fora do Brasil, com altos valores de cau\u00e7\u00e3o para acesso \u00e0 terra; \u00a0<\/p>\n<p>c. Riscos espec\u00edficos do cultivo em \u00e1reas urbanas: abarcam limita\u00e7\u00f5es sociais e naturais, por exemplo, a contamina\u00e7\u00e3o dos alimentos por causa da polui\u00e7\u00e3o do ar, do solo e da \u00e1gua (emiss\u00f5es de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas por ve\u00edculos automotores, falta de saneamento b\u00e1sico etc.), vandalismo e gentrifica\u00e7\u00e3o (processo socioespacial de segrega\u00e7\u00e3o caracterizado pela valoriza\u00e7\u00e3o acentuada de uma \u00e1rea urbana); \u00a0<\/p>\n<p>d. Problemas com a organiza\u00e7\u00e3o e com recursos humanos: abarcam casos de dificuldades em estabelecer redes de apoio para produ\u00e7\u00e3o e venda, car\u00eancia de dados para formular pol\u00edticas p\u00fablicas e falta de conhecimento sobre a agricultura agroecol\u00f3gica, a gest\u00e3o da horta, a seguran\u00e7a sanit\u00e1ria e a coleta, a manipula\u00e7\u00e3o e a embalagem dos produtos.<br \/>\n\u00a0\u00a0<br \/>\nTais quest\u00f5es s\u00e3o obst\u00e1culos para os benef\u00edcios e direitos sociais, econ\u00f4micos e \u00a0ambientais que as hortas comunit\u00e1rias podem oferecer. Diante disso, \u00e9 essencial discutir com o \u00a0Poder P\u00fablico futuras pol\u00edticas para proteger e promover as \u00a0hortas comunit\u00e1rias, tendo em vista que ele \u00e9 o principal respons\u00e1vel pelas estruturas legais e institucionais das din\u00e2micas urbanas, especialmente na esfera de governo local.\u00a0<\/p>\n<p>Propostas para enfrentar os desafios das hortas comunit\u00e1rias<\/p>\n<p>a. Para combater as restri\u00e7\u00f5es legais e institucionais, vieses socioculturais e descren\u00e7a:\u00a0<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p>Inclus\u00e3o de hortas comunit\u00e1rias em planos e regulamenta\u00e7\u00f5es urban\u00edsticas, como o Plano Diretor, Lei de Uso e Ocupa\u00e7\u00e3o do Solo etc., para reconhecimento legal das hortas \u00a0comunit\u00e1rias como \u00e1reas comuns urbanas; \u00a0<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Participa\u00e7\u00e3o da comunidade na tomada de decis\u00f5es sobre desenvolvimento urbano;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Identifica\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os e apoio na transforma\u00e7\u00e3o de terrenos ociosos em espa\u00e7os para hortas comunit\u00e1rias;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Reconhecimento dos direitos trabalhistas e previdenci\u00e1rios dos agricultores urbanos;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Promo\u00e7\u00e3o da agroecologia e certifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica; \u00a0<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Cria\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos especializados em agricultura urbana; \u00a0<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Apoio \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o entre diferentes atores envolvidos em hortas comunit\u00e1rias, como \u00a0ONGs, \u00f3rg\u00e3os de assist\u00eancia t\u00e9cnica, movimentos sociais etc.; \u00a0<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Monitoramento e avalia\u00e7\u00e3o do impacto social, econ\u00f4mico e ambiental das hortas comunit\u00e1rias; \u00a0<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre os benef\u00edcios das hortas comunit\u00e1rias;<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Promo\u00e7\u00e3o da inclus\u00e3o social e da diversidade nas hortas comunit\u00e1rias. \u00a0<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>b. Para combater o acesso limitado aos recursos, insumos e meios financeiros: \u00a0<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p>Garantia de acesso \u00e0 terra, \u00e1gua e eletricidade para as hortas comunit\u00e1rias; \u00a0<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Incentivo \u00e0 troca de sementes e compostagem; \u00a0<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Promo\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas agr\u00edcolas sustent\u00e1veis; \u00a0<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Cria\u00e7\u00e3o de mecanismos de financiamento para hortas comunit\u00e1rias.\u00a0<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>c. Para combater os riscos espec\u00edficos do cultivo em \u00e1reas urbanas: \u00a0<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p>Estabelecimento de diretrizes de seguran\u00e7a (n\u00e3o s\u00f3 das instala\u00e7\u00f5es para evitar furto de ferramentas, mas tamb\u00e9m na quest\u00e3o sanit\u00e1ria, hidr\u00e1ulica, el\u00e9trica etc.) e qualidade dos produtos para as hortas comunit\u00e1rias; \u00a0<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Desenvolvimento de an\u00e1lise de qualidade dos recursos naturais (solo, ar, \u00e1gua, ilumina\u00e7\u00e3o solar, sementes etc.);<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Promo\u00e7\u00e3o de pesquisa e inova\u00e7\u00e3o para mitigar riscos.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>d. Para combater os problemas com a organiza\u00e7\u00e3o e com recursos humanos: \u00a0<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p>Oferta de programas de treinamento em pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas e em manipula\u00e7\u00e3o de alimentos na coleta, armazenagem, embalagem, transporte e venda; \u00a0<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Incentivos financeiros para atrair mais hortel\u00f5es, como o aux\u00edlio financeiro pagos pelo Programa Hortas Cariocas; \u00a0<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Integrar a participa\u00e7\u00e3o entre bancos de alimentos, cozinhas comunit\u00e1rias e outras iniciativas de compartilhamento de alimentos. Al\u00e9m disso, as hortas comunit\u00e1rias podem \u00a0ser integradas \u00e0 habita\u00e7\u00e3o (direito \u00e0 moradia) e prover qualidade socioambiental, como \u00a0na reurbaniza\u00e7\u00e3o de favelas e nas resid\u00eancias do Programa Minha Casa, Minha Vida &#8211; ilustrado pelo caso recifense do Conjunto Habitacional Ruy Fraz\u00e3o.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Caso as recomenda\u00e7\u00f5es propostas sejam adotadas pelos tomadores de decis\u00e3o, diversos cen\u00e1rios podem se desenrolar. Dentre eles, est\u00e1 o reconhecimento e a prote\u00e7\u00e3o das hortas comunit\u00e1rias como valiosos espa\u00e7os urbanos comuns, permitindo a sua opera\u00e7\u00e3o dentro das leis de zoneamento e regulamentos de desenvolvimento. Esse reconhecimento pode fomentar a participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, concedendo aos participantes um senso de pertencimento e empoderando-os nos processos de tomada de decis\u00e3o, al\u00e9m de promover o direito \u00e0 cidade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 v\u00e1lida a ado\u00e7\u00e3o de c\u00f3digos legais que promovam a agroecologia e certifiquem que a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica pode alinhar as hortas comunit\u00e1rias com os objetivos de sustentabilidade, garantindo estabilidade por meio da posse da terra a longo prazo. Ainda mais, a implementa\u00e7\u00e3o de medidas poderia transformar terrenos baldios em espa\u00e7os p\u00fablicos de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, garantindo acesso \u00e0 terra e promovendo a prote\u00e7\u00e3o ambiental por meio de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>Mecanismos de financiamento, como subs\u00eddios e bolsas, poderiam apoiar as hortas comunit\u00e1rias, especialmente em \u00e1reas \u00a0economicamente desfavorecidas, potencialmente atraindo mais hortel\u00f5es e aumentando seu impacto. Fora isso, as medidas adotadas podem mitigar os riscos associados \u00e0 agricultura urbana e incentivar a pesquisa e inova\u00e7\u00e3o para desenvolver solu\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para seguran\u00e7a e controle de qualidade dentro das hortas comunit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Indo al\u00e9m, os esfor\u00e7os para abordar dificuldades relacionadas aos recursos humanos poderiam resultar em desenvolvimento de capacidades por meio de programas de treinamento e assist\u00eancia t\u00e9cnica, equipando os hortel\u00f5es comunit\u00e1rios com as habilidades necess\u00e1rias para um gerenciamento bem-sucedido da horta.<\/p>\n<p>Por fim, as pol\u00edticas habitacionais, tanto em sua vertente de provis\u00e3o de habita\u00e7\u00e3o de interesse social (Programa Minha Casa, Minha Vida) quanto nos processos de urbaniza\u00e7\u00e3o de favelas, deveriam potencializar a qualidade de vida de seus moradores ao integrar os direitos \u00e0 moradia e \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o por meio das hortas comunit\u00e1rias.<\/p>\n<p><em>*Felipe Jardim \u00e9 doutor em Direito (UERJ) e em Sociologia \u00a0(Friedrich-Schiller University, Alemanha), mestre em Desenvolvimento Urbano \u00a0(UFPE), bacharel em Direito (Unicap) e pesquisador do Observat\u00f3rio da Metr\u00f3poles &#8211; N\u00facleo Recife.<\/em><\/p>\n<p><em>**Este \u00e9 um texto de opini\u00e3o e n\u00e3o necessariamente expressa a linha editorial do Brasil de Fato.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esses bens comuns surgem como uma alternativa para guiar a mudan\u00e7a de valores e pr\u00e1ticas na nossa rela\u00e7\u00e3o com a natureza<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1443,1766,1111,1300,723,389,1096,1799,572,334,1734,1754,777,718,257,476,579,1376,1381,1510,621,409,525,1114,1586,667,1813,1360,1386,385,1493,959,734,414,398,1776,1806,751,345,894,1632,1349,857,858,282,1212,202,265,1154,480,1055,215,289,666,1010,1196,361,852,590,1539,1509,273,702,191,1308,1562,549,1428,362,966,748,268,1801,1115,740,1522,719,584,415,1677,853,881],"class_list":["post-183270","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-abastecimento","tag-aeroporto","tag-agricultura","tag-agricultura-familiar","tag-alimentacao","tag-alimentos","tag-alimentos-saudaveis","tag-auxilio-financeiro","tag-bancos","tag-belo-horizonte","tag-beneficios","tag-biodiversidade","tag-brasil","tag-certificacao","tag-chuvas","tag-conflitos","tag-consumo","tag-covid-19","tag-dados","tag-desenvolvimento","tag-desenvolvimento-sustentavel","tag-direcao","tag-diversidade","tag-educacao","tag-eletricidade","tag-empresas","tag-exterior","tag-fertilizantes","tag-financiamento","tag-genero","tag-governo","tag-governo-federal","tag-habitacao","tag-homens","tag-impactos-ambientais","tag-inovacao","tag-justica","tag-lazer","tag-lei","tag-meio-ambiente","tag-mercado","tag-mercado-imobiliario","tag-minha-casa","tag-minha-vida","tag-morte","tag-mudancas","tag-mudancas-climaticas","tag-mulheres","tag-normas","tag-ocupacao","tag-pandemia","tag-pernambuco","tag-pesquisa","tag-pesquisa-e-inovacao","tag-pobres","tag-presentes","tag-presidios","tag-producao","tag-producao-de-alimentos","tag-produtos","tag-propostas","tag-racismo","tag-receitas","tag-recife","tag-recursos","tag-regras","tag-renda","tag-restaurante","tag-restricoes","tag-reuniao","tag-rio","tag-rio-de-janeiro","tag-saneamento","tag-saude","tag-seguranca-alimentar","tag-subsidios","tag-sustentabilidade","tag-trabalhadores","tag-trabalho","tag-uso","tag-veiculos","tag-visto"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/183270","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=183270"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/183270\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=183270"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=183270"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=183270"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}