{"id":186044,"date":"2024-07-25T11:24:45","date_gmt":"2024-07-25T11:24:45","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=186044"},"modified":"2024-07-25T11:24:45","modified_gmt":"2024-07-25T11:24:45","slug":"mulheres-negras-camponesas-movem-a-terra-constroem-agroecologia-e-reforma-agraria-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=186044","title":{"rendered":"Mulheres Negras Camponesas movem a terra, constroem agroecologia e Reforma Agr\u00e1ria Popular"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>Aprendemos com Angela Davis que \u201cquando uma mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela\u201d e com L\u00e9lia Gonzalez que nosso lema deve ser: organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1. Aprendemos isso em uma sociedade em que as <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/07\/26\/mulheres-negras-enfrentam-camadas-de-desigualdades-no-df-e-entorno-mostra-boletim-do-ipedf\">mulheres negras<\/a> est\u00e3o na base da pir\u00e2mide social, pois s\u00e3o atingidas com os piores \u00edndices de direitos b\u00e1sicos como acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, mercado de trabalho, terra, moradia e sa\u00fade.<\/p>\n<p>Isso porque as intersec\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe estruturam o capitalismo e s\u00e3o elementos centrais para compreender a perman\u00eancia da <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/07\/26\/mulheres-negras-enfrentam-camadas-de-desigualdades-no-df-e-entorno-mostra-boletim-do-ipedf\">viol\u00eancia sist\u00eamica que afeta mulheres negras<\/a> nos diversos espa\u00e7os da vida, na casa, no trabalho, na pol\u00edtica, na economia. Al\u00e9m disso, segue matando a juventude negra, homens negros, encarcerando em masa do povo preto, impondo preconceito, impedindo o acesso e perman\u00eancia a terra e o n\u00e3o reconhecimento da pr\u00e1tica religiosa.\u00a0<\/p>\n<p>Nesse aspecto, \u00e9 importante demarcar os espa\u00e7os de lutas e resist\u00eancia constru\u00eddos pelas nossas ancestrais, trazendo a mem\u00f3ria de Luiza Mahin, Dandara,<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/03\/14\/seis-anos-do-assassinato-de-marielle-franco-por-que-o-caso-ainda-nao-foi-solucionado\"> Mariele Franco<\/a>, e tantas outras que iniciaram no processo da luta. Por elas e por afirmar que enfrentar o racismo e o sexismo vivenciado ainda hoje \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para enfrentar as mazelas da fome, da misoginia, da viol\u00eancia e para pensar uma sociedade menos desigual, baseada em rela\u00e7\u00f5es sociais de igualdade.\u00a0<\/p>\n<p>Na luta pela terra, o racismo e o sexismo se expressa principalmente na propriedade, onde as maiores \u00e1reas s\u00e3o pertencentes a homens brancos, fruto de um processo de coloniza\u00e7\u00e3o excludente baseado na escraviza\u00e7\u00e3o e superexplora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra negra e dos bens da natureza.\u00a0<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a resist\u00eancia a esse modelo tamb\u00e9m \u00e9 protagonizada pelas mulheres negras, desde o Brasil col\u00f4nia e escravista, a resist\u00eancia atual dos povos e comunidades tradicionais, onde as lideran\u00e7as de mulheres negras s\u00e3o centrais para a organiza\u00e7\u00e3o da luta a partir do cotidiano, do cuidado com a natureza e com as pessoas. Expressa tamb\u00e9m na luta pela Reforma Agr\u00e1ria uma vez que as mulheres negras, ao formar a base da pir\u00e2mide social, tamb\u00e9m protagonizam a luta pelo acesso \u00e0 terra, por alimentos saud\u00e1veis e por vida digna que a reforma agr\u00e1ria popular pode possibilitar.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO que impulsiona essa luta \u00e9 a cren\u00e7a na possibilidade de constru\u00e7\u00e3o de um modelo civilizat\u00f3rio humano, fraterno e solid\u00e1rio, tendo como base os valores expressos pela luta antirracista, feminista e ecol\u00f3gica, assumidos pelas mulheres negras de todos os continentes, pertencentes que somos \u00e0 mesma comunidade de destinos. Pela constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade multirracial e pluricultural, onde a diferen\u00e7a seja vivida como equival\u00eancia e n\u00e3o mais como inferioridade.\u201d (CARNEIRO, 2003, p.05)\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido que demarcar a data de 25 de julho como um momento de luta e celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para n\u00f3s do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), pois, nesse dia celebra-se o dia da mulher negra latino-americana e caribenha, que visa denunciar o racismo e o sexismo que impacta a vida das mulheres afrodescentes, mas, tamb\u00e9m para visibilizar os processos de lutas e resist\u00eancia constru\u00edda historicamente e na atualidade.\u00a0<\/p>\n<p>O 25 de julho tem se fortalecido e entrado para o calend\u00e1rio de lutas no Brasil. Essa data \u00e9 fruto de muita luta, resist\u00eancia e organiza\u00e7\u00e3o de mulheres negras da Am\u00e9rica Latina e Caribe que h\u00e1 33 anos, seguindo as li\u00e7\u00f5es de nossas ancestrais, se reuniram no 1\u00ba Encontro de <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/03\/14\/seis-anos-do-assassinato-de-marielle-franco-por-que-o-caso-ainda-nao-foi-solucionado\">Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas <\/a>para a discuss\u00e3o de temas e de estrat\u00e9gias de luta em propor\u00e7\u00f5es transnacionais.\u00a0<\/p>\n<p>No Brasil a data foi reconhecida em 2014, quando tamb\u00e9m se instituiu o Dia de Teresa de Benguela como reconhecimento da hist\u00f3ria da lideran\u00e7a negra que comandou pol\u00edtica e militarmente o Quilombo do Quariter\u00ea, resistindo por mais de 20 anos aos avan\u00e7os das for\u00e7as militares, Benguela inovou nos processos de organiza\u00e7\u00e3o e defesa do quilombo tornando-se uma refer\u00eancia na luta contra a escraviza\u00e7\u00e3o das pessoas negras e ind\u00edgenas. Mas, s\u00e9culos ap\u00f3s a luta de Tereza de Benguela, retrocessos e falta de efetiva\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a redu\u00e7\u00e3o da desigualdade amea\u00e7am, de maneira mais acentuada, a vida de mulheres negras e ind\u00edgenas.\u00a0<\/p>\n<p>Luta e resist\u00eancia se fazem com festa e enfrentamentos. Assim, mulheres negras seguem em marcha nas ruas, nas ocupa\u00e7\u00f5es, enfrentando o latif\u00fandio da terra, do saber, gerando vida e reivindicando que no Brasil n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar em democracia sem repara\u00e7\u00e3o e bem viver. O dia 25 de julho \u00e9 dia de luta, em que as mulheres se juntam para denunciar todo tipo de desigualdade, injusti\u00e7a e viol\u00eancia que vivenciam todos os dias. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m \u00e9 dia de rememorar a luta das mulheres negras latino-americanas e caribenhas por uma sociedade mais justa e solid\u00e1ria.\u00a0<\/p>\n<p>Nesse julho reafirmamos nosso compromisso de seguir a luta iniciada pelas nossas ancestrais, em defesa da vida, da democracia &#8211; Lutaremos! Por nossos corpos e territ\u00f3rios nenhuma a menos. Luta pela transforma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais baseadas na opress\u00e3o e na explora\u00e7\u00e3o e na constru\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es humanas emancipadas. Lutaremos \u2013 por nossos corpos e territ\u00f3rios, nenhuma a menos.\u00a0<\/p>\n<p><em>*Ambas s\u00e3o militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e integram o Setor de G\u00eanero e o Coletivo sobre Quest\u00e3o \u00c9tnico-racial e a Quest\u00e3o Agr\u00e1ria no Movimento.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>25 de julho \u00e9 a data em que se celebra o dia da mulher negra latino-americana e caribenha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[389,1096,777,403,377,531,1114,1005,1358,741,385,414,1187,1632,1147,374,431,384,265,447,273,432,1115,584,415],"class_list":["post-186044","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-alimentos","tag-alimentos-saudaveis","tag-brasil","tag-democracia","tag-dia-da-mulher","tag-economia","tag-educacao","tag-encontro","tag-exploracao","tag-fome","tag-genero","tag-homens","tag-juventude","tag-mercado","tag-mercado-de-trabalho","tag-militares","tag-mst","tag-mulher","tag-mulheres","tag-negros","tag-racismo","tag-reforma-agraria","tag-saude","tag-trabalhadores","tag-trabalho"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/186044","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=186044"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/186044\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=186044"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=186044"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=186044"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}