{"id":187143,"date":"2024-07-25T21:45:18","date_gmt":"2024-07-25T21:45:18","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=187143"},"modified":"2024-07-25T21:45:18","modified_gmt":"2024-07-25T21:45:18","slug":"ha-gente-que-gosta-de-um-pais-em-que-haja-discriminacao-afirma-educadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=187143","title":{"rendered":"&#8216;H\u00e1 gente que gosta de um pa\u00eds\u00a0em que haja discrimina\u00e7\u00e3o&#8217;, afirma educadora"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>Primeira <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/07\/23\/julho-unificado-das-pretas-acontece-nesta-quinta-feira-25-na-sede-da-fetrafi\">mulher negra<\/a>\u00a0a integrar o Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE), em 2002, Petronilha Beatriz Gon\u00e7alves e Silva nasceu no dia 29 de junho de 1942, na Col\u00f4nia Africana, em Porto Alegre. A regi\u00e3o, que hoje se chama bairro Rio Branco e abriga casas de alto custo, em tempos passados serviu de abrigo e moradia para os libertos da escravatura.<br \/>\n\u00a0\u00a0<br \/>\nFilha \u00fanica da professora Regina e do pedreiro Jo\u00e3o Ant\u00f4nio, que morreu quando ela ainda era crian\u00e7a, cresceu na rua Esperan\u00e7a, atual Miguel Tostes.\u00a0<\/p>\n<p>Graduada em L\u00edngua e Literatura Portuguesa e Francesa, mestra e doutora em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tamb\u00e9m integrou a equipe que formulou o segundo plano estadual de educa\u00e7\u00e3o do estado. Foi ainda relatora das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o das Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais e para o Ensino da Hist\u00f3ria Afro-Brasileira e Africana, em 2004.<\/p>\n<p>Durante muitos anos, Petronilha e a fam\u00edlia moravam em um chal\u00e9 de madeira comprado pelo bisav\u00f4 e que somente deixou de ser usado como moradia em 1994. Hoje, serve de escrit\u00f3rio para a professora. Foi nesse espa\u00e7o, cheio de fotos, esculturas, livros e recorda\u00e7\u00e3o, que ela recebeu <strong>Brasil de Fato RS<\/strong>.<\/p>\n<p>Uma conversa que reproduzimos neste 25 de julho, data que, h\u00e1 10 anos, celebra o Dia Nacional de Tereza de Benguela e o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. Com olhar, sorriso acolhedor e uma fala c\u00e1lida, ela conta um pouco de sua hist\u00f3ria.\u00a0<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/921c6369a7a2805e295f9553d938b6f9.webp\"><br \/>\nEscultura feita por Petronilha \/ Foto: Rafa Dotti<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato RS: Quem \u00e9 Petronilha\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Petronilha Gon\u00e7alves e Silva:\u00a0<\/strong>Sou uma mulher negra, nascida em Porto Alegre, no bairro Rio Branco, conhecido, na \u00e9poca, como Col\u00f4nia Africana. Ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o, antigos escravizados compraram terrenos aqui, entre eles meus bisav\u00f3s paternos.<\/p>\n<p>Nasci e me criei aqui, estudei no grupo escolar Uruguai, naquela casa que fica bem na frente da rua Dona Laura.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, criaram o Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o da UFRGS. No in\u00edcio do ano chamaram alguns pais e, entre eles, minha m\u00e3e Regina. T\u00ednhamos todos entre 11 e 12 anos, tanto as meninas do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Flores da Cunha, ent\u00e3o, a escola estadual exclusiva para meninas mais prestigiada de Porto Alegre, e os meninos do Julinho, o col\u00e9gio J\u00falio de Castilhos.\u00a0<\/p>\n<p>Estavam ainda organizando o Col\u00e9gio de Aplica\u00e7\u00e3o, onde os estudantes de gradua\u00e7\u00e3o iam fazer seus est\u00e1gios.\u00a0<\/p>\n<p>A minha m\u00e3e disse &#8220;\u00c9 um col\u00e9gio novo. N\u00e3o sabemos como vai ser. O Instituto de Educa\u00e7\u00e3o n\u00f3s sabemos que \u00e9 muito bom&#8230;&#8221; Eu j\u00e1 sabia o seguinte: eu seria professora, porque mo\u00e7a pobre primeiro tinha que ser professora, depois podia ser o que quisesse. Era o que minha m\u00e3e dizia.<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e deixou que eu decidisse e decidi ir para o col\u00e9gio novo. Sou da primeira turma. Me licenciei em L\u00edngua e Literatura Portuguesa e Francesa em 1964.<\/p>\n<p>Comecei a dar aulas aos 21 anos na escola Ant\u00e3o de Faria que, naquele tempo, ainda n\u00e3o era estadual, como \u00e9 hoje. Fazia parte de uma campanha nacional de educand\u00e1rios gratuitos em comunidades carentes.\u00a0<\/p>\n<p>As coisas foram lentas, foram piorando. No primeiro ano, ainda n\u00e3o eram t\u00e3o terr\u00edveis. Tinha uma transi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o dava para perceber bem onde as coisas chegariam.\u00a0<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1970, ganhei uma bolsa para o Instituto Internacional de Planejamento da Educa\u00e7\u00e3o, da Unesco, um curso para professores de pa\u00edses em desenvolvimento. Tinha colegas de pa\u00edses da \u00c1frica, da \u00c1sia e de vizinhos como Peru, Venezuela e Col\u00f4mbia, al\u00e9m de europeus de Portugal e da Bulg\u00e1ria.\u00a0<\/p>\n<p>Em 1989, fui aprovada em concurso para professora do Departamento de Metodologia do Ensino da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFScar), em S\u00e3o Paulo. Fiquei l\u00e1 at\u00e9 me aposentar em 2012.\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apoia.se\/brasildefators_enchentes\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.brasildefato.com.br\/assets\/7f79d3d45758c62a8dbbe78cfa5148e4.gif\"><\/a><\/p>\n<p><strong>Em 2023, completaram-se 20 anos da homologa\u00e7\u00e3o da Lei 10.639\/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira. Como a senhora avalia o ensino de hist\u00f3ria a partir do processo instaurado em 2003? Que transforma\u00e7\u00f5es trouxe para educa\u00e7\u00e3o como um todo?<\/strong><\/p>\n<p>Houve avan\u00e7os. Talvez n\u00e3o tanto quanto a gente tivesse gostado que tivesse.\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1 gente que gosta de um pa\u00eds em que haja discrimina\u00e7\u00e3o. Deve ser gosto porque, para permanecer tanto tempo [pensando assim], mesmo sabendo que isso \u00e9 ruim para a sociedade. Mas h\u00e1 avan\u00e7os. As pessoas s\u00e3o mais cuidadosas, mais atenciosas. Algumas n\u00e3o. V\u00e3o continuar sendo, porque \u00e9 uma escolha que fazem para a sociedade e para elas mesmas. Para se sentirem valorizadas, t\u00eam que desvalorizar outras pessoas.<\/p>\n<p>Talvez por uma quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, quando vejo algu\u00e9m que me olha com uma cara assim &#8220;Ah, o que \u00e9 que est\u00e1 fazendo aqui?&#8221;, olho e sorrio para a pessoa. Como dizendo: &#8220;Est\u00e1 pensando o qu\u00ea?&#8221; Muitas vezes a pessoa fica desconfort\u00e1vel.<\/p>\n<p>Tem mudado consideravelmente mas n\u00e3o chegou no ponto em que as pessoas respeitam as diferen\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Como avalia a evolu\u00e7\u00e3o do Movimento Negro no Rio Grande do Sul?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Com os anos foi aumentando. Cada nova gera\u00e7\u00e3o traz a sua contribui\u00e7\u00e3o, tem o seu papel. Hoje existem pessoas que n\u00e3o s\u00e3o afrodescendentes, que n\u00e3o s\u00e3o negras, que n\u00e3o t\u00eam pele negra, e que fazem parte da luta antirracista, porque \u00e9 uma luta da sociedade.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O que acha quando apontam o Rio Grande do Sul como o estado mais racista do pa\u00eds?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Acho que medir o racismo, como outras discrimina\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma coisa negativa, n\u00e3o \u00e9 bom para ningu\u00e9m, nem individualmente, nem mesmo para a sociedade.<\/p>\n<p>Talvez seja considerado mais racista porque boa parte da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de origem europeia. \u00c9 um dos estados em que a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 minorit\u00e1ria. N\u00e3o sei dizer se \u00e9 o mais racista. Mas \u00e9 racista. Quanto a isso, n\u00e3o resta d\u00favida.<\/p>\n<p>E o racismo, como todo tipo de discrimina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o reconhecimento da humanidade das outras pessoas, \u00e9 muito ruim para todo o mundo.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 para o que sofre os efeitos do racismo, como para aquele que produz o racismo. E essa produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 no gesto, no olhar, da pessoa. Quando as pessoas te olham e com o olhar tentam te desqualificar.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/94c455d066f64d28142671c9037bf463.webp\"><br \/>\nAntiga casa dos bisav\u00f3s guardam in\u00fameras recorda\u00e7\u00f5es \/ Foto: Rafa Dotti<\/p>\n<p><strong>A educa\u00e7\u00e3o \u00e9tnico-racial pode ajudar a combater o racismo?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que sim. Mas n\u00e3o pode ser papel s\u00f3 da escola. Ela come\u00e7a muito antes, nas fam\u00edlias, com os irm\u00e3os, os vizinhos, no conv\u00edvio que a pessoa tiver, nas associa\u00e7\u00f5es. Na forma de olhar, porque isso est\u00e1 na forma at\u00e9 de olhar para as pessoas.<\/p>\n<p><strong>Dia 25 de julho ficou definido como Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha. No Brasil, tamb\u00e9m ficou determinado como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Que significado essa data tem?<\/strong><\/p>\n<p>O fato de ter uma data n\u00e3o quer dizer que seja s\u00f3 aquela data.<\/p>\n<p>Aquela data \u00e9 para fazer lembrar, tomar posi\u00e7\u00e3o, celebrar. Entretanto, algumas pessoas acham que elas, ou o seu grupo \u00e9tnico-racial, porque s\u00e3o distintos grupos sociais. Nenhum \u00e9 mais valioso que o outro, s\u00e3o diferentes.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais \u00e9 cultivar o conv\u00edvio entre os diferentes para construir o que \u00e9 comum, que \u00e9 a na\u00e7\u00e3o brasileira, que \u00e9 a sociedade. A sociedade ga\u00facha \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o de todos que est\u00e3o aqui, embora alguns se achem mais importantes, mais bonitos, mais inteligentes.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n\u00c9 um dia importante no sentido de celebrar a descend\u00eancia e de mostrar o papel das mulheres, dos homens, das crian\u00e7as negras, na constru\u00e7\u00e3o dessa sociedade.<\/p>\n<p><strong>Como descreve a realidade das mulheres negras no pa\u00eds, em especial do Rio Grande do Sul?<\/strong><\/p>\n<p>Algumas pessoas t\u00eam um sentimento de superioridade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras. \u00c9 um sentimento que prejudica a conviv\u00eancia e a constru\u00e7\u00e3o da sociedade. N\u00f3s somos distintos. A gra\u00e7a e a dificuldade \u00e9 justamente cada pessoa ser diferente da outra mas com capacidade de conviver com as diferen\u00e7as.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Estamos em um per\u00edodo eleitoral e \u00e9 inevit\u00e1vel falarmos da bancada negra tanto na C\u00e2mara de Vereadores de Porto Alegre quanto na Assembleia Legislativa&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Tardia, mas chegou. Isso n\u00e3o \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o individual, tem a ver com o grupo social, com o grupo \u00e9tnico-racial, com o grupo homens e mulheres, as distintas maneiras de ser pessoa, de respeito e acolhimento.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/0259c121885d2bdfc3e29676bf88fbcc.webp\"><br \/>\nFoto: Rafa Dotti<\/p>\n<p><strong>Durante a nossa conversa, uma palavra que marcou foi &#8216;acolhimento&#8217;&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>O acolhimento se passa desde o olhar. N\u00e3o precisa falar. Tu olhas para uma pessoa e est\u00e1 dizendo &#8220;Eu estou te vendo&#8221;.<\/p>\n<p>Tem um cumprimento dos hindus, o oi. O oi, se a gente fosse traduzir, seria o seguinte: &#8220;Eu estou te vendo&#8221;. E a resposta da outra pessoa \u00e9: &#8220;Sim, eu estou aqui&#8221;.\u00a0Quer dizer, \u00e9 o reconhecimento da presen\u00e7a do outro.<\/p>\n<p><strong>Quase 200 anos depois do fat\u00eddico Massacre dos Porongos, os Lanceiros Negros foram, finalmente, inscritos no Livro dos Her\u00f3is e Hero\u00ednas da P\u00e1tria. Que figuras negras da hist\u00f3ria ga\u00facha e brasileira foram esquecidas e merecem um resgate?<\/strong><\/p>\n<p>In\u00fameras, dependendo da regi\u00e3o em que a gente estiver, da cidade, do lugar onde a gente mora. Aqui, por exemplo, n\u00f3s somos uma col\u00f4nia africana. Este bairro foi durante muitos anos conhecido assim. E mesmo as pessoas n\u00e3o negras que moravam aqui se referiam como &#8220;A Col\u00f4nia&#8221;.<\/p>\n<p>Lembro em que a \u00faltima vez que algu\u00e9m se referiu ao bairro como &#8220;A Col\u00f4nia&#8221;, eu estava na fila do elevador. Chegou um senhor e falou pra mim &#8220;Tu \u00e9s da Col\u00f4nia&#8221;. Confirmei. S\u00f3 n\u00e3o sei se ele me reconheceu ou se ele reconheceu em mim a minha m\u00e3e. Sou muito parecida com ela. Foi a \u00faltima vez que algu\u00e9m n\u00e3o negro se referiu ao bairro como &#8220;A Col\u00f4nia&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>Hoje, que eu saiba, somos tr\u00eas fam\u00edlias que se mant\u00e9m no bairro.\u00a0<\/p>\n<p><strong>BdFRS &#8211; Mensagem final?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0Um recado que a gente repete: A luta continua!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia Nacional de Tereza de Benguela, o Brasil de Fato RS conversa com a primeira professora negra a compor o CNE<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1858,777,1176,995,259,940,1464,1510,377,387,1114,961,1748,414,1331,1513,345,384,265,447,1431,852,273,748,790,1214,136],"class_list":["post-187143","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-asia","tag-brasil","tag-casas","tag-colombia","tag-cultura","tag-curso","tag-custo","tag-desenvolvimento","tag-dia-da-mulher","tag-dia-internacional-da-mulher","tag-educacao","tag-estados","tag-familias","tag-homens","tag-ir","tag-junho","tag-lei","tag-mulher","tag-mulheres","tag-negros","tag-porto-alegre","tag-producao","tag-racismo","tag-rio","tag-rio-grande-do-sul","tag-rs","tag-sao-paulo"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/187143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=187143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/187143\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=187143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=187143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=187143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}