{"id":190329,"date":"2024-07-27T22:40:55","date_gmt":"2024-07-27T22:40:55","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=190329"},"modified":"2024-07-27T22:40:55","modified_gmt":"2024-07-27T22:40:55","slug":"reflexo-da-enchente-brasil-da-passos-lentos-no-cumprimento-da-politica-nacional-de-residuos-solidos-diz-especialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=190329","title":{"rendered":"Reflexo da enchente: Brasil d\u00e1 passos lentos no cumprimento da Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos, diz especialista\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>Contamina\u00e7\u00e3o de solo, \u00e1gua, fauna e flora pela disposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos perigosos como \u00f3leos, eletroeletr\u00f4nicos, produtos qu\u00edmicos entre outros. Devido \u00e0 decomposi\u00e7\u00e3o, ventos carregando gases t\u00f3xicos. Esses s\u00e3o alguns dos impactos ao meio ambiente causados pela alta quantidade de res\u00edduos das <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/topicos\/enchentes-no-rs\">enchentes <\/a>que atingiram o Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Ainda em meio ao maior desastre socioambiental do RS, um <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/iph\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Mapa-Residuos_traduzido-2.pdf\">levantamento preliminar<\/a> conduzido por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas (IPH), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com a empresa Mox Debris e volunt\u00e1rios, apontou que o volume de entulho gerado no estado poderia chegar a 46,7 milh\u00f5es de toneladas. \u00a0<\/p>\n<p>De acordo com o estudo divulgado em maio deste ano, foram atingidas cerca de 400 mil constru\u00e7\u00f5es em \u00e1reas urbanas, inundadas parcial ou totalmente no estado. O estudo do IPH focou somente nos res\u00edduos de constru\u00e7\u00e3o civil, uma vez que o impacto nessas estruturas gera um volume de entulho muito mais expressivo.\u00a0<\/p>\n<p>Quando as \u00e1guas baixaram, e gradativamente as pessoas foram retornando a suas resid\u00eancias, iniciando o processo de limpeza, a situa\u00e7\u00e3o se tornou ainda mais grave. Aquilo que era \u00fatil, que tinha significado, tornou-se res\u00edduo. Sof\u00e1s, livros, m\u00f3veis, eletrodom\u00e9stico e brinquedos perderam-se em meio \u00e0 lama.\u00a0<\/p>\n<p>Em Porto Alegre, por exemplo, foram recolhidos at\u00e9 o momento cerca de 95 mil toneladas. J\u00e1 na cidade de S\u00e3o Leopoldo, na regi\u00e3o Metropolitana, mais de 330 mil toneladas. A realidade trouxe um novo desafio para a quest\u00e3o da limpeza urbana das cidades, que por semanas conviveu com ruas tomadas por res\u00edduos, mal cheiro e lama.\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apoia.se\/brasildefators_enchentes\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.brasildefato.com.br\/assets\/7f79d3d45758c62a8dbbe78cfa5148e4.gif\"><\/a><\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Processo de recolhimento<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da doutora em Engenharia Civil, especialista em Economia Circular e pesquisadora do NucMat Unisinos, Joice Pinho Maciel, o ritmo da coleta dos res\u00edduos comprova o despreparo e a aus\u00eancia de plano de conting\u00eancia para esse tipo de situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia.\u00a0<\/p>\n<p>Joice, que tamb\u00e9m \u00e9 s\u00f3cia-fundadora da Apoena Socioambiental e Awty Guardi\u00e3o dos Rios, cita como exemplo o caso da capital ga\u00facha. \u201cPorto Alegre j\u00e1 enfrentava um grande desafio para a coleta de res\u00edduos extra domiciliares (res\u00edduos volumosos e cali\u00e7as, etc). Al\u00e9m de n\u00e3o investir no programa municipal de coleta seletiva com a inclus\u00e3o de catadores, em que grande parte das unidade de triagem j\u00e1 estavam sucateadas na ocasi\u00e3o da enchente\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Civil da Unisinos e membro da Alian\u00e7a Res\u00edduo Zero Brasil (ARZB), Carlos Alberto Mendes Moraes corrobora com Joice no que tange \u00e0 celeridade do recolhimento dos dejetos. \u201cO ritmo n\u00e3o \u00e9 nada adequado, pois os munic\u00edpios n\u00e3o estavam preparados para caso de calamidade. Assim, n\u00e3o foram nada \u00e1geis para montar procedimento, para agilizar este processo, tem muito bairros sofrendo com o cheiro de material em decomposi\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Para agilizar a limpeza das vias urbanas dos munic\u00edpios da regi\u00e3o Metropolitana foram criados aterros tempor\u00e1rios, conhecidos como bota-espera. Em S\u00e3o Leopoldo o destino final dos res\u00edduos \u00e9 o Aterro Ambiental LTDA, localizado em Gravata\u00ed. Em Porto Alegre o destino final \u00e9 a Unidade de Valoriza\u00e7\u00e3o de Res\u00edduos da constru\u00e7\u00e3o Civil S\u00e3o Judas Tadeu LTDA, tamb\u00e9m em Gravata\u00ed. Contudo o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio Grande do Sul (MP-RS) suspendeu a licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o concedida ao local que atenderia outros munic\u00edpios da regi\u00e3o, como Canoas.\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com a decis\u00e3o, <a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2024\/07\/justica-mantem-suspensao-do-aterro-de-gravatai-que-recebe-residuos-das-enchentes\/\">a empresa n\u00e3o comprovou ter cumprido os requisitos exigidos <\/a>pela municipalidade no exerc\u00edcio do seu leg\u00edtimo poder de pol\u00edcia ambiental. \u201cComo se sabe, em mat\u00e9ria ambiental, vige o princ\u00edpio da preven\u00e7\u00e3o, visto que, ocorrido o dano ambiental, quase sempre as consequ\u00eancias s\u00e3o irrevers\u00edveis, afetando a presente e futuras gera\u00e7\u00f5es, especialmente em um empreendimento de grande porte como um aterro sanit\u00e1rio.\u201d A empresa chegou a recorrer da decis\u00e3o, mas o fechamento foi mantido pela Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Em reuni\u00e3o realizada nesta quinta-feira (25) entre as prefeituras da regi\u00e3o Metropolitana e o Minist\u00e9rio P\u00fablico (MP), definiu-se que um novo aterro sanit\u00e1rio ser\u00e1 escolhido para receber os res\u00edduos p\u00f3s-enchente. Na reuni\u00e3o, a Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Fepam) se comprometeu a encaminhar aos munic\u00edpios uma lista com aterros sanit\u00e1rios licenciados como destino final. Somente estes locais poder\u00e3o se habilitar.<\/p>\n<p>De acordo com reportagem do GZH, o Cons\u00f3rcio de Munic\u00edpios da Regi\u00e3o Metropolitana vai abrir, na pr\u00f3xima segunda-feira (29), edital \u00fanico para credenciamento de aterros sanit\u00e1rios aptos a receber entulhos da enchente. O valor m\u00e1ximo ser\u00e1 de R$ 109 por tonelada de res\u00edduo destinado.<\/p>\n<p>O Cons\u00f3rcio estima em 700 mil toneladas o volume de lixo a ser destinado em toda regi\u00e3o, com 300 mil somente em Canoas. O valor projetado \u00e9 de R$ 80 milh\u00f5es, com custeio proporcional por munic\u00edpio.\u00a0<\/p>\n<p>Enquanto o impasse n\u00e3o se resolve, os res\u00edduos permanecer\u00e3o nos bota-esperas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Porto Alegre\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/gp\/noticias\/prefeitura-ja-investiu-mais-de-r-100-milhoes-no-recolhimento-de-927-mil-toneladas-de\">at\u00e9 o in\u00edcio do m\u00eas de julho<\/a> j\u00e1 foram investidos ao menos R$ 100 milh\u00f5es na for\u00e7a-tarefa da limpeza p\u00f3s-enchente na cidade. O servi\u00e7o contou com 1,5 mil garis e a utiliza\u00e7\u00e3o de 621 equipamentos, como caminh\u00f5es de hidrojato do Departamento Municipal de \u00c1gua e Esgotos (Dmae), ve\u00edculos da frota do DMLU, entre outros.<\/p>\n<p>Em conversa com o <strong>Brasil de Fato RS<\/strong>, o diretor-Geral do DMLU, Carlos Hundertmarker, destacou que as 21 \u00e1reas que foram alagadas na Capital j\u00e1 est\u00e3o com o processo de retirada dos res\u00edduos completamente conclu\u00edda.\u00a0<\/p>\n<p>Durante o processo de limpeza, foram feitas a retirada de entulhos dos espa\u00e7os p\u00fablicos, raspagem do lodo da enchente, varri\u00e7\u00e3o de vias e limpezas de bocas-de-lobo, ruas e cal\u00e7adas. \u201cN\u00f3s j\u00e1 estamos na terceira fase do nosso processo de limpeza e reconstru\u00e7\u00e3o. Dia 9 de julho, n\u00f3s atualizamos o nosso <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/smtc\/noticias\/saiba-como-consultar-status-de-beneficio-pelo-whatsapp-do-156#:~:text=Cidad%C3%A3os%20atingidos%20pela%20enchente%20em,Benef%C3%ADcios%20(s)%20Cidad%C3%A3o%E2%80%9D.\">156 (WhatsApp)<\/a>, que \u00e9 um canal de contato do cidad\u00e3o com a prefeitura, colocando uma nova aba chamada de Enchente Porto Alegre. Ali o cidad\u00e3o tem a possibilidade de selecionar a limpeza p\u00f3s-enchente, o DMLU recebe automaticamente, as nossas equipes j\u00e1 v\u00e3o l\u00e1 e j\u00e1 fazem an\u00e1lise e recolhimento desses res\u00edduos.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o diretor, j\u00e1 foram recolhidos aproximadamente 95 mil toneladas de res\u00edduos do p\u00f3s-enchente. \u201c\u00c9 importante destacar que dentro dessa opera\u00e7\u00e3o n\u00f3s tivemos que fazer alguns bota-espera, que s\u00e3o \u00e1reas provis\u00f3rias para poder receber esses res\u00edduos que n\u00f3s recolhemos de dentro dos bairros.\u201d<\/p>\n<p>Para garantir o dep\u00f3sito adequado de altas quantidades de res\u00edduos, a prefeitura contratou nove espa\u00e7os provis\u00f3rios. At\u00e9 esta ter\u00e7a-feira (23) um estava totalmente fechado. Outro pr\u00f3ximo \u00e0 Receita Federal, na regi\u00e3o central, estava em via de fechamento. Outros dois localizados na Avenida Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria est\u00e3o sendo limpo, cada um com aproximadamente 6,5 mil toneladas. O aterro localizado na Loureiro da Silva est\u00e1 80% limpo. O aterro localizado no Samb\u00f3dromo est\u00e1 aproximadamente 60% limpo. Apenas o aterro localizado na Severo Dullius, no bairro Sarandi, Zona Norte, segue recebendo res\u00edduos de moradores e comerciantes.\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com Hundertmarker, a coleta automatizada e a domiciliar continuam normalmente e t\u00eam como destina\u00e7\u00e3o o aterro de Minas do Le\u00e3o. J\u00e1 os res\u00edduos das enchentes (materiais inertes), seriam destinados ao aterro em Gravata\u00ed. Antes da decis\u00e3o do MP, o munic\u00edpio j\u00e1 havia enviado 45 mil toneladas. O contrato com o aterro foi <a href=\"https:\/\/prefeitura.poa.br\/dmlu\/noticias\/dmlu-contrata-aterro-de-inertes-para-disposicao-de-residuos-pos-enchente\">assinado no dia 21 de maio no valor de R$ 19,710 milh\u00f5es<\/a>, por seis meses. O aterro teria capacidade para descartar de 77 mil a 180 mil toneladas.<\/p>\n<p>Segundo pontua o diretor, o aterro de Gravata\u00ed foi amplamente discutido e analisado pela equipe t\u00e9cnica de engenheiros do DMLU. E tem a libera\u00e7\u00e3o tanto da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS (Sema) quanto da Fepam. \u201cA nossa equipe pesquisou, estudou, visitou diversos aterros aqui do estado do Grande do Sul e at\u00e9 mesmo fora do estado. A nossa preocupa\u00e7\u00e3o com a destina\u00e7\u00e3o correta, focada na quest\u00e3o ambiental, foi que pesou muito. O ranking foi preocupa\u00e7\u00e3o ambiental, depois o valor (R$ 109,00 a tonelada) e depois pela proximidade.\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s n\u00e3o podemos, de maneira alguma, perder a consci\u00eancia ambiental que n\u00f3s t\u00ednhamos\u00a0antes dessa enchente. Porto Alegre \u00e9 ainda refer\u00eancia nacional em segrega\u00e7\u00e3o de res\u00edduos. Somos muito superiores \u00e0 m\u00e9dia nacional, que \u00e9 de 2,5% Temos muito ainda que desenvolver essa consci\u00eancia ambiental, dentro das nossas casas fazer essa destina\u00e7\u00e3o correta. N\u00f3s temos hoje, investindo mais R$ 500 milh\u00f5es no ano em coleta de res\u00edduos\u201d, pontua do diretor.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">S\u00e3o Leopoldo\u00a0<\/p>\n<p>O munic\u00edpio de S\u00e3o Leopoldo j\u00e1 recolheu cerca de 330 mil toneladas, por uma for\u00e7a-tarefa em 26 setores no qual foi dividido. Foi a primeira cidade a concluir a primeira etapa de recolhimento dos res\u00edduos extradomiciliares.<\/p>\n<p>De acordo com a Superintend\u00eancia de Comunica\u00e7\u00e3o da Prefeitura de S\u00e3o Leopoldo, as equipes ainda trabalham no \u201crescaldo\u201d, ou seja, aqueles res\u00edduos que ficaram em bairros, depois da remo\u00e7\u00e3o do grosso e foram colocados pelos moradores quando da equipe ter removido na primeira passagem. Agora, as equipes iniciaram a limpeza das ruas e avenidas com o hidrojateamento e varri\u00e7\u00e3o nos bairros mais atingidos nas regi\u00f5es Nordeste, Norte, Oeste, Leste e Centro. Devido as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a limpeza dos pontos transit\u00f3rios se estender\u00e1 at\u00e9 o in\u00edcio de agosto.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/0224614fc5d5ced0a6e54ea38c19edd2.webp\"><br \/>\nFoto: Fabiana Reinholz<\/p>\n<p>As equipes que atuaram durante 54 dias no trabalho de recolhimento dos res\u00edduos foram compostas por servidores e m\u00e1quinas da Secretaria de Mobilidade e Servi\u00e7os Urbanos (Semurb), Secretaria de Obras e Via\u00e7\u00e3o (Semov) e Servi\u00e7o Municipal de \u00c1gua e Esgotos (Semae). Tamb\u00e9m houve a contrata\u00e7\u00e3o de empresas terceirizadas e de prefeituras de munic\u00edpios vizinhos que enviaram por alguns dias suas equipes para auxiliar neste trabalho. Em solidariedade aos munic\u00edpios de Canoas e Porto Alegre, assim que foram vencidas etapas de remo\u00e7\u00e3o destes res\u00edduos e consequente diminui\u00e7\u00e3o do volume, foram cedidas a esses munic\u00edpios.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao investimento a estimativa inicial era de cerca de R$ 50 milh\u00f5es para o recolhimento de at\u00e9 200 mil toneladas. \u201cComo o trabalho n\u00e3o encerrou totalmente, n\u00e3o temos como afirmar o valor total no momento. Foram mil trabalhadores e 300 m\u00e1quinas utilizadas no recolhimento dos res\u00edduos.\u201d<\/p>\n<p>Se a popula\u00e7\u00e3o tiver solicita\u00e7\u00f5es de recolhimento pode passar por mensagem via WhatsApp (51) 9 9337-6656 que ser\u00e1 inclu\u00eddo na programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">\u00c9 preciso gerenciar os res\u00edduos produzidos pela sociedade\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO plano de gest\u00e3o integrada de res\u00edduos atual n\u00e3o inclui a\u00e7\u00f5es de conting\u00eancia para situa\u00e7\u00f5es como essas, e a prefeitura e n\u00e3o estavam preparada para fazer a gest\u00e3o e destina\u00e7\u00e3o desses res\u00edduos, e nem a popula\u00e7\u00e3o preparada para destinar os res\u00edduos por falta de orienta\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o publica\u201d, afirma Joice.\u00a0<\/p>\n<p>Conforme pontua a Sema, o estado vem, desde o in\u00edcio das enchentes, orientando os munic\u00edpios sobre a destina\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos. A pasta, em conjunto com a Fepam e o MPRS, chegou a lan\u00e7ar uma<a href=\"https:\/\/www.fepam.rs.gov.br\/sema-fepam-e-mprs-lancam-cartilha-com-orientacoes-gerais-sobre-destinacao-de-residuos-da-enchente\"> cartilha informativa<\/a> com orienta\u00e7\u00f5es gerais sobre a destina\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos gerados pelo desastre.<\/p>\n<p>De acordo com Joice, os aterros s\u00e3o planejados para receber um volume de res\u00edduos di\u00e1rios durante um certo per\u00edodo, baseado num estudo de produ\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da popula\u00e7\u00e3o. Contudo a enchente produziu um volume muito maior do que foi planejado, e isso implicou no recebimento e acondicionamento maior nesses espa\u00e7os, reduzindo o tempo de uso desses aterros.\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com o professor Carlos Moraes, se o entulho est\u00e1 misturado \u00e0 lama, moveis, org\u00e2nicos e outros res\u00edduos de casa, acaba n\u00e3o tendo alternativa ao aterro sanit\u00e1rio, pois est\u00e1 muito misturado.\u00a0\u201cO erro est\u00e1 antes na verdade, terem indicado para as pessoas simplesmente jogarem tudo fora. Claro para as pessoas \u00e9 bem complicado tamb\u00e9m pela situa\u00e7\u00e3o de fragilidade ver n\u00e3o sobrar nada dentro de casa. Uma op\u00e7\u00e3o nos casos de menor heterogeneidade seria buscar separar atrav\u00e9s de sistema de peneiramento, em alguns lugares est\u00e3o fazendo isso. Assim ao sobrar apenas m\u00f3veis com terra, obedecendo \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o ambiental, foi permitido fazer uma blindagem deste material depois de triturado para ser utilizado em fornos de cimento ou clinquer, como combust\u00edvel\u201d, explica.<\/p>\n<p>Conforme exp\u00f5e Joice, para cada res\u00edduo \u00e9 poss\u00edvel um tratamento espec\u00edfico.\u00a0M\u00f3veis de madeira: secagem, tritura\u00e7\u00e3o para reduzir volume e ap\u00f3s uma caracteriza\u00e7\u00e3o do res\u00edduo, aplicar no solo ou mesmo produzir briquetes de madeira para combust\u00edveis.\u00a0Eletroeletr\u00f4nicos: ap\u00f3s secagem e higieniza\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as e metais para a reciclagem. Utens\u00edlios, ferramentas e tecidos, ap\u00f3s higienizar, reutiliza\u00e7\u00e3o ou encaminhamento para reciclagem.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (PNRS)<\/p>\n<p>Para Moraes, o desastre clim\u00e1tico mostra que os munic\u00edpios e as pessoas n\u00e3o sabem gerenciar os res\u00edduos gerados pela sociedade. \u201cA lei traz bem explicado os cuidados, os tipo de res\u00edduos, por que n\u00e3o se deve misturar res\u00edduos, contamina\u00e7\u00e3o do solo, agua e ar\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Joice, o Brasil j\u00e1 vem a passos lentos no atendimento da PNRS.\u00a0\u201cO Planares (Plano Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos) rec\u00e9m trouxe metas para atendimentos a n\u00edvel nacional, mas estamos distantes de atender de forma adequada a esta pol\u00edtica.\u00a0Ap\u00f3s esse evento extremo no Rio Grande do Sul, o Planares deveria trazer um cap\u00edtulo sobre a gest\u00e3o de res\u00edduos em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancias clim\u00e1ticas para orientar e preparar as cidades para situa\u00e7\u00f5es futuras\u201d, conclui.<\/p>\n<p><em>*Com informa\u00e7\u00f5es do GZH e Sul 21.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de 400 mil constru\u00e7\u00f5es em \u00e1reas urbanas foram inundadas parcial ou totalmente no RS<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1255,777,1453,1765,1176,1209,1364,1229,1346,1197,1615,531,1470,710,667,1205,1099,1466,255,1375,1806,1051,309,345,410,1267,894,1296,709,1100,364,303,1431,852,1539,1699,1640,1560,538,1177,1760,901,966,748,790,1214,605,1578,441,584,415,1677,853,881],"class_list":["post-190329","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-acoes","tag-brasil","tag-caminhoes","tag-canoas","tag-casas","tag-combustiveis","tag-combustivel","tag-comunicacao","tag-construcao-civil","tag-cuidados","tag-deposito","tag-economia","tag-edital","tag-emergencia","tag-empresas","tag-enchentes","tag-estudo","tag-frota","tag-geral","tag-investimento","tag-justica","tag-leao","tag-legislacao","tag-lei","tag-levantamento","tag-maio","tag-meio-ambiente","tag-mp","tag-municipios","tag-pesquisadores","tag-poder-de-policia","tag-policia","tag-porto-alegre","tag-producao","tag-produtos","tag-professor","tag-programacao","tag-receita","tag-receita-federal","tag-reconstrucao","tag-residuos-solidos","tag-retirada","tag-reuniao","tag-rio","tag-rio-grande-do-sul","tag-rs","tag-servicos","tag-servidores","tag-situacao-de-emergencia","tag-trabalhadores","tag-trabalho","tag-uso","tag-veiculos","tag-visto"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/190329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=190329"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/190329\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=190329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=190329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=190329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}