{"id":213731,"date":"2024-08-13T15:36:55","date_gmt":"2024-08-13T15:36:55","guid":{"rendered":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=213731"},"modified":"2024-08-13T15:36:55","modified_gmt":"2024-08-13T15:36:55","slug":"negacionismo-tem-perdido-forcas-com-eventos-climaticos-extremos-diz-carlos-nobre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=213731","title":{"rendered":"&#8216;Negacionismo tem perdido for\u00e7as com eventos clim\u00e1ticos extremos&#8217;, diz Carlos Nobre"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/08\/08\/o-tema-da-emergencia-climatica-e-o-grande-desafio-para-toda-a-humanidade-afirma-carlos-nobre\">cientista Carlos Nobre<\/a> tem m\u00e1s not\u00edcias para o futuro da humanidade. Se n\u00e3o iniciarmos, de imediato, uma redu\u00e7\u00e3o na libera\u00e7\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera e, ao contr\u00e1rio, as emiss\u00f5es continuarem aumentando, o mundo se tornar\u00e1 inabit\u00e1vel, com os velhos, os beb\u00eas e as crian\u00e7as pequenas morrendo primeiro. Nobre fala de c\u00e1tedra. Foi um dos criadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden.\u00a0<br \/>\n\u00a0 \u00a0\u00a0<br \/>\nNa condi\u00e7\u00e3o de pesquisador do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), foi um dos premiados com o Nobel, ao lado do ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore. Desde 1990, participou da elabora\u00e7\u00e3o de quatro relat\u00f3rios do IPCC, sempre alertando sobre os riscos da explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria da natureza, do aquecimento global e dos <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/06\/07\/autoridade-que-ignorar-alerta-climatico-nao-e-negacionista-e-irresponsavel-acusa-marcio-astrini\">desastres do clima<\/a>, como se viu este ano no <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/topicos\/enchentes-no-rs\">Rio Grande do Sul<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apoia.se\/brasildefators_enchentes\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.brasildefato.com.br\/assets\/7f79d3d45758c62a8dbbe78cfa5148e4.gif\"><\/a><br \/>\n\u00a0 \u00a0\u00a0<br \/>\nCom doutorado em meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), dedicou sua carreira ao impacto clim\u00e1tico do desmatamento na Amaz\u00f4nia. Ele lembrou que, se nada for feito e se continuarmos procedendo de modo irrespons\u00e1vel como agora, teremos a sexta maior extin\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da Terra.\u00a0<br \/>\n\u00a0 \u00a0<br \/>\n&#8220;As outras cinco foram fen\u00f4menos geol\u00f3gicos, hidrol\u00f3gicos, clim\u00e1ticos. Essa ser\u00e1 a primeira vez que um ser da nossa biodiversidade, ou seja, n\u00f3s, humanos, vamos gerar uma extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies&#8221;, diz.\u00a0<br \/>\n\u00a0 \u00a0\u00a0<br \/>\nNesta semana, Nobre esteve em Porto Alegre (RS) quando falou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) sobre o tema <em><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/05\/15\/mundo-devera-viver-era-de-extremos-climaticos-nao-tem-mais-volta-diz-carlos-nobre\">Extremos clim\u00e1ticos<\/a>: romper com o negacionismo, superar a crise<\/em>. <strong>Brasil de Fato RS<\/strong> acompanhou sua confer\u00eancia e conversou com ele. Confira:<\/p>\n<p><strong>Tivemos eventos clim\u00e1ticos extremos e frequentes nos \u00faltimos anos no Brasil e no planeta. Nunca mais viveremos naquele mundo que t\u00ednhamos, por exemplo, 10 anos atr\u00e1s?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O planeta todo bateu os recordes de temperatura em 2023 e continuam altos nos primeiros sete meses de 2024. O avan\u00e7o da temperatura m\u00e9dia passou de 1,5 grau desde junho de 2023. S\u00e3o 13 meses passando de 1,5 grau. E isso est\u00e1 fazendo tamb\u00e9m todos os eventos extremos acontecerem com muito mais frequ\u00eancia e baterem recordes, sejam chuvas excessivas prolongadas, como no Rio Grande do Sul, sejam secas, como tivemos no recorde hist\u00f3rico na Amaz\u00f4nia, al\u00e9m de uma das secas mais pronunciadas no Cerrado e do Pantanal com recorde de ondas de calor.\u00a0<\/p>\n<p>Ondas de calor levam a um maior n\u00famero de mortes por desastres naturais e tamb\u00e9m a inc\u00eandios florestais e ressacas nas zonas costeiras. Ent\u00e3o, tudo isso acontece com muito mais frequ\u00eancia e, de fato, n\u00e3o h\u00e1 mais volta. A temperatura n\u00e3o tem mais condi\u00e7\u00e3o de ser diminu\u00edda nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o aumentarem ainda mais as temperaturas, precisamos reduzir rapidamente as emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa. \u00c9 um gigantesco desafio.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/2ad61ae8dc3bda1127388fdf54f2551e.webp\"><br \/>\nO primeiro cientista a perceber que estava aumentando a concentra\u00e7\u00e3o do g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera foi Svante August Arrhenius \/ Foto: Rafa Dotti<\/p>\n<p><strong>O Rio Grande do Sul teve uma enchente hist\u00f3rica, aquela de 1941. Demorou 80 anos para ocorrer algo similar. Podemos pensar que, agora, contaremos com cheias arrasadoras espa\u00e7adas em anos ou meses e n\u00e3o mais em d\u00e9cadas?<\/strong><\/p>\n<p>Eventos extremos como esse do Rio Grande do Sul de maio e junho, de fato, eram muito raros. Talvez acontecessem uma vez a cada s\u00e9culo. Em 1859, teve um evento (grande) tamb\u00e9m e, depois, em 1941. Mas esse evento de 2024 bateu todos os s\u00e9culos. Foi um volume e um prolongamento de chuvas at\u00e9 maior. Nunca tinha visto isso na hist\u00f3ria. Se n\u00e3o reduzirmos as emiss\u00f5es e as temperaturas continuarem a aumentar, esses eventos v\u00e3o acontecer com cada vez mais frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Desde 1941, passaram-se 83 anos. Tais eventos podem, se as temperaturas continuarem a aumentar, acontecer uma vez a cada d\u00e9cada ou, no m\u00e1ximo, a cada duas d\u00e9cadas.\u00a0<\/p>\n<p>V\u00e3o realmente ocorrer cada vez com maior frequ\u00eancia. Haja visto, por exemplo que, no ano passado, o Rio Grande do Sul bateu todos os recordes de chuvas e inunda\u00e7\u00f5es. Foram v\u00e1rios eventos e depois tamb\u00e9m esse recorde de 2024. Em 2023, em setembro, houve aquele evento que, at\u00e9 ent\u00e3o, tinha sido o recorde da bacia do rio Taquari. Temos que estar preparados.<\/p>\n<p><strong>Como v\u00ea o avan\u00e7o das contesta\u00e7\u00f5es \u00e0 ci\u00eancia, como o negacionismo clim\u00e1tico?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 negacionismo clim\u00e1tico desde que a ci\u00eancia come\u00e7ou a mostrar o risco avan\u00e7ado do aquecimento global. Isso chega a ser at\u00e9 perto de 50 anos, quando a ci\u00eancia viu que as emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa estavam j\u00e1 aquecendo o planeta e aquilo poderia se tornar muito cr\u00edtico. H\u00e1 34 anos, o Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) fez o seu primeiro relat\u00f3rio do qual participei como participei de de v\u00e1rios outros tamb\u00e9m.\u00a0<\/p>\n<p>O n\u00famero de cientistas negacionistas, hoje em 2024, \u00e9 inferior a 1%. Estima-se que haja cinco ou dez negacionistas a cada mil cientistas clim\u00e1ticos. Quer dizer, mais que 99,5% s\u00e3o cientistas que percebem o que est\u00e1 acontecendo e que, jogando-se gases de efeito estufa na atmosfera, n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o aquecer o planeta.\u00a0<\/p>\n<p>A f\u00edsica conhece isso h\u00e1 muito e muito tempo. O primeiro cientista a perceber que estava aumentando a concentra\u00e7\u00e3o do g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera foi Svante August Arrhenius, o sueco que ganhou o Pr\u00eamio Nobel em 1903. Foi ele que inventou a tabela peri\u00f3dica, mas tamb\u00e9m foi o primeiro cientista a demonstrar que, se dobrasse a concentra\u00e7\u00e3o do g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera, a temperatura aumentaria muito.\u00a0<\/p>\n<p>O negacionismo clim\u00e1tico envolve um n\u00famero ridiculamente desprez\u00edvel de cientistas. Mas, infelizmente, \u00e9 um movimento que adquiriu uma outra dimens\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 a ci\u00eancia que \u00e9 negacionista. \u00c9 um grupo de pessoas, setores econ\u00f4micos que lutam contra a busca das solu\u00e7\u00f5es absolutamente necess\u00e1rias e urgentes de combater a emerg\u00eancia clim\u00e1tica.\u00a0<\/p>\n<p>E qual \u00e9 a principal forma de disseminar isso [o negacionismo], j\u00e1 que n\u00e3o se consegue disseminar isso no meio cient\u00edfico porque n\u00e3o h\u00e1 como ter artigos aceitos em revistas cient\u00edficas de alta qualidade? Eles usam <em>fake news<\/em> h\u00e1 muitos anos, desde que o mundo acelerou demais o uso de sistemas como os celulares. Eles se tornaram os principais proponentes de <em>fake news <\/em>sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, algo que \u00e9 colocado mundialmente.\u00a0<\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, eles est\u00e3o perdendo for\u00e7a porque os extremos clim\u00e1ticos em 2023\/24 bateram todos os recordes. Nunca a temperatura foi t\u00e3o alta desde o \u00faltimo per\u00edodo interglacial, h\u00e1 120 mil ou 130 mil anos. N\u00e3o h\u00e1 como as pessoas negarem que o clima est\u00e1 mudando. E mesmo os que tinham d\u00favidas agora est\u00e3o vendo essa realidade que afeta praticamente todas as pessoas.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Um artigo da Nasa de 2022 voltou a ganhar destaque esse ano. Em um trecho ele pontua que &#8220;modelos clim\u00e1ticos nos dizem que certas regi\u00f5es provavelmente exceder\u00e3o essas temperaturas nos pr\u00f3ximos 30 a 50 anos. As \u00e1reas mais vulner\u00e1veis incluem o Sul da \u00c1sia, o Golfo P\u00e9rsico e o Mar Vermelho por volta de 2050; e a China Oriental, partes do Sudeste Asi\u00e1tico e o Brasil por volta de 2070&#8221;. Qual \u00e9 o significado disso?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios estudos, o primeiro deles de 2010 e, depois, esse estudo tamb\u00e9m mais recente da Nasa, mostrando que, se a gente continuar lan\u00e7ando os gases de efeito estufa na atmosfera, a temperatura vai continuar a subir. E vai chegar num limite &#8211; se continuarem as altas emiss\u00f5es -, l\u00e1 por 2070, ou, se a gente conseguir reduzir um pouquinho as emiss\u00f5es, em 2100 &#8211; que [o aumento da] temperatura vai atingir mais de quatro graus.\u00a0<\/p>\n<p>Com isso, in\u00fameras \u00e1reas do planeta, principalmente as regi\u00f5es tropicais, mas tamb\u00e9m latitudes m\u00e9dias, durante o ver\u00e3o, atingem aquele limite do corpo humano. Quando a temperatura \u00e9 muito alta, a umidade pode at\u00e9 ser baixa, mas o corpo humano n\u00e3o consegue perder calor, o que \u00e9 chamado estresse t\u00e9rmico do corpo humano.\u00a0<\/p>\n<p>Por exemplo, se atingir 35 graus e a umidade relativa for 100%, o ar est\u00e1 saturado de vapor d&#8217;\u00e1gua e n\u00e3o conseguimos perder calor. Se tivermos 45 graus de temperatura, 54% de umidade relativa tamb\u00e9m, o corpo n\u00e3o consegue perder calor. Nessa situa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o estresse t\u00e9rmico, o idoso, a idosa, os beb\u00eas, as crian\u00e7as muito pequenas, n\u00e3o sobrevivem mais do que meia hora, uma hora. Pessoas muito saud\u00e1veis, adultos, [chegam a] duas ou tr\u00eas horas.<\/p>\n<p>O mundo passando desses limites se torna inabit\u00e1vel, como o estudo da Nasa indicou. Mas esses estudos existem h\u00e1 tempos. O primeiro foi publicado em 2010. Isso mostra que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o, s\u00f3 adapta\u00e7\u00e3o aos extremos clim\u00e1ticos. Tais temperaturas n\u00e3o permitiriam aos humanos sobreviverem. Grande parte do planeta ficar\u00e1 quase que inabit\u00e1vel para n\u00f3s e para centenas de milhares de outras esp\u00e9cies.\u00a0<\/p>\n<p>Se atingirmos essas temperaturas &#8211; por exemplo, mais quatro graus &#8211; vamos gerar a sexta maior extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies do planeta. As outras cinco foram fen\u00f4menos geol\u00f3gicos, hidrol\u00f3gicos, clim\u00e1ticos. Essa ser\u00e1 a primeira vez que um ser da nossa biodiversidade, ou seja, n\u00f3s, humanos, vamos gerar uma extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies. \u00c9 um dado muito preocupante. Por isso, n\u00e3o temos op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja zerar as emiss\u00f5es o mais r\u00e1pido poss\u00edvel e depois tamb\u00e9m passar a remover o g\u00e1s carb\u00f4nico da atmosfera.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/0d30aa78d6e20c5372e7f9e5820f163b.webp\"><br \/>\n&#8220;Para n\u00e3o aumentarem ainda mais as temperaturas precisamos reduzir rapidamente as emiss\u00f5es dos gases de efeito estufa. \u00c9 um gigantesco desafio&#8221; \/ Foto: Rafa Dotti<\/p>\n<p><strong>O senhor afirma que a era de extremos &#8220;n\u00e3o tem mais volta&#8221;. Quais s\u00e3o as medidas que devem ser tomadas agora, aquelas que n\u00e3o podemos mais esperar?<\/strong><\/p>\n<p>Se continuarmos aumentando as emiss\u00f5es, podemos chegar no final desse s\u00e9culo com uma boa parte do planeta inabit\u00e1vel. Se [o aumento da] temperatura passar de quatro graus, s\u00f3 na altitude, em montanhas na Ant\u00e1rtica, no \u00c1rtico, \u00e9 que o clima ainda permitiria a vida humana.\u00a0<\/p>\n<p>E o g\u00e1s carb\u00f4nico e o oxonitroso s\u00e3o gases que t\u00eam um per\u00edodo muito longo na atmosfera. Por exemplo, 15% do g\u00e1s carb\u00f4nico que a gente emite hoje vai estar na atmosfera por\u00a0at\u00e9 mil anos.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que n\u00e3o h\u00e1 jeito de rapidamente reduzirmos esses extremos clim\u00e1ticos. Precisamos, sim, rapidamente reduzir as emiss\u00f5es. O Acordo de Paris lan\u00e7ava a ideia de n\u00e3o deixar [o aumento da] temperatura passar de 1,5 graus. Em 2023 e 2024, chegou a 1,5 graus. N\u00e3o sabemos se ela, de fato, vai continuar [crescendo], mas \u00e9 um risco muito grande de permanentemente atingir esse 1,5 graus nos pr\u00f3ximos anos. N\u00e3o tem mais volta mesmo. Esses fen\u00f4menos extremos v\u00e3o estar acontecendo, a temperatura aumentando mais frequentemente e quebrando recordes por muitas e muitas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u00c9 conseguir rapidamente reduzir as emiss\u00f5es e depois passar a remover g\u00e1s carb\u00f4nico da atmosfera. Por exemplo, a restaura\u00e7\u00e3o florestal remove muito g\u00e1s carb\u00f4nico via fotoss\u00edntese. Ser\u00e1 um gigantesco desafio n\u00e3o deixar a temperatura passar de 1,5 graus. E, quem sabe, at\u00e9 2100, conseguir remover muito g\u00e1s carb\u00f4nico da atmosfera e fazer com que baixe para um grau s\u00f3.\u00a0<\/p>\n<p>Temos que, em primeiro lugar e rapidamente, parar 70% da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, al\u00e9m de cerca de 23% da agricultura e do desmatamento. Temos que zerar tudo isso e passar a desenvolver grandes projetos de restaura\u00e7\u00e3o florestal para ir removendo o g\u00e1s carb\u00f4nico. E, com isso, teremos a possibilidade de n\u00e3o deixar a temperatura passar de dois graus nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. E, depois, quem sabe, at\u00e9 o final do s\u00e9culo, chegar a um grau. Mas isso \u00e9 muito dif\u00edcil. Corremos um enorme risco.<\/p>\n<p><strong>O que os eleitores deveriam exigir daqueles em quem votam em termos de cuidados com o ambiente?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito importante que todos os eleitores, principalmente pensando, agora, nessa pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o aqui no Brasil, prefeitos e vereadores dos mais de cinco mil munic\u00edpios brasileiros, que eles, independentemente de qualquer ideologia, que n\u00e3o elejam negacionistas. Que n\u00e3o elejam candidatos que n\u00e3o atuem para combater as emerg\u00eancias clim\u00e1ticas. O Brasil tem que ser o primeiro pa\u00eds de grandes emiss\u00f5es a zerar suas emiss\u00f5es. 75% das nossas emiss\u00f5es em 2022 foram oriundas do desmatamento e 25% da agricultura. E praticar a agricultura e a pecu\u00e1ria regenerativa.\u00a0<\/p>\n<p>Um estado produtor de alimentos, como o Rio Grande do Sul, tamb\u00e9m deve passar para a agricultura e pecu\u00e1ria regenerativas. E rapidamente assumir a transi\u00e7\u00e3o para as energias renov\u00e1veis.\u00a0<\/p>\n<p>O Brasil tem um gigantesco potencial de energias renov\u00e1veis, caso da energia solar, da e\u00f3lica, dos biocombust\u00edveis, e at\u00e9 mesmo energias novas que o mundo come\u00e7a a desenvolver agora, as que v\u00eam do oceano. E o Rio Grande do Sul tamb\u00e9m tem um grande potencial tanto de energia solar, como, principalmente, de e\u00f3lica. Esse \u00e9 o caminho.\u00a0<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, prefeitos e vereadores t\u00eam que come\u00e7ar a aprovar pol\u00edticas muito r\u00e1pidas para aumentar a resili\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es, proteger a biodiversidade, os ecossistemas. \u00c9 isso.\u00a0<\/p>\n<p>O Brasil tem pouqu\u00edssimas pol\u00edticas do que chamamos adapta\u00e7\u00e3o aos extremos clim\u00e1ticos. \u00c9 muito importante, novamente, que os eleitores escolham prefeitos e vereadores que tenham essa mesma vis\u00e3o de combater a emerg\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se as temperaturas continuarem aumentando, haver\u00e1 a sexta maior extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies do planeta, adverte o cientista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1554,1111,389,452,1517,510,1858,1754,777,165,1173,871,257,369,203,1209,1881,1197,1895,1838,710,1854,795,1099,883,1564,1276,1358,1369,1756,1331,1513,743,1267,1243,304,1212,202,709,556,134,824,1431,1774,1244,1953,1718,748,790,1214,1677,881],"class_list":["post-213731","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-1554","tag-agricultura","tag-alimentos","tag-amazonia","tag-aquecimento-global","tag-artigos","tag-asia","tag-biodiversidade","tag-brasil","tag-calor","tag-cheias","tag-china","tag-chuvas","tag-ciencia","tag-clima","tag-combustiveis","tag-conferencia","tag-cuidados","tag-desastres","tag-desmatamento","tag-emergencia","tag-emergencia-climatica","tag-energia","tag-estudo","tag-eua","tag-eventos-climaticos","tag-eventos-climaticos-extremos","tag-exploracao","tag-fake-news","tag-gas","tag-ir","tag-junho","tag-limites","tag-maio","tag-maio-e-junho","tag-meteorologia","tag-mudancas","tag-mudancas-climaticas","tag-municipios","tag-noticias","tag-onu","tag-pecuaria","tag-porto-alegre","tag-premio","tag-presidente","tag-projetos","tag-relatorio","tag-rio","tag-rio-grande-do-sul","tag-rs","tag-uso","tag-visto"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/213731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=213731"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/213731\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=213731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=213731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=213731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}