{"id":213736,"date":"2024-08-13T10:55:31","date_gmt":"2024-08-13T10:55:31","guid":{"rendered":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=213736"},"modified":"2024-08-13T10:55:31","modified_gmt":"2024-08-13T10:55:31","slug":"a-andifes-e-a-omerta-vamos-enfrentar-o-racismo-nas-universidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=213736","title":{"rendered":"A Andifes e a Omert\u00e0: vamos enfrentar o racismo nas universidades?"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/06\/02\/bloqueio-tornara-universidades-inadministraveis-diz-presidente-da-andifes\">Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Dirigentes das Institui\u00e7\u00f5es Federais de Ensino Superior<\/a> (Andifes) foi criada em 1989, ap\u00f3s a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, com o objetivo de fazer a interlocu\u00e7\u00e3o das universidades federais com os poderes de Estado. Uma institui\u00e7\u00e3o que surge embevecida pelo esp\u00edrito renovador da democratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Na sua vis\u00e3o geral, est\u00e1 escrito:\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Nossas institui\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o de profissionais qualificados, produzem pesquisas e desenvolvem tecnologias que contribuem para a sustentabilidade do crescimento do pa\u00eds e auxiliam de forma decisiva a supera\u00e7\u00e3o das <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/08\/30\/mais-de-7-5-milhoes-vivem-com-menos-de-r-150-por-mes-no-pais-mostra-observatorio-das-desigualdades\">desigualdades regionais<\/a>.&#8221;<\/p>\n<p>Em se tratando de a\u00e7\u00f5es efetivas de combate \u00e0s formas de desigualdade atravessadas pelos <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/07\/15\/quando-o-racismo-institucional-mostra-seus-tentaculos\">racismos estrutural e institucional<\/a>, por exemplo, a Andifes n\u00e3o parece ter apresentado contribui\u00e7\u00f5es efetivas ao longo das suas mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de exist\u00eancia. Mas por que o combate ao racismo em suas mais variadas formas \u00e9 importante? Pelo simples fato de que n\u00e3o h\u00e1 como prescindir da quest\u00e3o racial quando se fala em &#8220;crescimento sustent\u00e1vel do pa\u00eds&#8221; ou em &#8220;supera\u00e7\u00e3o das desigualdades regionais&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>Em primeiro lugar,\u00a0\u00a0s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ado por meio do desenvolvimento humano; que \u00e9 muito mais do que crescimento econ\u00f4mico. Assim, por exemplo, para que o Brasil cres\u00e7a de forma sustent\u00e1vel, \u00e9 preciso impugnar a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/17\/renda-dos-mais-ricos-do-brasil-cresce-o-triplo-da-media-do-pais-e-dobra-em-cinco-anos\">concentra\u00e7\u00e3o de renda<\/a>, reduzir drasticamente os \u00edndices de mortalidade entre jovens e adultos na popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, combater a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/02\/21\/desigualdade-salarial-entre-homens-e-mulheres-cresce-pelo-quarto-mes-consecutivo-aponta-caged\">desigualdade salarial entre homens e mulheres<\/a>, erradicar a fome e a mis\u00e9ria. Ora, um olhar atento \u00e0s principais v\u00edtimas dos problemas apresentados, e que devem ser superados, \u00e9 justamente a popula\u00e7\u00e3o negra. \u00a0<\/p>\n<p>Em segundo lugar, a supera\u00e7\u00e3o das desigualdades regionais n\u00e3o ser\u00e1 eficaz, sequer eficiente, sem que se analise as desigualdades de oportunidades para cada um dos grupos que comp\u00f5em essas popula\u00e7\u00f5es. Nesse aspecto, \u00e9 urgente perceber a exist\u00eancia de diversos Brasis (e Brasis diversos) dentro do Brasil: se, por um lado, os \u00edndices de desenvolvimento humano e outros indicadores civilizat\u00f3rios para popula\u00e7\u00f5es negras s\u00e3o t\u00edpicos de pa\u00edses subdesenvolvidos, os mesmos indicadores s\u00e3o bem melhores para a parcela branca da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Em suma, n\u00e3o h\u00e1 como tratar de desigualdade regional sem lidar com outras formas de desigualdade, no caso, a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/10\/28\/desigualdade-racial-no-brasil-se-apresenta-tambem-no-acesso-a-saude\">racial<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>Ainda enfocando a quest\u00e3o desigualdades, \u00e9 curioso notar que, mesmo a entidade sendo constitu\u00edda ap\u00f3s a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, a desigualdade que ela busca combater \u00e9 apenas regional. Nem as desigualdades lato sensu, nem as desigualdades raciais, que s\u00e3o uma chaga da desigualdade brasileira, parecem estar no foco de preocupa\u00e7\u00e3o da entidade. Talvez, por isso, o aparente sil\u00eancio diante do esc\u00e2ndalo das fraudes cometidas por institui\u00e7\u00f5es filiadas \u00e0 Andifes, na medida em que n\u00e3o t\u00eam aplicado a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2014\/lei\/l12990.htm\">lei 12.990\/2014<\/a>,\u00a0Reserva aos negros 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas nos concursos p\u00fablicos, de forma adequada.<\/p>\n<p>Ocorre que tal sil\u00eancio favorece uma pr\u00e1tica relativamente bem delineada no campo sociol\u00f3gico, o racismo institucional, a qual lastreia crimes do g\u00eanero racismo; o que, para os corpos prejudicados \u2013 as popula\u00e7\u00f5es negras \u2013, soa como uma esp\u00e9cie de Omert\u00e0 [lei do sil\u00eancio da m\u00e1fia italiana]. Dessa maneira, urge um posicionamento n\u00edtido da Andifes em prol das repara\u00e7\u00f5es visadas pela lei 12.990\/2014. \u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 demais lembrar que o crescimento genu\u00edno s\u00f3 se realiza quando \u00e9 para todos. N\u00f3s da comunidade negra sabemos como se faz crescimento <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/07\/27\/bem-viver-a-branquitude-sempre-cuidou-de-assunto-de-preto-afirma-elisa-lucinda\">beneficiando exclusivamente a popula\u00e7\u00e3o branca<\/a>. Sabemos onde estavam nossos ancestrais que foram escravizados e conhecemos a cor da pele daqueles que tinham a liberdade para construir um Brasil segundo sua compet\u00eancia e m\u00e9rito. O sil\u00eancio sobre essa quest\u00e3o configura esp\u00e9cie de crime continuado.\u00a0<\/p>\n<p>Mas a Andifes se coloca, ao longo de sua exist\u00eancia, como baluarte na defesa da democracia, do Estado Democr\u00e1tico de Direito. Vejamos alguns eventos relativamente recentes.\u00a0<\/p>\n<p>Em 18 de setembro de 2020, a entidade apresentou uma carta \u00e0 sociedade brasileira defendendo a legitimidade do processo democr\u00e1tico nas universidades p\u00fablicas federais. Todos n\u00f3s, que passamos por uma universidade p\u00fablica federal, sabemos da import\u00e2ncia da escolha do primeiro da lista na elei\u00e7\u00e3o para reitor, apesar de a lei assim n\u00e3o exigir. A nota afirma que esse procedimento \u00e9 necess\u00e1rio para privilegiar o interesse p\u00fablico e o desenvolvimento nacional. Al\u00e9m disso, fortalece o esp\u00edrito democr\u00e1tico que o pa\u00eds tanto tem buscado defender desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o foi isso que a entidade destacou na campanha do Dia de Luta pela Democracia Brasileira, em 2023? A campanha visa alertar a sociedade sobre os &#8220;valores inarred\u00e1veis da democracia&#8221;. Dentro desses valores n\u00e3o est\u00e1 o respeito ao Estado Democr\u00e1tico de Direito? Se est\u00e1, o Estado Democr\u00e1tico de Direito exige um posicionamento seguro e firme sobre o que aconteceu com a lei de cotas raciais.<\/p>\n<p>Resta saber qual \u00e9 o alcance desses discursos institucionais quando se trata de racismo institucional. O interesse p\u00fablico que deve ser privilegiado \u00e9 o do sil\u00eancio diante das fragorosas retiradas de direitos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra por conta das fraudes na implementa\u00e7\u00e3o da lei 12.990\/2014? O desenvolvimento nacional deve ser realizado excluindo as pessoas negras do direito \u00e0 igualdade material? Ou, ter uma doc\u00eancia negra incomoda a Andifes? \u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 estranho que, passados dez anos da implementa\u00e7\u00e3o da primeira <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/10\/25\/senado-aprova-ampliacao-da-lei-de-cotas-e-inclui-quilombolas-e-estudantes-de-escolas-publicas\">lei de cotas<\/a> com recorte racial, a lei 12.990\/2014, at\u00e9 hoje a Andifes n\u00e3o tenha realizado um balan\u00e7o sobre o &#8220;interesse p\u00fablico&#8221; ou o &#8220;desenvolvimento social&#8221; frente ao fracasso dessa lei entre as institui\u00e7\u00f5es a ela associadas. Vamos exercitar aquilo que a pr\u00f3pria nota pontua: a necessidade de haver controle social da autonomia universit\u00e1ria. A autonomia universit\u00e1ria n\u00e3o deve servir de escudo para proteger e blindar o racismo que se tornou evidente ap\u00f3s os relat\u00f3rios produzidos sobre a lei 12.990\/2014. \u00c9 v\u00e1lido pensar que nenhuma autonomia \u00e9 absoluta em si mesma, dado que foi estabelecida por um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o social, visando proteger a universidade de interfer\u00eancias de car\u00e1ter pol\u00edtico, ou seja, \u00e9 parte de uma conven\u00e7\u00e3o social. Vamos usar apenas dois exemplos. \u00a0<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do Minist\u00e9rio da Mulher, da Fam\u00edlia e dos Direitos Humanos, de 2021, revelou uma faceta tr\u00e1gica do esc\u00e2ndalo na implementa\u00e7\u00e3o da lei de cotas no servi\u00e7o p\u00fablico federal, particularmente nas institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. De cada mil pessoas negras beneficiadas pela pol\u00edtica de a\u00e7\u00e3o afirmativa, apenas 5 tomaram posse. A Andifes, que congrega a elite cient\u00edfica brasileira (respons\u00e1vel por 95% da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nacional, conforme mencionado na nota), at\u00e9 hoje n\u00e3o produziu uma nota que chame a aten\u00e7\u00e3o para essa clara evid\u00eancia de racismo institucional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Andifes n\u00e3o conseguiu articular uma resposta com a comunidade acad\u00eamica para que as institui\u00e7\u00f5es passassem a respeitar uma norma que tanto contribui para a pluralidade do conhecimento e para a maior representatividade na forma\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos que essas institui\u00e7\u00f5es preparam para a sociedade. Mas a aparente in\u00e9rcia (de repouso diante das vicissitudes j\u00e1 mencionadas) da Andifes n\u00e3o impediu que evid\u00eancias importantes para o cen\u00e1rio de repara\u00e7\u00f5es viessem a p\u00fablico.\u00a0<\/p>\n<p>Em 2024, o Observat\u00f3rio Opar\u00e1 publicou relat\u00f3rio, em parceria com o Movimento Negro Unificado (MNU), que trouxe com detalhes as fraudes utilizadas para transformar a lei de cotas raciais numa ilus\u00e3o. O t\u00edtulo do documento <a href=\"https:\/\/www.observatorioopara.com.br\/docs\/relatorio_lei12990-2014.pdf\"><em>A implementa\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 12.990\/2014: um cen\u00e1rio devastador de fraudes<\/em><\/a> n\u00e3o foi um exagero. O relat\u00f3rio foi amplamente divulgado pela imprensa nacional. \u00a0<\/p>\n<p>A Andifes, em uma postura compar\u00e1vel \u00e0 de avestruzes que enfiam a cabe\u00e7a no buraco para evitar enfrentar problemas, optou por n\u00e3o abordar o drama da inefic\u00e1cia da lei de cotas raciais. Aparentemente, a &#8220;casa da ci\u00eancia&#8221; prefere n\u00e3o confrontar seus reitores eleitos democraticamente que insistem em negar esses direitos. Em qual posi\u00e7\u00e3o a Andifes se encontra Est\u00e1 do lado da ci\u00eancia, que apresentou dados irrefut\u00e1veis sobre a inefic\u00e1cia na implementa\u00e7\u00e3o da lei de cotas raciais, ou do lado daqueles reitores que, embora legitimamente eleitos, t\u00eam obstru\u00eddo uma lei fundamental ao Estado Democr\u00e1tico de Direito? \u00a0<\/p>\n<p>Que democracia \u00e9 esta que a Andifes defende? \u00c9 uma democracia sem pessoas negras? Sim, porque eles e elas n\u00e3o ingressaram nos quadros das universidades. Adicionalmente, se a lei estabelece que os docentes s\u00e3o respons\u00e1veis por 70% dos votos na escolha dos reitores, podemos dizer que a &#8220;casa da ci\u00eancia&#8221; evitou o ingresso de pessoas docentes negras com medo da democracia \u00a0<\/p>\n<p>Relat\u00f3rios, estudos cient\u00edficos, mat\u00e9rias jornal\u00edsticas e textos de opini\u00e3o est\u00e3o a se avolumar no ano de 2024 denunciando esse esc\u00e2ndalo: evid\u00eancias de que o racismo institucional, al\u00e9m de n\u00e3o ser efetivamente combatido pelos reitores eleitos democraticamente, tamb\u00e9m n\u00e3o o \u00e9 pela associa\u00e7\u00e3o que os congrega, a Andifes. Tudo isso contribuindo para que pessoas negras n\u00e3o alcancem posi\u00e7\u00f5es de prest\u00edgio e de relev\u00e2ncia econ\u00f4mica. Nesse \u00ednterim, muito se fala sobre desenvolver uma cultura antirracista nas institui\u00e7\u00f5es. Mas, pelo que se observa, condicionada \u00e0 n\u00e3o denuncia\u00e7\u00e3o do racismo de cada dia que n\u00e3o diminui, mas se retroalimenta nessas institui\u00e7\u00f5es; e mant\u00e9m a Andifes no &#8220;sono dos justos&#8221;. \u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel tapar o sol com a peneira. O sol continua escaldante e a peneira protege o racismo de cada dia \u00e0 brasileira. Ou a Andifes assume uma postura, de fato, antirracista, e resolve colocar esse debate no centro de sua agenda, ou continuar\u00e1 se escondendo, enganando os incautos, de que a elei\u00e7\u00e3o para reitores \u00e9 fundamental para manter a independ\u00eancia do pensamento cient\u00edfico nacional dos terraplanismos. O negacionismo que ontem era enfrentado com gana, agora se esconde diante do esc\u00e2ndalo que foi, e est\u00e1 sendo, a implementa\u00e7\u00e3o da lei 12.990\/2014.\u00a0<\/p>\n<p>Em tempo (e a tempo), \u00e9 importante lembrar que, ao n\u00e3o assumir o protagonismo que nos cabe, abrimos espa\u00e7o para que outros o fa\u00e7am. E &#8220;os outros&#8221; podem ter projetos de universidade que desconstruam avan\u00e7os t\u00e3o caros e penosamente alcan\u00e7ados pelas institui\u00e7\u00f5es federais de ensino superior. Inclusive avan\u00e7os sociais decorrentes do trip\u00e9 ensino, pesquisa e extens\u00e3o, fundamentados na autonomia universit\u00e1ria.\u00a0<\/p>\n<p>Ora, aguardaremos &#8220;em ber\u00e7o espl\u00eandido&#8221; a reformula\u00e7\u00e3o da autonomia universit\u00e1ria, na medida em que as universidades deixam de cumprir seu papel constitucional, tamb\u00e9m, de instrumentos do Estado Democr\u00e1tico de Direito brasileiro para o combate \u00e0s injusti\u00e7as sociais, mais especificamente, o racismo? Ou n\u00e3o percebemos ainda qu\u00e3o transformadora \u00e9 a autonomia concedida \u00e0s universidades quando a justi\u00e7a social \u00e9 uma de suas metas? \u00a0<\/p>\n<p>Em certa medida, o racismo cria uma esp\u00e9cie de sociedade estamental com baixa ou nenhuma mobilidade social, tal qual vimos no modo feudal de produ\u00e7\u00e3o da economia em tempos medievais na Europa ou vemos no sistema de castas hindus da contemporaneidade. E obst\u00e1culos \u00e0 mobilidade social das pessoas negras n\u00e3o \u00e9 apenas um problema das popula\u00e7\u00f5es negras, mas acaba, de um jeito ou de outro, atingindo todas as pessoas. \u00a0<\/p>\n<p>Se h\u00e1 alguma dificuldade ou pregui\u00e7a para encontrar os dados, o site do Observat\u00f3rio Opar\u00e1 poder\u00e1 ser alcan\u00e7ado facilmente pelos magn\u00edficos e magn\u00edficas. O sil\u00eancio est\u00e1 a servi\u00e7o de um projeto ao qual a Andifes poder\u00e1 se opor. Mas, para isso, ter\u00e1 que chamar os reitores e reitoras para um debate franco, aberto. \u00a0<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o de qualquer problema \u00e9 precedida pelo reconhecimento de sua exist\u00eancia. Portanto e por \u00f3bvio, o reconhecimento do racismo institucional \u00e9 o primeiro passo para que as institui\u00e7\u00f5es federais de ensino superior enfrentem esse inimigo (aparentemente subestimado) da democracia: o racismo. \u00a0<\/p>\n<p>O enfrentamento passa, necessariamente, por uma campanha de repara\u00e7\u00e3o das vagas negadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra. Infelizmente n\u00e3o parecem estranhos, a muitas universidades, os motivos da reivindica\u00e7\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o. \u00a0<\/p>\n<p>Se a Andifes quer reivindicar o Estado Democr\u00e1tico de Direito para garantir legitimidade nos seus processos de escolha de reitores e reitoras, n\u00e3o pode silenciar quando o mesmo Estado Democr\u00e1tico de Direito est\u00e1 a exigir um balan\u00e7o do que aconteceu com a primeira lei de cotas de recorte exclusivamente racial. \u00a0<\/p>\n<p>Considerando os projetos mais exitosos de repara\u00e7\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o, a Andifes poderia convidar os reitores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (Univasf) para apresentarem os dois modelos genu\u00ednos de repara\u00e7\u00e3o em curso. As institui\u00e7\u00f5es reconheceram seu racismo institucional e est\u00e3o dispostas a reparar cada uma das vagas que deixaram de melhorar o bem-estar da comunidade negra. \u00a0<\/p>\n<p>Cabe \u00e0 Andifes, agora, mostrar se &#8220;interesse p\u00fablico&#8221; e &#8220;desenvolvimento social&#8221; n\u00e3o eram apenas uma ret\u00f3rica da branquitude. O Observat\u00f3rio Opar\u00e1 se coloca \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para um encontro com a verdade. Sabemos da import\u00e2ncia, do peso e da hist\u00f3ria que tem a Andifes para o amadurecimento das institui\u00e7\u00f5es da sociedade brasileira. Resta saber se sua pr\u00e1tica ter\u00e1 como objetivo, exclusivo, garantir legitimidade aos reitores e reitores eleitos com mais votos em suas comunidades. Se for s\u00f3 isso, \u00e9 melhor a Andifes se mudar para a Escandin\u00e1via.\u202f\u00a0<\/p>\n<p><em>*Edmilson Santos dos Santos \u00e9 professor doutor da Univasf (Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco) e integrante do Opar\u00e1 (Observat\u00f3rio das Pol\u00edticas Afirmativas Raciais). \u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>**Anibal Livramento da Silva Netto \u00e9 professor doutor da Univasf (Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco) e integrante do Opar\u00e1 (Observat\u00f3rio das Pol\u00edticas Afirmativas Raciais). \u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>***Alisson Gomes dos Santos \u00e9 doutorando no Programa de P\u00f3s- gradua\u00e7\u00e3o em Economia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e integrante do Opar\u00e1 (Observat\u00f3rio das Pol\u00edticas Afirmativas Raciais).\u00a0<\/em><\/p>\n<p>***<em>*Este \u00e9 um artigo de opini\u00e3o e n\u00e3o necessariamente expressa a linha editorial do <strong>Brasil de Fato<\/strong>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sil\u00eancio favorece uma pr\u00e1tica bem delineada no campo sociol\u00f3gico, o racismo institucional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1255,777,369,55,1909,904,259,940,1381,1508,403,1510,531,1005,1252,741,891,385,255,414,507,1188,1806,1828,345,58,384,265,447,289,1962,852,1699,1042,1953,273,1718,549,748,790,898,719,1250,284],"class_list":["post-213736","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-acoes","tag-brasil","tag-ciencia","tag-cotas","tag-cotas-raciais","tag-crescimento","tag-cultura","tag-curso","tag-dados","tag-debate","tag-democracia","tag-desenvolvimento","tag-economia","tag-encontro","tag-ensino-superior","tag-fome","tag-fraudes","tag-genero","tag-geral","tag-homens","tag-institucional","tag-jovens","tag-justica","tag-justica-social","tag-lei","tag-lei-de-cotas","tag-mulher","tag-mulheres","tag-negros","tag-pesquisa","tag-pesquisas","tag-producao","tag-professor","tag-projeto","tag-projetos","tag-racismo","tag-relatorio","tag-renda","tag-rio","tag-rio-grande-do-sul","tag-servico-publico","tag-sustentabilidade","tag-universidades-federais","tag-vale"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/213736","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=213736"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/213736\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=213736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=213736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=213736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}