{"id":223702,"date":"2024-08-20T00:57:45","date_gmt":"2024-08-20T00:57:45","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=223702"},"modified":"2024-08-20T00:57:45","modified_gmt":"2024-08-20T00:57:45","slug":"mes-da-visibilidade-lesbica-minha-arte-e-e-sempre-sera-meu-escudo-diz-cantora-jordana-henriques","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=223702","title":{"rendered":"M\u00eas da Visibilidade L\u00e9sbica: &#8216;Minha arte \u00e9 e sempre ser\u00e1 meu escudo&#8217;, diz cantora Jordana Henriques"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>Durante o M\u00eas da <a href=\"https:\/\/www.brasildefatomg.com.br\/2023\/08\/29\/como-foi-o-evento-que-originou-ao-dia-nacional-da-visibilidade-lesbica\">Visibilidade L\u00e9sbica<\/a>, o <strong>Brasil de Fato RS<\/strong> apresenta o especial &#8220;<a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/08\/08\/no-mes-da-visibilidade-lesbica-conheca-as-lesbicas-fazedoras-de-cultura-da-capital-gaucha\">Mulheres l\u00e9sbicas da cultura de Porto Alegre que voc\u00ea precisa conhecer<\/a>&#8220;. A nossa segunda entrevista \u00e9 com Jordana Henriques, uma mulher preta, l\u00e9sbica, desfem, cantora e compositora natural de Ca\u00e7apava do Sul (RS). L\u00e1, ela iniciou sua\u00a0carreira ainda crian\u00e7a. Quando adolescente, na cidade de Santa Maria, amadureceu seu trabalho ingressando no coletivo musical EntreAutores, lan\u00e7ando seu primeiro trabalho autoral solo intitulado <em>Aqu\u00e1rio<\/em>.<\/p>\n<p>No ano de 2019, Jordana integrou a turma de resid\u00eancia art\u00edstica do Projeto Concha em Porto Alegre. Financiado pela Natura Musical foram 8 meses de atividades dedicadas a promover visibilidade e autonomia para mulheres na m\u00fasica. A artista, hoje, com 29 anos, reside em\u00a0Porto Alegre onde fortalece a sua carreira como compositora com influ\u00eancias da MPB, samba e g\u00eaneros diversos. Jordana vive de sua arte h\u00e1 21 anos.\u00a0Confira a entrevista:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apoia.se\/brasildefators_enchentes\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.brasildefato.com.br\/assets\/7f79d3d45758c62a8dbbe78cfa5148e4.gif\"><\/a><\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato RS: Como voc\u00ea escolheu a m\u00fasica<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jordana Henriques:<\/strong>\u00a0Na verdade foi a m\u00fasica que me escolheu, que me encontrou. Quando eu tinha mais ou menos oito anos de idade, a professora de artes do meu col\u00e9gio me encontrou, falou que eu tinha uma voz muito bonita e come\u00e7ou a me ensaiar para um show de calouros na minha cidade. Nesse show, eu conquistei o terceiro lugar, na minha primeira apresenta\u00e7\u00e3o, cantando uma m\u00fasica ga\u00facha, a <em>Cabo Toco<\/em> da int\u00e9rprete F\u00e1tima Gimenes. Depois dali eu nunca mais parei de cantar. Aos 13 anos eu fiz aula de viol\u00e3o e mais ou menos com 14 anos comecei a fazer show em barzinho, trabalhar e viver de m\u00fasica.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/fa76bbdf9742d18291cd7bc9b7658d6b.webp\"><br \/>\nAinda hoje a sociedade v\u00ea as l\u00e9sbicas desfem &#8211; que n\u00e3o performam feminilidade &#8211; como homens. Somos tratadas \u00e0s vezes at\u00e9 mesmo pelo pronome masculino \/ Arquivo Pessoal<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 ser uma l\u00e9sbica na cena musical porto-alegrense?<\/strong><\/p>\n<p>Antes de ser l\u00e9sbica, eu sou uma mulher preta, e assim, eu sempre tive que fazer as coisas tr\u00eas vezes melhor que as outras pessoas. Minha arte \u00e9 e sempre ser\u00e1 o meu escudo. \u00c9 com ela que eu consigo provar meu potencial e meu talento sem ofender ningu\u00e9m, sem discutir, sem brigar. N\u00e3o gosto disso. Ser uma mulher l\u00e9sbica na cena musical, eu percebo que me traz benef\u00edcios, porque ainda hoje a sociedade v\u00ea as l\u00e9sbicas desfem &#8211; que n\u00e3o performam feminilidade &#8211; como homens. Somos tratadas \u00e0s vezes at\u00e9 mesmo pelo pronome masculino mesmo sendo mulheres.<\/p>\n<p>Eu me identifico com o g\u00eanero feminino e digo que fico um pouco chateada com isso. As pessoas n\u00e3o buscam a informa\u00e7\u00e3o e saem chamando a gente pelo masculino, sem saber se a gente prefere esse pronome. Isso me incomoda um pouco, por\u00e9m, eu consigo me dar super bem e adentrar em lugares que talvez uma mulher um pouco mais feminina sofreria, inclusive ass\u00e9dio, por parte dos homens. \u00c9 uma coisa bem pol\u00eamica, mas \u00e9 assim mesmo que acontece.<\/p>\n<p>A maioria das pessoas me trata com o maior respeito e pelo pronome que eu me identifico, mas eu vejo que eu tenho mais oportunidades por conta de ser uma l\u00e9sbica desfem e conseguir adentrar em espa\u00e7os ocupados majoritariamente por homens.<\/p>\n<p><strong>Que hist\u00f3ria curiosa, emocionante te marcou nesses anos de carreira<\/strong><\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria que sempre vai me marcar, foi quando eu me apresentei pela primeira vez na televis\u00e3o, num programa do <em>SBT<\/em> &#8211;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jyW9BNrAMGA\"> <em>Astros Nova Gera\u00e7\u00e3o<\/em><\/a>.\u00a0Eu estava ainda come\u00e7ando, n\u00e3o tinha tanta experi\u00eancia de palco, assim, tinha s\u00f3 a voz e um sonho de ganhar o Brasil, mas, como ainda me faltava experi\u00eancia, eu ganhei dois &#8216;sim&#8217; e dois &#8216;n\u00e3o&#8217; nesse programa.<\/p>\n<p>Foi uma experi\u00eancia muito boa, eu cantei a m\u00fasica da Alcione, <em>Meu \u00c9bano<\/em>, e hoje em dia eu posso ver a evolu\u00e7\u00e3o que eu tive de l\u00e1 pra c\u00e1, em quest\u00e3o de afina\u00e7\u00e3o, imposta\u00e7\u00e3o de voz e tudo. Esse foi um momento muito marcante pra mim. Foi um desafio.<\/p>\n<p>Outros momentos emocionantes foi quando eu participei dos festivais de m\u00fasica nativista ga\u00facha. Nesses eu tenho 47 trof\u00e9us de primeiro lugar, alguns de segundo lugar. Hoje em dia eu n\u00e3o participo mais, eu troquei de estilo musical, mas ainda gosto muito da m\u00fasica ga\u00facha, que canto at\u00e9 hoje. Eu acho que sempre \u00e9 bom ser premiada pelo seu talento, sua voz. Ser reconhecida.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/722682d644fb2c5b83d3d1b999c65fe6.webp\"><br \/>\nNos festivais de m\u00fasica nativista eu tenho 47 trof\u00e9us de primeiro lugar, alguns de segundo lugar. Eu acho que sempre \u00e9 bom ser premiada pelo seu talento, sua voz. Ser reconhecida \/ Arquivo Pessoal<\/p>\n<p><strong>Qual a import\u00e2ncia da visibilidade l\u00e9sbica dentro do espa\u00e7o de cultura no qual voc\u00ea atua<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho que \u00e9 importante. Eu luto mais pela quest\u00e3o da igualdade de g\u00eanero do que pela pr\u00f3pria visibilidade l\u00e9sbica, porque eu acho que antes de tudo, as pessoas t\u00eam que respeitar o ser humano que est\u00e1 ali, independente do g\u00eanero. Isso vai ao encontro da luta do feminismo, principalmente, onde as mulheres ainda s\u00e3o muito desvalorizadas, desqualificadas, sendo que a gente tem tanto potencial quanto os homens. Eu acho que deveria ter mais oportunidades para as mulheres no geral e mais igualdade de g\u00eanero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acompanhe a segunda conversa da s\u00e9rie &#8216;Mulheres l\u00e9sbicas da cultura de Porto Alegre que voc\u00ea precisa conhecer&#8217;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[492,264,1734,777,259,1005,1179,385,255,414,378,384,265,1431,1042,1214,415],"class_list":["post-223702","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-arte","tag-assedio","tag-beneficios","tag-brasil","tag-cultura","tag-encontro","tag-entrevista","tag-genero","tag-geral","tag-homens","tag-igualdade-de-genero","tag-mulher","tag-mulheres","tag-porto-alegre","tag-projeto","tag-rs","tag-trabalho"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/223702","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=223702"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/223702\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=223702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=223702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=223702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}