{"id":238786,"date":"2024-08-31T11:55:04","date_gmt":"2024-08-31T11:55:04","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=238786"},"modified":"2024-08-31T11:55:04","modified_gmt":"2024-08-31T11:55:04","slug":"agronegocio-e-o-principal-responsavel-pela-perda-de-vegetacao-nativa-no-brasil-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=238786","title":{"rendered":"Agroneg\u00f3cio \u00e9 o principal respons\u00e1vel pela perda de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Brasil, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>A Cole\u00e7\u00e3o 9 de mapas anuais de cobertura e uso do solo, do MapBiomas, divulgado na quarta-feira (21), revelou uma perda acelerada de \u00e1rea vegetal nativa entre 1985 e 2023, chegando \u00e0 marca de <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/08\/21\/brasil-chega-a-33-de-perda-de-vegetacao-nativa-amazonia-concentra-metade-da-area-desmatada\">33% de todo o territ\u00f3rio nacional no ano passado<\/a>. O relat\u00f3rio considera \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa, al\u00e9m das matas e floretas, superf\u00edcies de \u00e1gua e \u00e1reas naturais n\u00e3o vegetadas, como praias e dunas. \u00a0<\/p>\n<p>O processo de antropiza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa ocorre, principalmente, pela expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria, segundo o instituto. O Brasil tem atualmente 64% de seu territ\u00f3rio coberto por vegeta\u00e7\u00e3o nativa. Em 1985 eram 76%. Nesse mesmo per\u00edodo, a \u00e1rea de pastagem expandiu 79%, 72,5 milh\u00f5es de hectares a mais do que h\u00e1 39 anos. J\u00e1 a agricultura cresceu 228%, um aumento de 42,4 milh\u00f5es de hectares de cultivo, principalmente de gr\u00e3os voltados para exporta\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio constata que mais da metade da vegeta\u00e7\u00e3o nativa perdida nas \u00faltimas d\u00e9cadas esteve concentrada na Amaz\u00f4nia, chegando aos 5 milh\u00f5es de hectares perdidos nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas. \u201cA gente acompanhou um crescimento da agropecu\u00e1ria muito predat\u00f3rio na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia, com um processo de desmatamento que era basicamente invadir uma terra p\u00fablica, uma \u00e1rea, retirar a madeira de lei que tinha algum valor comercial, depois voc\u00ea derrubava o resto com corrent\u00e3o, esperava secar e atacava fogo. E da\u00ed abria ali um pasto com baix\u00edssima produtividade s\u00f3 para tentar regularizar a terra, ou tomar posse da terra. E depois, se conseguia, ele vendia essa \u00e1rea para algu\u00e9m plantar soja e ia desmatar outra \u00e1rea. Esse modelo circulou durante muito tempo\u201d, conta Marcos Rosa, coordenador t\u00e9cnico do MapBiomas.<\/p>\n<\/p>\n<p>No entanto, o pesquisador alerta que a ocupa\u00e7\u00e3o do solo pela agropecu\u00e1ria vem perdendo for\u00e7a na Amaz\u00f4nia, e migrando para outras regi\u00f5es do pa\u00eds. \u201cNa Amaz\u00f4nia, a gente est\u00e1 vendo uma queda muito grande do desmatamento, principalmente desse desmatamento ilegal. O que a gente est\u00e1 vendo \u00e9 essa expans\u00e3o agora acontecendo na regi\u00e3o do Cerrado, principalmente no Matopiba, para grandes empreendimentos, principalmente de monocultura de soja\u201d, relata.\u00a0<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/01\/23\/matopiba-crescimento-do-agronegocio-e-um-dos-responsaveis-por-enchentes-que-assolam-nordeste\">regi\u00e3o do Matopiba<\/a> \u00e9 formada majoritariamente pelo Cerrado, compreendendo os estados do Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia, e considerada a \u00faltima fronteira agr\u00edcola do Brasil. O pr\u00f3prio <a href=\"https:\/\/plataforma.alerta.mapbiomas.org\/mapamonthRange[0]=2019-01&amp;monthRange[1]=2024-07&amp;sources[0]=All&amp;territoryType=all&amp;authorization=all&amp;embargoed=all&amp;locationType=alert_code&amp;activeBaseMap=7&amp;map=-14.288794%2C-54.290447%2C4\">MabBiomas contabiliza em seu \u00faltimo alerta sobre a regi\u00e3o mais de 2,7 milh\u00f5es de hectares desmatados<\/a> no Matopiba entre 2019 e 2023, o que contribuiu para que o Cerrado fosse o bioma com o maior n\u00famero de alertas de desmatamento nesse per\u00edodo. \u00a0<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, a agropecu\u00e1ria passou de 28% para 47% no Cerrado, enquanto no Pampa foi de 28% para 45%. J\u00e1 na Amaz\u00f4nia, passou de 3% para 16% e de 5% para 17% no Pantanal. A Caatinga teve um aumento de 10%, indo de 28% para 38%, e a Mata Atl\u00e2ntica foi o bioma que menos variou, de 63% para 65%.\u00a0<\/p>\n<p>Os dados apresentados pelo MapBiomas mostram que em 1985, 48% dos munic\u00edpios tinham presen\u00e7a da agropecu\u00e1ria, enquanto em 2023, esse predom\u00ednio chegou a 60% dos munic\u00edpios. Os estados que apresentaram o maior crescimento de \u00e1reas destinadas \u00e0 pastagem foram Rond\u00f4nia, que passou de 6% para 38%; Maranh\u00e3o, que foi de 5% para 29%; Mato Grosso, de 6% para 24% e Tocantins, de 7% para 30%.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Agroneg\u00f3cio invade o Pantanal\u00a0<\/p>\n<p>No Pantanal, a redu\u00e7\u00e3o mais acentuada foi na superf\u00edcie de \u00e1gua, que passou de 21% em 1985 para 4% em 2023, um efeito vis\u00edvel das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Os especialistas alertam que<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/07\/18\/agro-boi-e-barragens-entenda-as-causas-da-seca-e-dos-incendios-que-assolam-o-pantanal\"> as secas prolongadas t\u00eam tido como consequ\u00eancia a ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de plan\u00edcie<\/a>, antes alag\u00e1veis, pelo agroneg\u00f3cio, com planta\u00e7\u00f5es de monocultivo. \u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u201cNa parte do alto do planalto, tem muita expans\u00e3o de soja, e em muitos casos, ocupa at\u00e9 APP [\u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente] que \u00e9 aquela \u00e1rea que devia proteger os rios, que est\u00e3o destru\u00eddas, e agora h\u00e1 uma tentativa de recuperar algumas \u00e1reas. E o grande problema \u00e9 isso: quando se prepara o solo para soja, a chuva leva sedimento do solo para dentro dos rios e esse sedimento vai para dentro da plan\u00edcie\u201d, explica Marcos Rosa.\u00a0<\/p>\n<p>Outro efeito da seca no Pantanal apontado pelos especialistas \u00e9 a mudan\u00e7a de padr\u00e3o da pecu\u00e1ria pantaneira. \u00a0<\/p>\n<p>\u201cO que a gente percebe \u00e9 que a \u00e1rea alagada est\u00e1 ficando em uma \u00e1rea menor e com uma dura\u00e7\u00e3o dessa cheia menor. E isso faz com que essa seca propicie a expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria, principalmente para o interior do Pantanal. E h\u00e1 uma mudan\u00e7a do padr\u00e3o dessa agropecu\u00e1ria. A agropecu\u00e1ria tradicional do Pantanal, feita sobre os campos nativos, a gente sempre classifica como campo nativo, ela \u00e9 importante para manter, \u00e9 um uso tradicional. O que a gente est\u00e1 vendo hoje \u00e9 uma mudan\u00e7a com a remo\u00e7\u00e3o completa da vegeta\u00e7\u00e3o e plantio de ex\u00f3ticas [pasto]&#8221;, afirma o pesquisador do MapBiomas. \u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">O que fazer?\u00a0<\/p>\n<p>Para quem produz alimentos e defende a ado\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos sustent\u00e1veis de manejo dos solos, n\u00e3o h\u00e1 como dissociar o debate ambiental do acesso \u00e0 terra e do modelo de desenvolvimento agr\u00edcola do pa\u00eds. \u00c9 o que diz Ma\u00edra Santiago, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO movimento tem uma estrat\u00e9gia de constru\u00e7\u00e3o de uma reforma agr\u00e1ria que \u00e9 de novo tipo, que a gente chama de reforma agr\u00e1ria popular. E dentro dessa reforma agr\u00e1ria popular, o que \u00e9 central para n\u00f3s, \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel sim conciliar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis com o cuidado da natureza\u201d, defende.\u00a0<\/p>\n<p>Ma\u00edra conta que o MST, al\u00e9m de se dedicar \u00e0 luta pela terra e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos agroecol\u00f3gicos, possui um plano nacional de reflorestamento, que pretende plantar 100 milh\u00f5es de \u00e1rvores at\u00e9 2030, em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. A dirigente sem terra cobra do governo medidas mais en\u00e9rgicas para enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, avan\u00e7ar na transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica e consequentemente, acabar com a fome.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cExiste uma diferen\u00e7a entre o que \u00e9 central para n\u00f3s, para diminuir, ou desacelerar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, e o que \u00e9 colocado pelo governo. Ele [o governo] ainda investe muito em a\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0quilo que o capitalismo, o capital verde e o mercado de carbono est\u00e3o apontando como sa\u00eddas. E para n\u00f3s, n\u00e3o \u00e9 o hidrog\u00eanio verde, n\u00e3o \u00e9 o mercado de carbono que vai dar sa\u00eddas concretas para essas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas sim a reforma agr\u00e1ria, a democratiza\u00e7\u00e3o das terras e a agroecologia como elemento central\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 o pesquisador do MapBiomas, espera que os dados ofertados pela pesquisa possam subsidiar a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o dos biomas, e o <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/08\/21\/agenda-do-clima-deve-ser-de-intervencao-direta-em-ocupacao-do-solo-e-uso-de-recursos-naturais-diz-especialista\">enfrentamento da emerg\u00eancia clim\u00e1tica<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA miss\u00e3o do MapBiomas \u00e9 produzir esses dados para que sejam utilizados para mitigar mudan\u00e7a clim\u00e1ticas. Ent\u00e3o a gente produz os dados cient\u00edficos, os torna p\u00fablicos, e metade do tempo a gente gasta para produzir os dados, enquanto a outra metade para garantir que eles sejam usados. Nosso objetivo \u00e9 mostrar os dados, poder [fazer com] que ele seja incorporado nas pol\u00edticas de planejamento de curto, m\u00e9dio e longo prazos, e subsidiar essas discuss\u00f5es\u201d, conclui Rosa. \u00a0<\/p>\n<p>Os dados do <a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/\">MapBiomas<\/a> est\u00e3o dispon\u00edveis para consulta de forma gratuita\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/2024\/08\/21\/em-2023-a-perda-de-areas-naturais-no-brasil-atinge-a-marca-historica-de-33-do-territorio\/\">em plataforma digital<\/a>.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo MapBiomas, \u00e1rea de pastagem expandiu 79%, e de agricultura cresceu 228% nos \u00faltimos 39 anos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1255,1111,560,389,1096,452,1781,777,305,705,904,1381,1508,1510,1080,1838,710,1854,1749,961,1099,1921,920,2026,741,1493,1604,345,381,288,1632,1831,431,1212,202,709,480,824,289,2042,1235,852,590,814,432,1718,1999,584,1677],"class_list":["post-238786","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-acoes","tag-agricultura","tag-agronegocio","tag-alimentos","tag-alimentos-saudaveis","tag-amazonia","tag-bahia","tag-brasil","tag-chuva","tag-consulta","tag-crescimento","tag-dados","tag-debate","tag-desenvolvimento","tag-desenvolvimento-agricola","tag-desmatamento","tag-emergencia","tag-emergencia-climatica","tag-empreendimentos","tag-estados","tag-estudo","tag-expansao","tag-exportacao","tag-fogo","tag-fome","tag-governo","tag-ia","tag-lei","tag-maranhao","tag-mato-grosso","tag-mercado","tag-mercado-de-carbono","tag-mst","tag-mudancas","tag-mudancas-climaticas","tag-municipios","tag-ocupacao","tag-pecuaria","tag-pesquisa","tag-planejamento","tag-prazos","tag-producao","tag-producao-de-alimentos","tag-queda","tag-reforma-agraria","tag-relatorio","tag-seca","tag-trabalhadores","tag-uso"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/238786","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=238786"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/238786\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=238786"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=238786"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=238786"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}