{"id":241492,"date":"2024-09-03T21:05:06","date_gmt":"2024-09-03T21:05:06","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=241492"},"modified":"2024-09-03T21:05:06","modified_gmt":"2024-09-03T21:05:06","slug":"repressao-na-regiao-central-de-sp-aumenta-com-subprefeituras-militarizadas-denunciam-ambulantes-e-populacao-em-situacao-de-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=241492","title":{"rendered":"Repress\u00e3o na regi\u00e3o central de SP aumenta com subprefeituras militarizadas, denunciam ambulantes e popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>Correr dos agentes da <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/05\/05\/gcm-intimida-a-doacao-de-marmitas-pelo-mtst-no-centro-de-sp-pelo-terceiro-dia-consecutivo\">Guarda Civil Metropolitana (GCM)<\/a> com os pertences na m\u00e3o j\u00e1 faz parte da rotina de Ediv\u00e2nia Maria da Silva. Entre alguns per\u00edodos curtos vivendo em ocupa\u00e7\u00f5es, a mulher de pouco mais de 50 anos conta que, dos \u00faltimos 30, passou a maior parte do tempo na rua.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco tempo, perdeu uma filha de tr\u00eas anos, diagnosticada com um linfoma no intestino. Enquanto estava com a crian\u00e7a no hospital, ela recebeu a not\u00edcia de que um inc\u00eandio havia atingido a ocupa\u00e7\u00e3o em que vivia, em um edif\u00edcio na regi\u00e3o da Santa Efig\u00eania, o que a fez retornar a vida nas ruas da capital.<\/p>\n<p>M\u00e3e de outros sete filhos, ela conta que hoje todos est\u00e3o &#8220;espalhados&#8221; pela cidade, morando em ocupa\u00e7\u00f5es. Atualmente, ela tenta ter uma op\u00e7\u00e3o de renda vendendo balas e \u00e1gua pelo centro de S\u00e3o Paulo, mas denuncia a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/12\/28\/sem-ordem-judicial-guarda-municipal-e-pm-reprimem-ocupacao-em-sp-familias-travam-rodovia-e-permanecem\">trucul\u00eancia dos fiscais e da GCM<\/a> no recolhimento de suas mercadorias. &#8220;A gente n\u00e3o tem nada e quando tem, levam. A gente vai ter o qu\u00ea? Se a gente tem um documento, se a gente tem uma roupa levam, ent\u00e3o a gente vai sobreviver de qu\u00ea?&#8221;, questiona.<\/p>\n<\/p>\n<p>Ediv\u00e2nia \u00e9 uma das cidad\u00e3s atendidas pela subprefeitura da S\u00e9, comandada pelo ex-comandante-geral da PM, Coronel Camilo, que abrange oito distritos do centro de S\u00e3o Paulo \u2013 Bela Vista, Bom Retiro, Cambuci, Consola\u00e7\u00e3o, Liberdade, Rep\u00fablica, Santa Cec\u00edlia e S\u00e9.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o \u00e9 palco da sensa\u00e7\u00e3o de &#8220;inseguran\u00e7a&#8221; dos paulistanos, por um lado e, por outro, local de conflitos entre a GCM, trabalhadores e <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/02\/22\/populacao-em-situacao-de-rua-aumenta-17-vezes-em-sao-paulo\">pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social<\/a>. O cen\u00e1rio, de acordo com moradores da regi\u00e3o, vem se intensificando nos \u00faltimos anos com a militariza\u00e7\u00e3o das guardas.<\/p>\n<p>O subdistrito da S\u00e9 \u2013 que est\u00e1 dentro da subprefeitura de mesmo nome \u2013 apresenta o maior \u00edndice de agress\u00f5es por interven\u00e7\u00e3o policial entre os 96 distritos da cidade de S\u00e3o Paulo, de acordo com o \u00faltimo Mapa da Desigualdade da Cidade de S\u00e3o Paulo, divulgado em 2023. Em seguida, est\u00e3o os distritos de Santa Cec\u00edlia, Bom Retiro, Br\u00e1s e Barra Funda, respectivamente.<\/p>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o da Barra Funda, todos os distritos citados acima fazem parte da subprefeitura da S\u00e9 ou da Mooca, esta tamb\u00e9m chefiada por um militar, o coronel Marcus Vin\u00edcius Val\u00e9rio, oficial da Reserva Pol\u00edcia Militar do Estado de S\u00e3o Paulo. As duas s\u00e3o as \u00fanicas comandadas por militares dentre as 32 subprefeituras.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da administra\u00e7\u00e3o militar nos postos de comando das subprefeituras, s\u00e3o marcas da gest\u00e3o do prefeito <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/08\/14\/ricardo-nunes-cumpre-apenas-41-8-das-metas-como-prefeito-de-sao-paulo\">Ricardo Nunes<\/a> (MDB) a militariza\u00e7\u00e3o da GCM e a intensifica\u00e7\u00e3o da chamada Opera\u00e7\u00e3o Delegada. Nessa a\u00e7\u00e3o, PMs trabalham na cidade durante as folgas para coibir o com\u00e9rcio irregular e s\u00e3o pagos pelo munic\u00edpio.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Eles batem nos idosos e espancam as pessoas quando a gente n\u00e3o entrega tudo o que eles querem. A gente fica morando na rua, desempregado. Muitos querem vender \u00e1gua, bala, muitos querem sobreviver, como viver nessa vida&#8221;, indaga novamente Ediv\u00e2nia ao se referir \u00e0s dificuldades de comercializar produtos b\u00e1sicos na rua.<\/p>\n<p>\u00c9 perto da esta\u00e7\u00e3o da Consola\u00e7\u00e3o e da Arm\u00eania que saem &#8220;levando tudo&#8221;, diz Eliene Santos da Silva. Ela n\u00e3o est\u00e1 mais em situa\u00e7\u00e3o de rua e vive no Bom Retiro. Hoje trabalha no Programa Opera\u00e7\u00e3o Trabalho PopRua, um programa da Prefeitura de S\u00e3o Paulo que oferta oportunidades de emprego para a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua da capital paulista.\u00a0<\/p>\n<p>Eliene combina essa atividade com a venda de produtos na Marginal Tiet\u00ea e conta que a repress\u00e3o \u00e9 constante. &#8220;Eles n\u00e3o querem saber se a pessoa est\u00e1 ali dormindo, se est\u00e1 frio, eles pegam, botam no caminh\u00e3o e saem levando as mercadorias. N\u00e3o respeitam a gente, puxam a arma. Se voc\u00ea n\u00e3o quiser dar o carrinho, eles puxam a arma. &#8216;Se correr, vou atirar&#8217;, eles dizem. \u00c9 muito sofrido para a gente&#8221;, desabafa.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Para haver a\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, precisa que os coron\u00e9is deixem o seu coronelado&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es truculentas se acentuaram nos \u00faltimos anos com o ingresso de militares no comando das subprefeituras da S\u00e9 e da Mooca, aponta Robson C\u00e9sar Correia de Mendon\u00e7a, presidente do Movimento Estadual da Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua de S\u00e3o Paulo. Ele organiza a entrega de 3,6 mil refei\u00e7\u00f5es diariamente na Unidade de Acolhimento Amor \u00e0 Vida, espa\u00e7o inaugurado com apoio da Prefeitura de S\u00e3o Paulo e que disponibiliza tamb\u00e9m 300 camas para as pessoas que vivem em situa\u00e7\u00e3o de rua na regi\u00e3o central da capital paulista.<\/p>\n<p>Apesar de reconhecer a abertura de di\u00e1logo com a atual gest\u00e3o, que resultou na abertura do espa\u00e7o na Rua General Carneiro, ele critica veemente as a\u00e7\u00f5es violentas do &#8216;rapa&#8217; ao recolher pertences. <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/08\/28\/quando-tiram-cobertor-e-dizer-morra-diz-lider-da-populacao-de-rua-sobre-acoes-da-prefeitura-de-sao-paulo-em-meio-ao-frio\">&#8220;Quando tiram cobertor em uma baixa temperatura, \u00e9 dizer: &#8216;morra, porque para n\u00f3s voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 nada'&#8221;<\/a>, pontua a lideran\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p>Ele revela que o &#8216;rapa&#8217; n\u00e3o vem respeitando o decreto <a href=\"http:\/\/legislacao.prefeitura.sp.gov.br\/leis\/decreto-59246-de-28-de-fevereiro-de-2020\">N\u00ba 59.246<\/a>, de 28 de fevereiro de 2020, publicado pela Secretaria Municipal das Subprefeituras. A norma disp\u00f5e sobre os procedimentos e o tratamento dado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua durante as a\u00e7\u00f5es de zeladoria urbana.<\/p>\n<p>&#8220;O decreto diz que primeiro tem que haver um di\u00e1logo, tem que se avisar o hor\u00e1rio e o dia que ela vai passar. Isso n\u00e3o ocorre. Que tem que entregar o lacre tamb\u00e9m n\u00e3o ocorre. \u00c0s vezes tomam um carrinho de mercado dizendo que \u00e9 produto de um furto. Quando eles falam isso a\u00ed, eles est\u00e3o cometendo uma grande infra\u00e7\u00e3o contra a lei, porque para haver um furto, tem que haver um BO [Boletim de Ocorr\u00eancia] sobre aquele produto. Quando n\u00e3o h\u00e1 um BO sobre um carrinho de mercado, ele acusa a pessoa de ter roubado, seja um carrinho, seja um celular, seja o que for, e n\u00e3o existe nenhum registro contra isso, \u00e9 cal\u00fania contra esse cidad\u00e3o&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o dele, as a\u00e7\u00f5es truculentas v\u00e3o em sentido contr\u00e1rio \u00e0 ideia de uma pol\u00edcia comunit\u00e1ria. &#8220;Acham que para ser observado, para ser respeitado, tem que se impor. N\u00e3o temos uma pol\u00edcia pacificadora, n\u00e3o temos uma pol\u00edcia protetora, apesar de como diz na viatura da GCM: protetora, aliada e amiga. Mas a\u00ed eu fa\u00e7o a pergunta. De quem? Se ajudam a levar as coisas da popula\u00e7\u00e3o, est\u00e3o sendo coniventes com o descumprimento de um decreto. Ent\u00e3o h\u00e1 essa quest\u00e3o militarista, as a\u00e7\u00f5es v\u00e3o ser militaristas e n\u00e3o humanit\u00e1rias. Para haver a\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, precisa que os coron\u00e9is deixem o seu coronelado de lado e assumam o seu papel de cidad\u00e3os.&#8221;<\/p>\n<p>Guaracy Mingardi, que \u00e9 ex-policial civil e integrante do <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/07\/18\/mortes-violentas-no-brasil-diminuem-3-4-em-2023-segundo-anuario-brasileiro-de-seguranca-publica\">F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/a>, explica que n\u00e3o \u00e9 incomum a presen\u00e7a de militares nas subprefeituras paulistanas, o que pode acarretar em um desvio de fun\u00e7\u00e3o de um subprefeito.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea escolher um coronel para colocar em uma subprefeitura, porque ele cuida de seguran\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o da subprefeitura, essa \u00e9 talvez a menor das fun\u00e7\u00f5es da subprefeitura. A subprefeitura tem cuidar da cidade, tem cuidar da popula\u00e7\u00e3o dali, melhorar o n\u00edvel de vida da popula\u00e7\u00e3o. Cuidar de buraco ver onde falta a luz, \u00e9 o contato direto com a popula\u00e7\u00e3o. Na subprefeitura, voc\u00ea teria que ter gente ajudando a fazer o trabalho da pol\u00edcia comunit\u00e1ria&#8221;, explica Mingardi.<\/p>\n<p>O especialista fala sobre qual deveria ser o papel da guarda municipal na sua atua\u00e7\u00e3o local, e por que os agentes deveriam fazer o policiamento comunit\u00e1rio. Esse trabalho hoje \u00e9 feito pela PM na regi\u00e3o do Br\u00e1s dentro da Opera\u00e7\u00e3o Delegada.<\/p>\n<p>&#8220;A Prefeitura vai definir tanto o policiamento de uma \u00e1rea como o que vai mexer na urbaniza\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, juntando essas duas coisas, voc\u00ea pode melhorar, por isso \u00e9 importante ter a Guarda Municipal, que tem um caminho direto para falar com a Prefeitura. O policiamento comunit\u00e1rio implica em falar com as pessoas, saber o que est\u00e1 acontecendo, ouvir as reclama\u00e7\u00f5es e passar adiante para resolver aquilo&#8221;, completa.<\/p>\n<p><strong>Opera\u00e7\u00e3o Delegada e ambulantes do Br\u00e1s<\/strong><\/p>\n<p>O corre-corre de trabalhadores ambulantes que comercializam produtos no Largo da Conc\u00f3rdia, no Br\u00e1s, localizado no centro expandido, \u00e9 cada vez menor. Isso porque o local que abrigava dezenas de barracas agora d\u00e1 lugar ao vazio e ao tr\u00e2nsito de policiais militares, que fazem rondas peri\u00f3dicas na pra\u00e7a, assim como pedestres que saem ou entram em um dos acessos da esta\u00e7\u00e3o Br\u00e1s.\u00a0<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que quase n\u00e3o h\u00e1 mais com\u00e9rcio ambulante no local, a viol\u00eancia contra os trabalhadores que procuram novos pontos de venda no mesmo bairro n\u00e3o para de aumentar, segundo relatos obtidos pela reportagem, que esteve no local em novembro de 2023 e em agosto deste ano.<\/p>\n<p>&#8220;Policial aqui n\u00e3o tem regra, ele usa a regra da conveni\u00eancia dele, puxa a arma, botam os trabalhadores deitados e botam o p\u00e9 em cima do pesco\u00e7o dos trabalhadores, jogam spray de pimenta s\u00f3 em voc\u00ea filmar a opera\u00e7\u00e3o. Eles d\u00e3o pancada na cabe\u00e7a do trabalhador. Tomam mercadoria, colocam dentro das viaturas, sem lacres, sem nada, \u00e9 um horror&#8221;, diz o vendedor ambulante Jos\u00e9 Pedro dos Santos Neto.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o prefeito Ricardo Nunes, s\u00e3o investidos R$ 1 milh\u00e3o de reais por dia na chamada Opera\u00e7\u00e3o Delegada. &#8220;Realmente na Opera\u00e7\u00e3o Delegada n\u00f3s t\u00ednhamos 400 policiais militares. Hoje s\u00e3o 2,4 mil policiais militares atuando na cidade de S\u00e3o Paulo. Nosso investimento \u00e9 de R$ 1 milh\u00e3o de reais por dia nessa opera\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de ter ampliado tamb\u00e9m 2 mil guardas civis metropolitanos&#8221;, disse o prefeito durante debate transmitido pelo jornal <em>Estad\u00e3o<\/em>.\u00a0<\/p>\n<p>O valor gasto na Opera\u00e7\u00e3o Delegada em cinco meses \u00e9 o equivalente a todo o or\u00e7amento previsto para a Subprefeitura da S\u00e9 em 2024. Segundo dados da gest\u00e3o municipal, o montante previsto para o \u00f3rg\u00e3o \u00e9 de R$ 126,78 milh\u00f5es, enquanto foram investidos ao menos R$ 150 milh\u00f5es com a opera\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/66f7fb2fb126b81a9de127b3c2689f1e.webp\"><br \/>\n&#8220;Camel\u00f4 n\u00e3o \u00e9 ladr\u00e3o, e sim profiss\u00e3o&#8221; foi o mote do protesto dos ambulantes nesta ter\u00e7a-feira (3) na regi\u00e3o do Br\u00e1s \/ Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos<\/p>\n<p>Questionar o alto custo da opera\u00e7\u00e3o foi um dos motivos que levaram os trabalhadores ambulantes da regi\u00e3o do Br\u00e1s a ocupar o Largo da Conc\u00f3rdia nesta ter\u00e7a feira (3). Com o lema &#8220;Camel\u00f4 n\u00e3o \u00e9 ladr\u00e3o, e sim profiss\u00e3o&#8221;, eles denunciaram a repress\u00e3o levada a cabo por policiais militares na regi\u00e3o central.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muita grana por dia, 30 milh\u00f5es por m\u00eas para ficar atr\u00e1s de ambulante, atr\u00e1s de pessoa que est\u00e1 ali para ganhar o p\u00e3o. Quando a gente passa na rua, os ambulantes, que n\u00e3o tem o documento, falam: &#8216;me ajuda&#8217;. A pol\u00edcia vem, retira, eles jogam no lixo, quebram. Ent\u00e3o fica um desespero danado\u201d, afirma Jos\u00e9 Gomes da Silva, presidente do Sindicato dos Permission\u00e1rios (Sinpesp).<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Nilo Anuncia\u00e7\u00e3o, ambulante e presidente da Uni\u00e3o Nacional dos Deficientes F\u00edsicos, diz ter dificuldades no di\u00e1logo com o subprefeito da S\u00e9. &#8220;Digamos que o subprefeito da regional S\u00e9, por exemplo, que \u00e9 o capit\u00e3o Coronel Camilo, ele n\u00e3o recebe a gente. Fizemos v\u00e1rias tentativas, ele manda o subordinado dele, e acaba n\u00e3o resolvendo nada. Eu acho que existe at\u00e9 um certo deboche quando a gente participa de reuni\u00e3o. O aumento [da viol\u00eancia] veio mais dessa gest\u00e3o do militarismo. Depois que eles assumiram, a coisa ficou bem mais dif\u00edcil. As a\u00e7\u00f5es deles s\u00e3o muito duras, inclusive com as pessoas que mais necessitam da sociedade.&#8221;<\/p>\n<p>Em paralelo a isso, a falta de formaliza\u00e7\u00e3o do trabalho dos ambulantes, que j\u00e1 n\u00e3o conseguem mais adquirir o chamado Termo de Permiss\u00e3o de Uso (TPU), e as dificuldades de acesso no programa <em>T\u00f4 Legal<\/em>, destinado \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o de vendedores ambulantes na capital. v\u00eam criando um cen\u00e1rio de desespero e de ilegalidades na regi\u00e3o, diz Jos\u00e9 Pedro.<\/p>\n<p>&#8220;Os trabalhadores est\u00e3o chegando no limite e quando os trabalhadores chegam nesse limite, que falta o p\u00e3o de cada dia em casa, ningu\u00e9m pode saber o que pode acontecer. Aqui mesmo no Br\u00e1s, na feira da madrugada, tem algumas ruas em que podem trabalhar, onde est\u00e3o trabalhando \u00e9 porque est\u00e3o pagando propina e outras que se negam, n\u00e3o trabalham&#8221;, pontua o trabalhador.<\/p>\n<p>Na mesma linha, a vendedora ambulante Lhayss Rodrigues de Sousa, diz que a pr\u00e1tica de propina para autorizar a venda dos produtos dos ambulantes na regi\u00e3o do Br\u00e1s \u00e9 corriqueira. &#8220;Eles querem oprimir a gente para pagar propina, para ganhar de alguma forma e quando a gente vai em reuni\u00f5es com a Prefeitura, com a subprefeitura, fica bem claro que eles n\u00e3o querem uma negocia\u00e7\u00e3o para deixar a gente trabalhar, ou formalizar uma lei, ou pol\u00edtica p\u00fablica que possa entender o do lado e se formalizar isso.&#8221;<\/p>\n<p>A revitaliza\u00e7\u00e3o do centro e a atua\u00e7\u00e3o da Prefeitura est\u00e3o conectadas, diz Jos\u00e9 Pedro. &#8220;\u00c9 uma l\u00f3gica de poder, de limpeza de um povo trabalhador que vive, que quer ter acesso m\u00ednimo ao centro, seja para ganhar o seu p\u00e3o de cada dia, seja para morar, seja para participar.&#8221;<\/p>\n<p><strong>O que diz a Prefeitura e a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de SP<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>Brasil de Fato<\/strong> entrou em contato com a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo questionando se h\u00e1 alguma investiga\u00e7\u00e3o aberta acerca da conduta de policiais militares que agiram com truculencia contra ambulantes no centro de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>A reportagem questionou tamb\u00e9m a SSP sobre quem \u00e9 respons\u00e1vel por fiscalizar o trabalho dos PMs da Opera\u00e7\u00e3o Delegada e se seria permitido retirar as mercadorias dos trabalhadores ambulantes sem a presen\u00e7a de fiscais da prefeitura de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A SSP retornou pedindo detalhes sobre os fatos perguntados pelo <strong>Brasil de Fato<\/strong>, informando que n\u00e3o era poss\u00edvel apurar com precis\u00e3o a partir de &#8220;dados gen\u00e9ricos&#8221;.<\/p>\n<p>A reportagem, ent\u00e3o, encaminhou quatro v\u00eddeos enviados por trabalhadores ambulantes mostrando excessos cometidas pelos PMs em abordagens no centro de S\u00e3o Paulo, mas a SSP-SP n\u00e3o retornou. O espa\u00e7o segue aberto.\u00a0<\/p>\n<p>Em nota, a Prefeitura de S\u00e3o Paulo informa que atua para que as regras naquela regi\u00e3o sejam cumpridas, conforme prev\u00ea a legisla\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>A Secretaria Municipal de Seguran\u00e7a Urbana (SMSU) informou tamb\u00e9m que a Guarda Civil Metropolitana n\u00e3o possui rela\u00e7\u00e3o com a &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Acolhida&#8221;, citada pela reportagem.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regi\u00e3o central \u00e9 palco de a\u00e7\u00f5es truculentas da GCM e da PM: &#8216;\u00e9 uma l\u00f3gica de poder, de limpeza&#8217;, diz trabalhador<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1255,2046,777,562,476,1464,1381,1508,1561,626,659,255,2024,999,1375,309,345,1298,1632,374,384,480,870,169,303,170,1244,1539,1892,1562,1463,549,966,1516,136,1983,551,584,415,960,1677],"class_list":["post-241492","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-acoes","tag-agosto","tag-brasil","tag-comercio","tag-conflitos","tag-custo","tag-dados","tag-debate","tag-decreto","tag-emprego","tag-filhos","tag-geral","tag-incendio","tag-intervencao","tag-investimento","tag-legislacao","tag-lei","tag-mapa","tag-mercado","tag-militares","tag-mulher","tag-ocupacao","tag-orcamento","tag-pm","tag-policia","tag-policia-militar","tag-presidente","tag-produtos","tag-protesto","tag-regras","tag-regularizacao","tag-renda","tag-reuniao","tag-ricardo-nunes","tag-sao-paulo","tag-seguranca","tag-trabalhador","tag-trabalhadores","tag-trabalho","tag-uniao","tag-uso"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/241492","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=241492"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/241492\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=241492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=241492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=241492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}