{"id":244295,"date":"2024-09-05T18:27:32","date_gmt":"2024-09-05T18:27:32","guid":{"rendered":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=244295"},"modified":"2024-09-05T18:27:32","modified_gmt":"2024-09-05T18:27:32","slug":"da-amazonia-ao-rs-entenda-a-crise-climatica-que-atinge-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=244295","title":{"rendered":"Da Amaz\u00f4nia ao RS: entenda a crise clim\u00e1tica que atinge o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>Enquanto Maur\u00edcio da Silva, 28 anos, morador da comunidade de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, em Porto Velho, luta pela instala\u00e7\u00e3o de po\u00e7os artesianos que possam garantir o acesso m\u00ednimo \u00e0 \u00e1gua, que est\u00e1 minguando no <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/07\/30\/ana-declara-situacao-de-escassez-hidrica-nos-rios-madeira-e-purus\">Rio Madeira<\/a>,\u00a0Marisa Wassem sofre em Arroio do Meio (RS) com a espera da reconstru\u00e7\u00e3o da sua casa, destru\u00edda pela for\u00e7a das \u00e1guas que atingiram o <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/09\/03\/apos-um-ano-da-primeira-enchente-moradores-do-vale-do-taquari-ainda-aguardam-por-um-novo-lar\">Vale do Taquari<\/a> no \u00faltimo m\u00eas de maio. Ambos passam por situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade relacionadas \u00e0s\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/05\/18\/bem-viver-como-reagir-as-tragedias-climaticas-acontecendo-no-planeta\">mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/a>, que cada vez mais se intensificam e afetam, especialmente as popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas das diferentes regi\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, dezenas de munic\u00edpios j\u00e1 decretaram estado de emerg\u00eancia por conta dos rios em n\u00edveis baixos hist\u00f3ricos. H\u00e1 comunidades inteiras isoladas e com dif\u00edcil acesso a alimentos e \u00e1gua pot\u00e1vel. O tempo seco contribuiu, ainda, para a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/09\/04\/como-mudancas-climaticas-impulsionam-incendios-no-brasil\">prolifera\u00e7\u00e3o das queimadas<\/a>, que destroem florestas e planta\u00e7\u00f5es e poluem o ar. Os extremos, por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e3o restritos \u00e0 regi\u00e3o. Entre o Norte e o Sul, todas as regi\u00f5es sofrem em algum n\u00edvel com o calor desproporcional, tempestades, queimadas ou secas severas.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o Centro de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden), o Brasil vive a pior seca da sua hist\u00f3ria recente. Paralelo a isso, h\u00e1 tr\u00eas meses o RS registrou a pior <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/topicos\/enchentes-no-rs\">enchente<\/a> da hist\u00f3ria do estado.\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com dados do <a href=\"https:\/\/monitordesecas.ana.gov.br\/mapames=7&amp;ano=2024\">Monitor de Secas<\/a>,\u00a0cerca de 200 munic\u00edpios continuam em condi\u00e7\u00e3o de seca extrema, com destaque para S\u00e3o Paulo (82 munic\u00edpios), Minas Gerais (52), Goi\u00e1s (12), Mato Grosso do Sul (8) e Mato Grosso. Conforme aponta o <a href=\"https:\/\/monitordesecas.ana.gov.br\/mapames=7&amp;ano=2024\">Monitor de Secas<\/a>, o\u00a0 Amazonas lidera a \u00e1rea total com seca de julho, seguido por Par\u00e1, Mato Grosso, Minas Gerais e Bahia. No total, entre junho e julho, a \u00e1rea com o fen\u00f4meno aumentou de 5,96 milh\u00f5es para 7,04 milh\u00f5es de km\u00b2, o equivalente a 83% do territ\u00f3rio brasileiro.\u00a0O Rio Grande do Sul se mant\u00e9m livre de seca h\u00e1 dez meses consecutivos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apoia.se\/brasildefators_enchentes\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.brasildefato.com.br\/assets\/7f79d3d45758c62a8dbbe78cfa5148e4.gif\"><\/a><\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Eventos clim\u00e1ticos extremos: O novo &#8220;normal&#8221; do Brasil\u00a0<\/p>\n<p>Para a pesquisadora Nina Moura, a rela\u00e7\u00e3o entre as inunda\u00e7\u00f5es devastadoras no Rio Grande do Sul e o desmatamento na Amaz\u00f4nia faz sentido, tendo em vista que todas as din\u00e2micas atmosf\u00e9ricas est\u00e3o conectadas. Professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a especialista explica como os desastres do Sul, as queimadas do Sudeste e as secas do Norte do pa\u00eds est\u00e3o interligadas.\u00a0<\/p>\n<p>A ge\u00f3loga explica que estamos sob as varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do El Ni\u00f1o, que nada mais \u00e9 do que o aquecimento das \u00e1guas. Esse fen\u00f4meno ocorre normalmente duas vezes a cada 10 anos, tendo geralmente uma dura\u00e7\u00e3o de 18 meses. &#8220;Por\u00e9m, veja bem, se quando a \u00e1gua aquece mais r\u00e1pido ela evapora, mais carregadas as nuvens ficam.&#8221; Ent\u00e3o, segundo Nina, o El Ni\u00f1o teve suas caracter\u00edsticas intensificadas pelos gases de efeito estufa. Isso somado aos eventos clim\u00e1ticos naturais, causou o resultado que vimos nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 tudo relacionado. Temos o El Ni\u00f1o e ao mesmo tempo uma frente fria, que normalmente vem do Sul em dire\u00e7\u00e3o ao Norte, encontrou uma press\u00e3o extremamente quente no Sudeste e n\u00e3o teve for\u00e7a de avan\u00e7ar, ficando estabilizada no Rio Grande do Sul. Ent\u00e3o, tudo que tinha que chover no Sudeste ou no Nordeste do pa\u00eds ficou barrado por uma grande massa de ar quente. Ou seja, a precipita\u00e7\u00e3o que deveria ter sido distribu\u00edda por outras partes do pa\u00eds se concentrou nessa regi\u00e3o aqui do Rio Grande do Sul.&#8221;<\/p>\n<p>Isso explica porque os brasileiros t\u00eam vivido os eventos naturais de maneira t\u00e3o violenta. A professora ainda alerta que essa massa quente de ar do Sudeste, que impediu o avan\u00e7o da frente fria, \u00e9 um exemplo dessa rela\u00e7\u00e3o entre o aquecimento global no clima e a intensifica\u00e7\u00e3o de desastres naturais. &#8220;O sistema atmosf\u00e9rico n\u00e3o cria uma situa\u00e7\u00e3o individual para cada ponto, elas est\u00e3o articuladas.&#8221;<\/p>\n<p>Por isso, o desmatamento compromete a capacidade das florestas de regular o clima em todo o continente e n\u00e3o s\u00f3 na Amaz\u00f4nia. A consequ\u00eancia \u00e9 a intensifica\u00e7\u00e3o de eventos extremos, como as chuvas intensas que se transformaram em tempestade e, posteriormente, em <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/topicos\/enchentes-no-rs\">enchentes<\/a>, tirando a vida de centenas de pessoas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Amaz\u00f4nia, a floresta que alimenta o mundo\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/8bf4189e76cf473a6b6e88c1bce32e65.webp\"><br \/>\nO desmatamento compromete a capacidade das florestas de regular o clima em todo o continente e n\u00e3o s\u00f3 na Amaz\u00f4nia \/ Fonte: Minist\u00e9rio do Meio Ambiente\/Adriano Gambarini<\/p>\n<p>Para Luciana Gatti, cientista de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e coordenadora do Laborat\u00f3rio de Gases de Efeito Estufa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), existem grandes varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Por isso, sua equipe de pesquisa se concentrou, nos \u00faltimos anos, em analisar os fatores que determinam essa diferen\u00e7a. &#8220;Analisamos o que aconteceu nos \u00faltimos 40 anos na Amaz\u00f4nia e calculamos quanto cada uma das \u00e1reas estava desmatada. E a\u00ed a gente viu uma correla\u00e7\u00e3o muito estreita entre mais desmatamento e perda de chuva e aumento de temperatura, principalmente durante os meses de agosto, setembro e outubro&#8221;, explica Luciana.<\/p>\n<p>Esses resultados, segundo a cientista, s\u00e3o a prova da conex\u00e3o entre vegeta\u00e7\u00e3o e controle do clima. &#8220;O desmatamento reduz a chuva. Isso \u00e9 meio \u00f3bvio, porque a \u00e1rvore joga vapor de \u00e1gua na atmosfera. A floresta joga pra atmosfera uma quantidade de \u00e1gua parecida com a que o rio Amazonas joga no oceano todo dia. \u00c9 uma quantidade imensa de \u00e1gua. Voc\u00ea consegue imaginar o rio Amazonas desaguando pra cima&#8221;<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o da chuva, L\u00facia garante que o desmatamento \u00e9 o grande respons\u00e1vel pelo aumento da temperatura na regi\u00e3o. &#8220;A \u00e1gua, para sair do estado l\u00edquido (o estado em que ela est\u00e1 no solo) e se transformar em vapor na atmosfera, ou seja, para mudar de estado f\u00edsico, ela precisa de energia na forma de calor. Por exemplo: para ferver uma \u00e1gua, voc\u00ea precisa botar fogo, tem que dar calor para ela. Ent\u00e3o, quando a \u00e1gua est\u00e1 fazendo esse processo, ela est\u00e1 fazendo a temperatura esfriar, porque a \u00e1gua que est\u00e1 virando vapor, est\u00e1 consumindo energia na forma do calor na Amaz\u00f4nia&#8221;, diz Luciana.<\/p>\n<p>&#8220;Quando diminui a quantidade de \u00e1rvores na floresta, consequentemente esse processo \u00e9 desacelerado e a temperatura sobe. Ent\u00e3o, assim, o Sudeste da Amaz\u00f4nia, em especial, virou uma fonte de carbono, porque l\u00e1 as temperaturas est\u00e3o extremamente altas e tem um d\u00e9ficit de vapor de \u00e1gua muito importante concentrado em cima dessa regi\u00e3o&#8221;, explica.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Para Luciana, as condi\u00e7\u00f5es de vida no pa\u00eds dependem de uma transforma\u00e7\u00e3o significativa no modelo econ\u00f4mico e nas prioridades dos investimentos p\u00fablicos. &#8220;A gente precisava declarar morat\u00f3ria da soja e priorizar projetos de restaura\u00e7\u00e3o florestal l\u00e1, mas o governo do estado do Mato Grosso est\u00e1 fazendo o oposto. Est\u00e1 entregando pra desmatamento, pra minera\u00e7\u00e3o, pra soja. Os caras s\u00f3 querem saber de dinheiro. S\u00f3 que o pr\u00f3prio agroneg\u00f3cio vai quebrar, porque n\u00e3o existe agricultura sem \u00e1gua, sem chuva&#8221;, destaca.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Qual \u00e9 o caminho?<\/p>\n<p>Luciana aproveita para apontar um caminho seguro a ser seguido no combate a futuros desastres. Segundo ela, mais do que se adaptar \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e9 urgente combat\u00ea-las, com medidas imediatas de conserva\u00e7\u00e3o ambiental e reflorestamento, tanto na Amaz\u00f4nia como nas encostas ribeirinhas do Rio Grande do Sul. S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel proteger n\u00e3o apenas a sociobiodiversidade na floresta, mas tamb\u00e9m moradores de regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>A cientista tamb\u00e9m defendeu a ideia de que o agroneg\u00f3cio, que \u00e9 o setor que se desenvolve com o desmatamento florestal, deveria indenizar o Brasil. &#8220;Na conta, s\u00f3 entra o tanto de dinheiro l\u00e1 da balan\u00e7a comercial. Se os caras colocassem na conta quanto que eles n\u00e3o pagam imposto, o quanto pegam de empr\u00e9stimo a juros baix\u00edssimos, o quanto custa para o Estado brasileiro reparar os estragos dos eventos extremos, das secas e das <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/topicos\/enchentes-no-rs\">enchentes<\/a>, a gente veria que esse agro d\u00e1 muito preju\u00edzo pro Brasil. Fora as mortes, que n\u00e3o temos como precificar o que elas significam pra nossa sociedade. Ent\u00e3o, por que insistimos em investir tantos recursos em monocultura&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>Para Elisa, \u00e9 esse tipo de questionamento que o MAB vai levar para as ruas nessa quinta-feira (5). &#8220;Queremos que o Poder P\u00fablico, em suas diversas inst\u00e2ncias, olhe para a demanda da popula\u00e7\u00e3o e invista em projetos que protejam a vida dos atingidos&#8221;, afirma.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">O que pensam os atingidos clim\u00e1ticos?\u00a0<\/p>\n<p>No dia 5 de setembro, que marca o Dia da Amaz\u00f4nia, atingidos de todo o Brasil v\u00e3o \u00e0s ruas para reivindicar a prote\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais da popula\u00e7\u00e3o diante dos impactos causados pelo atual modelo econ\u00f4mico e o desmatamento em diferentes territ\u00f3rios do pa\u00eds, de Rond\u00f4nia (RO) a Porto Alegre (POA).\u00a0<\/p>\n<p>Organizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/09\/05\/dia-da-amazonia-mab-organiza-atos-por-medidas-contra-queimadas-nesta-quinta-5\">jornada de lutas<\/a> ter\u00e1 como lema &#8220;Salve a Amaz\u00f4nia! Somos todos atingidos!&#8221; para denunciar os impactos causados pela devasta\u00e7\u00e3o da maior floresta tropical do mundo.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/28ac0f7397376097d47fbd31d68af888.webp\"><br \/>\n&#8220;A floresta joga pra atmosfera uma quantidade de \u00e1gua parecida com a que o rio Amazonas joga no oceano todo dia. \u00c9 uma quantidade imensa de \u00e1gua&#8221; \/ Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Tadeu Rocha\/FAS<\/p>\n<p>&#8220;O drama se repete a cada ano, mas agora parece que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 pior. Os pescadores j\u00e1 desistiram de tentar pescar. Na minha comunidade, os po\u00e7os t\u00eam cada vez menos \u00e1gua e, em breve, o transporte j\u00e1 fica arriscado, porque o rio est\u00e1 com um pouco mais de um metro de profundidade&#8221;, relata Maur\u00edcio, um dos atingidos que ir\u00e1 participar dos atos do MAB em Porto Velho (RO).<\/p>\n<p>Segundo Elisa Estronioli, integrante da coordena\u00e7\u00e3o do MAB, a nova realidade a que os atingidos est\u00e3o submetidos com a crise clim\u00e1tica n\u00e3o s\u00f3 agrava a situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a pr\u00f3ximo \u00e0s estruturas de barragens, mas tamb\u00e9m produz atingidos pela expans\u00e3o dos projetos relacionados \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e piora as condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora diante das cat\u00e1strofes ambientais.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;O modelo econ\u00f4mico adotado no Brasil tem, ao longo dos anos, provocado uma enorme concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e ampliado as desigualdades socioespaciais, de classe, raciais e de g\u00eanero. As popula\u00e7\u00f5es atingidas por barragens, por grandes obras em geral, historicamente s\u00e3o v\u00edtimas desse processo. Com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, essas popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o &#8216;duplamente atingidas&#8217;, pois est\u00e3o em maior inseguran\u00e7a devido a riscos de rompimentos, deslizamentos, enchentes e, tamb\u00e9m, sofrendo o drama das secas extremas&#8221;, afirma Elisa.<\/p>\n<p>A dirigente refor\u00e7a que as trag\u00e9dias recorrentes em todo o territ\u00f3rio nacional demonstram que \u00e9 urgente uma solu\u00e7\u00e3o para a manuten\u00e7\u00e3o da vida dos atingidos, atrav\u00e9s de medidas de adapta\u00e7\u00e3o e enfrentamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas tamb\u00e9m de pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o para as popula\u00e7\u00f5es afetadas, com participa\u00e7\u00e3o popular. Por isso, entre as a\u00e7\u00f5es previstas para o dia 5 de setembro est\u00e3o atos, ocupa\u00e7\u00f5es e assembleias p\u00fablicas para se discutir diferentes trag\u00e9dias em curso no Brasil que mudam radicalmente a vida de milh\u00f5es de brasileiros.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/40cae11988658a193f7d577198fda994.webp\"><br \/>\nMarisa viu nascer seu segundo filho sem casa, m\u00f3veis, roupas ou enxoval, pois tudo que ela havia adquirido para receber sua crian\u00e7a foi levado pela lama \/ Foto: Fabiana Reinholz<\/p>\n<p>Atingida pela <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/topicos\/enchentes-no-rs\">enchente hist\u00f3rica<\/a> de maio, no Rio Grande do Sul, Marisa Wassen, citada no in\u00edcio da reportagem, tamb\u00e9m est\u00e1 motivada para ir \u00e0s ruas no dia 5 de setembro. No \u00faltimo m\u00eas de junho ela passou por uma experi\u00eancia complicada. Marisa viu nascer seu segundo filho sem casa, m\u00f3veis, roupas ou enxoval, pois tudo que ela havia adquirido para receber sua crian\u00e7a foi levado pela lama. H\u00e1 34 anos, ela mora em Arroio do Meio (RS), no Vale do Taquari, e nunca havia presenciado uma inunda\u00e7\u00e3o t\u00e3o grave. Hoje, ela diz que vai lutar para construir um futuro diferente para a filha.\u00a0<\/p>\n<p><em>*Esta reportagem \u00e9 resultado de parceria entre o\u00a0<strong>Brasil de Fato RS<\/strong>\u00a0e o\u00a0<a href=\"https:\/\/mab.org.br\/\">Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo o Centro de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden),\u00a0o Brasil vive a pior seca da sua hist\u00f3ria recente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1255,2046,1111,560,389,452,1517,1781,821,777,165,305,257,203,1837,940,1381,1648,1895,1838,2091,1385,409,710,1342,1205,795,2007,1564,1276,1921,453,2026,385,255,1493,1288,1331,1951,1513,632,292,1267,288,894,332,1212,202,709,1505,289,1962,1431,779,1953,290,1177,1308,2093,748,790,1214,136,1999,284],"class_list":["post-244295","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-acoes","tag-agosto","tag-agricultura","tag-agronegocio","tag-alimentos","tag-amazonia","tag-aquecimento-global","tag-bahia","tag-balanca-comercial","tag-brasil","tag-calor","tag-chuva","tag-chuvas","tag-clima","tag-crise-climatica","tag-curso","tag-dados","tag-deficit","tag-desastres","tag-desmatamento","tag-dia-da-amazonia","tag-dinheiro","tag-direcao","tag-emergencia","tag-emprestimo","tag-enchentes","tag-energia","tag-entenda","tag-eventos-climaticos","tag-eventos-climaticos-extremos","tag-expansao","tag-floresta","tag-fogo","tag-genero","tag-geral","tag-governo","tag-investimentos","tag-ir","tag-julho","tag-junho","tag-juros","tag-laboratorio","tag-maio","tag-mato-grosso","tag-meio-ambiente","tag-minas-gerais","tag-mudancas","tag-mudancas-climaticas","tag-municipios","tag-para","tag-pesquisa","tag-pesquisas","tag-porto-alegre","tag-prejuizo","tag-projetos","tag-queimadas","tag-reconstrucao","tag-recursos","tag-restauracao","tag-rio","tag-rio-grande-do-sul","tag-rs","tag-sao-paulo","tag-seca","tag-vale"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/244295","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=244295"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/244295\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=244295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=244295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=244295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}