{"id":247910,"date":"2024-09-07T12:15:16","date_gmt":"2024-09-07T12:15:16","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=247910"},"modified":"2024-09-07T12:15:16","modified_gmt":"2024-09-07T12:15:16","slug":"uma-epopeia-brasileira-cem-anos-da-coluna-prestes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=247910","title":{"rendered":"Uma epopeia brasileira: cem anos da Coluna Prestes"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>O ano de 2024 marca os <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/07\/14\/100-anos-da-coluna-prestes-pesquisadores-da-unila-propoem-sitio-de-memoria-e-data-no-calendario-de-foz-do-iguacu\">cem anos de hist\u00f3ria<\/a>\u00a0da a Coluna Prestes, considerada uma das maiores marchas revolucion\u00e1rias da hist\u00f3ria da humanidade. Foi uma verdadeira epopeia, uma marcha heroica que, partindo do Rio Grande do Sul em outubro de 1924, passou por 13 estados brasileiros, travou 53 combates e derrotou 18 generais do Ex\u00e9rcito brasileiro durante dois anos e tr\u00eas meses. Eram cerca de 1,5 mil homens e 50 mulheres comandados por jovens oficiais militares. A marcha foi de 25 mil quil\u00f4metros no sert\u00e3o do Brasil, finalmente internando-se na Bol\u00edvia em 1927.<\/p>\n<p>Quem conta com orgulho esta hist\u00f3ria \u00e9 Anita Leoc\u00e1dia Prestes, filha do comandante <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/05\/11\/alvo-da-extrema-direita-no-rs-memorial-luiz-carlos-prestes-pode-ser-tombado-pelo-iphan\">Luis Carlos Prestes<\/a> e sua mulher Olga Ben\u00e1rio. Ela publicou sua tese de doutorado <em>A Coluna Prestes,<\/em> que est\u00e1 na 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o pela editora Boitempo. Depois, publicou um resumo para jovens estudantes \u2013 <em><a href=\"https:\/\/expressaopopular.com.br\/livraria\/9788577431083uma-epopeia-brasileira-a-coluna-prestes\/\">Uma epopeia Brasileira, a Coluna Prestes<\/a><\/em> \u2013 pela editora Express\u00e3o Popular. Aos 88 anos, Anita quer resgatar a verdadeira hist\u00f3ria da coluna comandada por seu pai iniciada h\u00e1 cem anos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apoia.se\/brasildefators_enchentes\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.brasildefato.com.br\/assets\/7f79d3d45758c62a8dbbe78cfa5148e4.gif\"><\/a><\/p>\n<p>&#8220;A Coluna Prestes, que come\u00e7ou em 1924, a\u00ed no Rio Grande, que \u00e9 uma das quest\u00f5es que eu estou procurando resgatar, porque existe muita falsifica\u00e7\u00e3o e o anticomunismo que leva a falsifica\u00e7\u00e3o contra a coluna, na medida que o Prestes se tornou comunista. Na virada dos anos 1930, isso foi um esc\u00e2ndalo na \u00e9poca, ele passou a ser saco de pancada, combatido o tempo todo, at\u00e9 pelos ex-colegas da coluna, v\u00e1rios comandantes da coluna que ficaram furiosos com ele&#8221;, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p>Segundo ela, isso levou a que, hoje em dia ainda fervilhem os casos de mentiras contra a coluna. &#8220;Quero aproveitar agora o centen\u00e1rio para justamente falar a respeito e esclarecer as pessoas, principalmente os jovens, que nos livros escolares, na literatura existente, tomam conhecimento de uma hist\u00f3ria muito falsificada. A Coluna Prestes terminou em fevereiro de 1927, emigrando para a Bol\u00edvia, sem ser derrotada, nunca sofreu nenhuma derrota, ao contr\u00e1rio, derrotou 18 generais do Ex\u00e9rcito brasileiro durante a marcha. Todos os combates que a coluna participou, ela saiu vitoriosa, porque a\u00ed a guerra de movimento teve muita import\u00e2ncia.&#8221;<\/p>\n<p>Anita recorda que enquanto a coluna estava transcorrendo, o Brasil era governado por Artur Bernardes <span>(1922-1926)<\/span>, que mantinha censura \u00e0 imprensa e estado de s\u00edtio. &#8220;Isso n\u00e3o permitiu que se tivesse informa\u00e7\u00f5es ver\u00eddicas sobre a coluna. Os jornais do governo, a imprensa sob censura, o tempo todo procuravam dizer que os rebeldes estavam derrotados, que tinham sido mortos, que n\u00e3o existia mais a coluna.&#8221;<\/p>\n<p>Quando a coluna terminou, j\u00e1 no governo Washington Luiz, come\u00e7ou a haver uma certa abertura, continua Anita. &#8220;Pelo menos foi suspensa a censura \u00e0 imprensa e o estado de s\u00edtio. Ent\u00e3o, houve uma verdadeira enxurrada de jornalistas da imprensa da \u00e9poca, principalmente a imprensa do Assis Chateaubriand, indo \u00e0 Bol\u00edvia para entrevistar os comandantes da coluna, os soldados. Tanto que se a gente pega os jornais da \u00e9poca, do in\u00edcio de 1927, tem reportagens enormes, com fotografias e tudo.&#8221;<\/p>\n<p>Conforme relatou Anita ao <strong>Brasil de Fato RS<\/strong>, na campanha pela sucess\u00e3o presidencial, a alian\u00e7a liberal, das oligarquias dissidentes Minas, Rio Grande e Para\u00edba, apostavam justamente no prest\u00edgio do Prestes e da coluna para, enfim, se fortalecer, ganhar mais adeptos. &#8220;A campanha da Alian\u00e7a Liberal, em 1929, 1930, foi feita sobre as bandeiras da coluna e do nome do Prestes. Embora o Prestes protestasse l\u00e1 de Buenos Aires, mandava telegrama, protestava, mas as oligarquias dissidentes difundiam que ele estava apoiando a Alian\u00e7a Liberal, o que n\u00e3o era verdade.&#8221;<\/p>\n<p><strong>O Cavaleiro da Esperan\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/2a39e3cf894527df7efddeaa93823643.webp\"><br \/>\nO Cavaleiro da Esperan\u00e7a \/ Foto: Brasil de Fato<\/p>\n<p>A partir de 1927, 1928, Prestes era o pol\u00edtico de maior prest\u00edgio no Brasil, inclusive cotado para ser presidente da Rep\u00fablica. Ent\u00e3o, surge o ep\u00edteto de <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2020\/08\/18\/livro-resgata-documentos-produzidos-por-luiz-carlos-prestes-em-seus-ultimos-dez-anos\">Cavaleiro da Esperan\u00e7a<\/a>. &#8220;Muita gente pensa que foi um livro do Jorge Amado, mas n\u00e3o foi. Foi bem antes. O Jorge Amado utilizou esse ep\u00edteto que surgiu em janeiro de 1928, 3 de janeiro de 1928, que \u00e9 o anivers\u00e1rio do Prestes, quando ele fez justamente 30 anos. Ent\u00e3o, nesse 3 de janeiro de 1928, saiu aqui no Rio de Janeiro um n\u00famero de um jornal que se chamava <em>A Esquerda<\/em>. O Astrogildo Pereira, do Partido Comunista, que tinha estado na Bol\u00edvia com o Prestes, publica um artigo extenso sobre o Prestes e o jornal lan\u00e7a esse codinome de Cavaleiros da Esperan\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Conforme Anita, este \u00e9 um momento de grande entusiasmo em torno da coluna e da figura do Prestes, que depois, quando ele lan\u00e7a o Manifesto de 1930, aderindo \u00e0 pol\u00edtica do PCB, da luta por uma revolu\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria e anti-imperialista, se torna um renegado para as classes dominantes no Brasil. &#8220;Essa era a palavra de ordem que ele adota e a\u00ed \u00e9 abominado, criticado violentamente, inclusive pelos ex-colegas dele, tenentes como Juarez Tavares, Oswaldo Cordeiro de Farias, ficam todos contra o Prestes. E passam, a\u00ed voc\u00ea v\u00ea a hist\u00f3ria da coluna, que eles mais ou menos cultivavam at\u00e9 1930&#8230; A partir da\u00ed eles procuram at\u00e9 silenciar a hist\u00f3ria da coluna, n\u00e3o falar, porque para falar na coluna e n\u00e3o falar no Prestes era dif\u00edcil. Ent\u00e3o eles preferem silenciar ou falsificar tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Um movimento liberal<\/strong><\/p>\n<p>Anita conta que o tenentismo era um movimento liberal e que suas palavras de ordem eram a favor do voto secreto, contra a corrup\u00e7\u00e3o da velha Republica, pela liberdade, enfim palavras de ordem que n\u00e3o tocavam a popula\u00e7\u00e3o rural da \u00e9poca. Por isso a marcha manteve sempre o mesmo n\u00famero de combatentes. Seu percurso foi muito maior do que o da grande marcha do povo chin\u00eas, liderada por Mao Tse Tung. Mao andou na frente de um milh\u00e3o de camponeses por 9 mil quil\u00f4metros enquanto Prestes encerrou sua marcha com menos combatentes do que no in\u00edcio embora tenha percorrido 25 mil quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Durante a coluna foi impresso\u00a0<em>O Libertador<\/em>, \u00f3rg\u00e3o revolucion\u00e1rio que era o jornal da coluna. Sa\u00edram cinco n\u00fameros em S\u00e3o Lu\u00eds Gonzaga, no Rio Grande do Sul, quando come\u00e7ou a organiza\u00e7\u00e3o da coluna. E depois mais outros quatro pelo Brasil afora.<\/p>\n<p>&#8220;Principalmente no Nordeste, no Maranh\u00e3o, no Piau\u00ed, foram editados outros n\u00fameros. Quando eles paravam alguns dias, porque a coluna n\u00e3o podia parar muito tempo, porque era guerra de movimento, n\u00e3o permitia isso, porque eles n\u00e3o tinham armamento nem condi\u00e7\u00f5es para enfrentar as tropas governistas diretamente. Ent\u00e3o eles se esgueiravam o tempo todo, justamente jogavam uma tropa governista contra outra tropa governista, v\u00e1rias vezes aconteceu isso. Mas quando eles paravam em algum lugar, alguns dias, sendo poss\u00edvel, eles editavam o jornal. Tanto que no <a href=\"https:\/\/expressaopopular.com.br\/livraria\/9788577431083uma-epopeia-brasileira-a-coluna-prestes\/\">meu livro<\/a>, eu apresento fotos de alguns n\u00fameros do jornal.&#8221;<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o houve desist\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/d59b2ed2cffee396ded5586d2e510891.webp\"><br \/>\nSentado, Luis Carlos Prestes \u00e9 o quarto da esquerda para a direita \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Mais ou menos um quarto dos combatentes morreram. Eles estavam embrenhados no meio do mato. Morreram de doen\u00e7a que n\u00e3o tinha tratamento ou de ferimento. &#8220;\u00c9 interessante que deser\u00e7\u00f5es, houve poucas. Houve um pouco no in\u00edcio aqueles maragatos. Desistiram alguns. Quando eles viram que tinha que sair do Rio Grande e perder os cavalos, muitos maragatos desistiram. Mas depois, mais ou menos, se mantinha aquele mesmo grupo. Isso da parte do Rio Grande&#8221;, conta Anita.<\/p>\n<p>J\u00e1 da coluna que saiu de S\u00e3o Paulo, foi diferente, continua ela. &#8220;Na Foz do Igua\u00e7u, eles sofreram uma derrota muito s\u00e9ria. Pouca gente fala nisso. Na realidade, o que aconteceu ali foi uma ades\u00e3o de uma parte do pessoal de S\u00e3o Paulo, liderado, sem d\u00favida, pelo Miguel Costa, que aderiram \u00e0 coluna Prestes que saiu do Rio Grande. Foi uma marcha dif\u00edcil, perseguidos o tempo todo pelas tropas legalistas, derrotando as tropas legalistas, mas chegaram vitoriosos l\u00e1 em Foz do Igua\u00e7u. E disseram que n\u00e3o iam desistir, porque os paulistas estavam querendo desistir. Essa que \u00e9 a verdade.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Anita, foi uma coluna na sua maioria de pra\u00e7as, tinha apenas 12 oficiais. &#8220;O resto eram sargentos, soldados, cabos, tinha tamb\u00e9m popula\u00e7\u00e3o civil. Isso que era o grosso da coluna. Saiu do Rio Grande do Sul e tiveram poucas ades\u00f5es pelo caminho. Algumas, mas poucas. Principalmente no Nordeste. Porque o discurso da coluna n\u00e3o mobilizava a popula\u00e7\u00e3o rural de jeito nenhum. Nem eles estavam tamb\u00e9m interessados com a vis\u00e3o dos tenentes, que eram muito militares. O pr\u00f3prio Prestes dizia, n\u00f3s \u00e9ramos muito militares na \u00e9poca. Achavam isso, que eles iam fazer a revolu\u00e7\u00e3o para o bem do povo.&#8221;<\/p>\n<p>Participaram tamb\u00e9m cerca de 50 mulheres, umas 30 do Rio Grande do Sul e umas 20 de S\u00e3o Paulo. &#8220;Eram mulheres simples, do povo, tirando l\u00e1 de S\u00e3o Paulo, que tinha duas enfermeiras da For\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo. Eram mulheres simples, geralmente companheiras dos soldados.&#8221;<\/p>\n<p>Anita afirma que eles contribu\u00edram para &#8220;desmascarar aquele ex\u00e9rcito que estava totalmente bichado, desmascarar aquela pol\u00edtica do interior, elei\u00e7\u00e3o de bico de pena&#8221;. A principal palavra de ordem deles era voto secreto. Tudo isso contribuiu para solapar o poder olig\u00e1rquico que governava o Brasil na Primeira Rep\u00fablica. E o pr\u00f3prio avan\u00e7o do capitalismo tamb\u00e9m erodia, a crise era geral. &#8220;Principalmente a partir de 1922, a Rep\u00fablica Velha estava em crise. Crise econ\u00f4mica, crise militar, crise pol\u00edtica e cultural. V\u00e1rios aspectos dessa crise. Em particular, a coluna que foi o momento culminante do tenentismo, que durou mais, teve maior repercuss\u00e3o, contribuiu para que realmente em 1930 as oligarquias dissidentes conseguissem derrubar aquela chamada Rep\u00fablica Velha.&#8221;<\/p>\n<p>Para ela, o grande ensinamento da coluna \u00e9 a for\u00e7a do povo brasileiro. &#8220;Voc\u00ea v\u00ea pessoas simples, grande parte delas analfabetas, lutam com grande garra e grande entusiasmo quando est\u00e3o empolgados por uma ideia e t\u00eam lideran\u00e7as nas quais acreditam. E isso acontecia na coluna. Eles estavam convencidos. Lutavam pela liberdade e conquistar a liberdade era derrubar o Artur Bernardes, que era considerado um d\u00e9spota. Ent\u00e3o, derrubando o Artur Bernardes, ia se poder fazer um governo que respeitasse a Constitui\u00e7\u00e3o de 1891, que n\u00e3o era respeitada, que estabelecesse o voto secreto, elei\u00e7\u00f5es justas e, enfim, separar a justi\u00e7a eleitoral, que n\u00e3o existia.&#8221;<\/p>\n<p>Como a coluna realmente virou uma grande fam\u00edlia, afirma Anita, os comandantes tinham um prest\u00edgio muito grande, o Prestes e os outros comandantes, porque eles levavam a mesma vida dos soldados, comiam a mesma comida. &#8220;Quando tinha montaria, a montaria era para os doentes, para os feridos, eles iam a p\u00e9. O Prestes fez grande parte da coluna a p\u00e9, porque n\u00e3o tinha montaria. Eles conseguiam montaria de vez em quando. E quando conseguiam, era assim, para os que estavam doentes, os que estavam feridos. Uma coisa que dava uma confian\u00e7a muito grande aos soldados da coluna \u00e9 que eles sabiam que ningu\u00e9m seria abandonado pelo caminho. Feridos, com problemas s\u00e9rios de sa\u00fade, eram levados nos ombros dos camaradas, mas ningu\u00e9m era abandonado pelo caminho. Ent\u00e3o, existia uma solidariedade muito grande e uma iniciativa muito grande dos soldados.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Uma guerra de movimento<\/strong><\/p>\n<p>Prestes foi contr\u00e1rio aos ensinamentos da Academia Militar que preconizavam a guerra de posi\u00e7\u00f5es, apreendida dos franceses. Ele baseou-se na guerra de movimentos baseada na experi\u00eancia das revolu\u00e7\u00f5es ga\u00fachas.<\/p>\n<p>As famosas potreadas que foram criadas logo no in\u00edcio, ainda no Rio Grande do Sul. Essas potreadas eram grupos de cinco, seis soldados que sa\u00edam, se separavam da coluna para conseguir alimentos, comida, montaria, e conseguir a coisa mais importante, informa\u00e7\u00e3o sobre o movimento das tropas inimigas.<\/p>\n<p>Essas potreadas iam e voltavam. N\u00e3o tinha nenhuma obriga\u00e7\u00e3o. Eles faziam isso porque tinham consci\u00eancia disso. Traziam as informa\u00e7\u00f5es e o comando da coluna, que era feito de militares competentes, que tra\u00e7avam os planos da guerra de movimento.<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, essa guerra de movimento foi important\u00edssima e, para que ela funcionasse, precisava das potreadas. E as potreadas eram isso. Eram os olhos da coluna. Isso criava uma solidariedade interna, que eu senti quando estive em 1987 entrevistando muita gente. Para eles, a coluna foi o grande momento da vida deles, quando eles se sentiram gente, se sentiram tratados com respeito. V\u00e1rios deles falaram isso. Porque, normalmente, eram gente que depois voltou para o Rio Grande e viviam em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, trabalhadores, com muita dificuldade, muito sacrif\u00edcio. E a coluna, para eles, tinha sido um momento de liberta\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>E continua: &#8220;Ent\u00e3o, essa que eu acho que \u00e9 a grande li\u00e7\u00e3o. Quando tem uma palavra de ordem, compreende? Um lema que mobiliza e, ao mesmo tempo, comando, comandantes nos quais se acredita, o povo brasileiro tamb\u00e9m tem muita garra e luta com hero\u00edsmo, muita gente morreu. Sacrificaram a vida para dar um tiro e alertar o resto da coluna que o inimigo estava se aproximando. Mas eles mesmos levaram tiro. Eles eram caros, assim, pessoas heroicas&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem conta esta hist\u00f3ria \u00e9 Anita Leoc\u00e1dia Prestes, filha de Luis Carlos Prestes e Olga Ben\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1037,540,389,1757,777,316,312,1359,739,1819,961,18,255,1493,414,1604,1188,1806,381,374,384,265,1244,1547,748,268,790,1214,136,1115,584,105],"class_list":["post-247910","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-acredita","tag-adesao","tag-alimentos","tag-bolivia","tag-brasil","tag-censura","tag-corrupcao","tag-costa","tag-editora-expressao-popular","tag-eleicoes","tag-estados","tag-exercito","tag-geral","tag-governo","tag-homens","tag-ia","tag-jovens","tag-justica","tag-maranhao","tag-militares","tag-mulher","tag-mulheres","tag-presidente","tag-repercussao","tag-rio","tag-rio-de-janeiro","tag-rio-grande-do-sul","tag-rs","tag-sao-paulo","tag-saude","tag-trabalhadores","tag-tse"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/247910","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=247910"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/247910\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=247910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=247910"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=247910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}