{"id":249648,"date":"2024-09-09T11:19:42","date_gmt":"2024-09-09T11:19:42","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=249648"},"modified":"2024-09-09T11:19:42","modified_gmt":"2024-09-09T11:19:42","slug":"apos-um-ano-da-primeira-enchente-moradores-do-vale-do-taquari-ainda-aguardam-por-moradia-fixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=249648","title":{"rendered":"Ap\u00f3s um ano da primeira enchente, moradores do Vale do Taquari ainda aguardam por moradia fixa"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>O sal\u00e3o de festas onde Kelly Borba e Marcelo Santos se viram pela primeira vez, j\u00e1 n\u00e3o existe mais. Assim como a casa do casal que est\u00e1 junto h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Depois de terem enfrentado as tr\u00eas enchentes que atingiram o <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/06\/21\/voluntarios-chegam-a-areas-rurais-do-rs-e-avaliam-situacao-de-pequenos-agricultores-cenario-e-grave\">Vale do Taquari<\/a>, o casal deixou o bairro Navegantes, onde viviam, para ocupar uma moradia tempor\u00e1ria. O Navegantes \u00e9 uma regi\u00e3o ribeirinha de Arroio do Meio que sobreviveu \u00e0s inunda\u00e7\u00f5es de setembro e novembro do ano passado, mas sucumbiu com a <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/topicos\/enchentes-no-rs\">enchente hist\u00f3rica<\/a> de maio, transformando-se em um dos bairros fantasmas da cidade.<\/p>\n<p>Das proximidades da igreja at\u00e9 a famosa Casa do Peixe, pouco ou quase nada ficou em p\u00e9. E o que restou est\u00e1 coberto por lama. Desde o ano passado os<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/12\/11\/ha-muito-trabalho-a-ser-feito-nas-cidades-atingidas-pelas--diz-dirigente-do-movimento-dos-atingidos-por-barragens\"> maiores gargalos<\/a> estavam relacionados \u00e0 pol\u00edticas p\u00fablicas para moradia. Algo que virou assunto da <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2023\/12\/01\/missao-de-monitoramento-no-vale-do-taquari-e-marcada-por-relatos-que-expoem-serie-de-violacoes\">audi\u00eancia p\u00fablica<\/a> realizada, na \u00e9poca, pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Comiss\u00e3o de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Conselho Estadual de Direitos Humanos, pelo CDES Direitos Humanos e pela Acesso Cidadania e Direitos Humanos. Somando o desastre ambiental deste ano, a habita\u00e7\u00e3o e reassentamento tornaram-se a pauta mais urgente.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/0cffc98ae5d6d1eb54834866f887830a.webp\"><br \/>\nKelly e Marcelo dentro da moradia provis\u00f3ria que atualmente ocupam \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>\u201cNa nossa casa tinha quartos, sala e cozinha junto. Banheiro separado, tamb\u00e9m tinha duas \u00e1reas, na frente e atr\u00e1s. \u00cdamos fazer \u00e1rea de servi\u00e7o, coisas assim. A enchente de setembro foi bem complicada. A gente n\u00e3o esperava. Era um \u2018riozinho\u2019, que passava atr\u00e1s e volta meia a gente ia l\u00e1 olhar.\u201d<\/p>\n<p>Moradora do bairro h\u00e1 12 anos, Kelly, 30 anos, conta que ap\u00f3s a <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2023\/10\/16\/missao-sementes-de-solidariedade-conclui-entregas-para-agricultores-no-vale-do-taquari\">enchente de setembro<\/a> chegou a voltar para casa, limpar, mas que depois de novembro n\u00e3o voltou mais. Desse momento em diante ela passou por cerca de tr\u00eas abrigos no pr\u00f3prio bairro, at\u00e9 que em abril deste ano foi para uma das \u201ccasas\u201d provis\u00f3rias do estado.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAconteceu muita coisa sob o nosso psicol\u00f3gico. Mexeu muito, mas a gente trabalhou com Deus, porque \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o muito dolorosa. A gente perdeu as coisas, a gente ganhou doa\u00e7\u00e3o e perdemos de novo, n\u00e9? Ent\u00e3o a gente come\u00e7ou a ir na Igreja e fizemos as pazes com Deus\u201d, conta o esposo Marcelo.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/4c8bb7e9546148991010d233ba8b9a5e.webp\"><br \/>\nCada mini muro na imagem representa a divis\u00e3o de uma casa provis\u00f3ria para outra \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>Formada por um companheiro e mais dois filhos, a fam\u00edlia de Kelly, assim como sua m\u00e3e, pai, e alguns vizinhos do antigo bairro, est\u00e3o entre as 28 que receberam a chave das casas tempor\u00e1rias de 8,8 m\u00b2. De acordo com o Governo do Estado, elas comportam at\u00e9 tr\u00eas pessoas. Sua constru\u00e7\u00e3o foi inspirada nas vilas de passagem erguidas no litoral de S\u00e3o Paulo, criadas ap\u00f3s uma onda de deslizamentos das encostas em S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Depois que as fam\u00edlias forem encaminhadas \u00e0s casas definitivas, os espa\u00e7os poder\u00e3o ter outra destina\u00e7\u00e3o a ser escolhida pelas prefeituras.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apoia.se\/brasildefators_enchentes\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.brasildefato.com.br\/assets\/7f79d3d45758c62a8dbbe78cfa5148e4.gif\"><\/a><\/p>\n<p>\u201cNada melhor do que a gente ter o nosso cantinho, ter os quartos e as coisas. \u00c9 melhor do que estar em gin\u00e1sio, pra l\u00e1 e pra c\u00e1. Agora a gente est\u00e1 tranquilo porque est\u00e1 num local seguro, que n\u00e3o est\u00e1 em \u00e1rea de risco. Logo mais vai sair nossa casa definitiva\u201d, afirma Kelly, pontuando que o \u00fanico contratempo \u00e9 a dist\u00e2ncia do bairro atual, Novo Horizonte, do centro da cidade. Seu antigo bairro, ao lado do rio Taquari, fica pr\u00f3ximo ao Centro.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/2a410edb2bfa0f9bd65a8280319cc6fc.webp\"><br \/>\nAo lado do filho, Kelly relembra onde ficava cada um dos vizinhos, a creche, o postinho e at\u00e9 o sal\u00e3o de festas da comunidade \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>A convite da equipe do <strong>Brasil de Fato RS<\/strong>, Kelly e seu filho de 10 anos visitaram sua casa no antigo bairro. Ao passar pelo local ela ia contando um pouco de onde cada \u201ccoisa\u201d ficava. Quase 10 meses fora de casa, ela anseia para que n\u00e3o demore muito a vir o lar definitivo, e come\u00e7ar uma nova hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u201cA gente tem sido bem assistido, sobretudo o que a gente precisa, eles est\u00e3o ali apoiando, que nem agora que est\u00e1 vindo esse valor pela Caixa, um valor de R$ 200.000 para n\u00f3s poder achar, procurar um terreno para recome\u00e7ar. O Governo Federal j\u00e1 liberou o valor, da\u00ed agora a gente tem que correr atr\u00e1s e procurar uma casa nesse valor\u201d, afirma Marcelo.\u2002<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/b85cab2453c401da36357cf0c0b30543.webp\"><br \/>\nDe um lado, por baixo do galho de \u00e1rvore a casa da fam\u00edlia Borba, e do outro, \u00e0 direita, a casa da m\u00e3e de Kelly ap\u00f3s a enchente \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, o munic\u00edpio de Arroio do Meio n\u00e3o registrou a entrega de moradias fixas exclusivas para os atingidos das enchentes de setembro. Sobre o dinheiro, que Marcelo relata, liberado pela Caixa Econ\u00f4mica Federal, o benef\u00edcio \u00e9 concedido por meio de uma lista, da qual Marcelo se inscreveu, por\u00e9m n\u00e3o sabe bem quais s\u00e3o os crit\u00e9rios seletivos. Enquanto isso, a fam\u00edlia Borba aguarda pelo an\u00fancio do recurso.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">\u00c1guas de maio\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Todo mundo avisava que ia ser uma enchente fraca e a gente n\u00e3o saiu. Disseram que na minha casa n\u00e3o pegaria, mas da\u00ed foram avisando, conforme foi subindo a \u00e1gua, que ia ser mais forte. A\u00ed j\u00e1 n\u00e3o dava mais tempo de sair. A gente passou uma noite num galp\u00e3o com cabritos, porque n\u00e3o tinha como sair mais de casa, n\u00e3o tinha ningu\u00e9m porque era \u00e1gua para todo lado. Passamos 3 ou 4 dias fora de casa. Depois voltamos, passamos 15 dias sem luz e 13 sem \u00e1gua. Eu quero sair daqui. Tem as crian\u00e7as, eu sinto inseguran\u00e7a&#8221;, relata a auxiliar de higieniza\u00e7\u00e3o Giovanna Scheeren, 21 anos.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/3483dc2f7b7255f029fb5e179df8f595.webp\"><br \/>\nCriando tr\u00eas filhos, Giovanna revela que desde a enchente de maio tem passado por situa\u00e7\u00f5es de inseguran\u00e7a alimentar \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>Vinda de Cachoeira do Sul, Giovanna est\u00e1 h\u00e1 dois anos e meio no bairro Aimor\u00e9, lugar que apesar de alto n\u00e3o escapou das \u00e1guas do Rio Taquari. Ela conta que para alimentar os tr\u00eas filhos recebeu ajuda do MAB. &#8220;N\u00e3o tinha como lavar lou\u00e7a. N\u00e3o tinha como cozinhar, n\u00e9? N\u00e3o tinha \u00e1gua, n\u00e3o tinha energia. Foram dias bem complicados.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>Giovanna relembra que ficou sabendo do alerta pesquisando pelo Facebook. &#8220;N\u00e3o que algu\u00e9m passaria avisando, n\u00e9? \u00c9 que para c\u00e1, aqui para cima, eles n\u00e3o v\u00eam, sabe? N\u00e3o vem porque aqui parece ser mais retirado.&#8221;<\/p>\n<p>Emocionada, a m\u00e3e de Giovanna, a senhora Pabula, que h\u00e1 pouco tempo morava no munic\u00edpio de Cruzeiro do Sul, conta que l\u00e1 nada sobrou. \u201cL\u00e1 n\u00e3o tem nada. Ficou devastado. A metade de Cruzeiro foi, t\u00e1 que nem Arroio do Meio. Como eu n\u00e3o tinha nada no meu nome na casa que eu estava, nem conta de luz, nem telefone, eu n\u00e3o tive direito a nada.\u201d A voz de Pabula embarga ao dizer que para ela nada restou em Cruzeiro do Sul.\u00a0<\/p>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Na <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/topicos\/enchentes-no-rs\">enchente de maio<\/a> a cidade ganhou destaque na imprensa, pois uma igreja, localizada no bairro <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/05\/03\/vozes-da-frente-da-tragedia-no-vale-do-taquari\">Passo Estrela<\/a>, constru\u00edda em 1954, foi totalmente destru\u00edda, restando apenas uma imagem de quase tr\u00eas metros de altura de Nossa Senhora de F\u00e1tima. Al\u00e9m da igreja, 600 casas foram destru\u00eddas. Segundo moradores a igreja j\u00e1 havia resistido \u00e0 outras enchentes.<\/p>\n<p>De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a popula\u00e7\u00e3o de Arroio do Meio, que fica a cerca de 122 km de Porto Alegre, era de 21.958 habitantes em 2022. A cidade registrou durante a enchente de maio 13 mil pessoas fora de suas casas, sendo que 1,4 mil continuam desabrigadas. Como mostra a <a href=\"https:\/\/app.powerbi.com\/view?r=eyJrIjoiNThhYTZmMGMtZDhkNy00OTEyLTkzNmEtYjU1NWIyMTZmNTVjIiwidCI6IjE1ZGNkOTA5LThkYzAtNDBlOS1hMWU1LWNlY2IwNTNjZGQxYSJ9\">plataforma criada pelo governo estadual<\/a> para monitoramento, o estado ainda possui quatro abrigos e 103 pessoas desabrigadas.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o diretor de Habita\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio Extraordin\u00e1rio para Apoio \u00e0 Reconstru\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul, Engenheiro Comassetto, o Governo Federal recebeu 171 pedidos de moradia no programa Compra Assistida para a cidade. Todos os pedidos foram aprovados e est\u00e3o aguardando o chamamento da Caixa Econ\u00f4mica Federal.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/0c0b79c266c41a97b689c50eed1d13ca.webp\"><br \/>\nCom prociss\u00f5es anuais a Igreja Nossa Senhora dos Navegantes, que emprestava o seu nome ao bairro, tamb\u00e9m foi atingida \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>A Secretaria de Planejamento informa que as \u00e1reas destru\u00eddas pelas enchentes devem ser destinadas para esporte e lazer. Em 2023 por meio de uma parceria com o Semeia Emau da Univates, Governo do Estado, Escrit\u00f3rio de Desenvolvimento de Projetos (EDP), Defesa Civil estadual e nacional, foi elaborado um projeto, atualizado com a vinda da enchente de maio, que prev\u00ea cinco \u00e1reas para interven\u00e7\u00e3o de baixo custo \u2013 com instala\u00e7\u00e3o de parques ou pra\u00e7as.<\/p>\n<p>Or\u00e7ado em R$ 11.202.442,30, o plano est\u00e1 previsto para execu\u00e7\u00e3o nos seguintes locais:<\/p>\n<p>&#8211; Campos Sales &#8211; 85.734m\u00b2 (R$ 6.516.518,74)\u00a0<br \/>\n&#8211; V\u00e1rzea do Navegantes &#8211; 19.755m\u00b2 (R$ 1.843.833,27)\u00a0<br \/>\n&#8211; Tiradentes &#8211; 8.540m\u00b2 (R$ 718.255,21)\u00a0<br \/>\n&#8211; Maracangalha &#8211; 15.320m\u00b2 (R$ 1.095.315,97)\u00a0<br \/>\n&#8211; S\u00e3o Jos\u00e9 &#8211; 11.292m\u00b2 (R$ 1.028.519,11)<\/p>\n<p>Ainda conforme a secret\u00e1ria da pasta, Ionara Magalh\u00e3es Stein, o munic\u00edpio tamb\u00e9m receber\u00e1 recursos federais para a constru\u00e7\u00e3o de uma escola e uma Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) na Barra do Forqueta para substituir a estrutura levada pela for\u00e7a da \u00e1gua.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Do outro lado da ponte: A realidade da cidade de Estrela<\/p>\n<p>Vizinha de Arroio do Meio, a cidade de Estrela, a 110 km da capital ga\u00facha, possui uma popula\u00e7\u00e3o de 32.183 pessoas. No \u00e1pice da enchente, 75% do territ\u00f3rio da cidade ficou submerso. A cidade chegou a registrar cerca de 6 mil desabrigados e atualmente mant\u00e9m tr\u00eas abrigos, com um total de 182 pessoas.\u00a0<\/p>\n<p>Um desses abrigos \u00e9 o Gin\u00e1sio Ito Jo\u00e3o Snel, coordenado pela educadora social Gabriela da Luz dos Santos, que n\u00e3o foi atingida, mas decidiu acompanhar as fam\u00edlias que foram. \u201cCuidar \u00e9 um desafio di\u00e1rio, porque eu tenho que estar bem para cuidar bem das pessoas. E isso \u00e9 um pouco conflitante, porque tem os meus sentimentos e tem os v\u00e1rios sentimentos das pessoas que est\u00e3o aqui. As pessoas perderam tudo, fam\u00edlia, m\u00f3veis, as crian\u00e7as perderam a escola\u201d, Gabriela se emociona ao falar da conviv\u00eancia com as 29 fam\u00edlias que o gin\u00e1sio esportivo abriga.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/4bebc34fc8e755ad12548001cdd0842a.webp\"><br \/>\nNa esperan\u00e7a de arrumar um lar definitivo, os atingidos tentam arrumar espa\u00e7o no abrigo para ir guardando os pertences que est\u00e3o reconquistando \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>Ela conta que sentir\u00e1 falta do acolhimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas, e tamb\u00e9m acredita que todos sair\u00e3o transformados. \u201cE n\u00e3o \u00e9 da boca para fora, porque s\u00f3 quem passou, que foi atingido ou quem passou trabalhando, ajudando, doando, independente da forma que foi, vai sentir essa transforma\u00e7\u00e3o mais para frente.\u201d<\/p>\n<p>No dia da visita da equipe ao abrigo, a moradora do bairro Moinhos, Bianca Zimmermann, estava saindo para levar uma das suas filhas ao m\u00e9dico, quando resolveu conversar conosco.<\/p>\n<p>A rua onde ela morava com as filhas Alice, 9 anos, e Maria, 4 anos, ficava paralela ao leito do rio. Ela conta que n\u00e3o conseguiu voltar ao local porque um peda\u00e7o da via despencou. Os sogros dela, que moravam no bairro oriental, n\u00e3o perderam a casa, mas o resto foi todo levado pela enchente.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/7044d6d3a46ea5ba8bc5521aa221e794.webp\"><br \/>\nO bairro Moinhos fica na encosta entre Estrela e Lajeado, sendo 100% contornado pelo rio as resid\u00eancias foram devastadas. \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>\u201cA enchente mudou toda a minha vida, para pior. Eu n\u00e3o tinha muita coisa. Morava de aluguel. Mas a minha casinha que eu morava se foi e n\u00e3o sobrou nem roupa, nem documento. Eu ainda n\u00e3o consegui correr atr\u00e1s de todos os documentos. Porque a gente \u00e9 quatro, n\u00e9, eu, meu marido e as gurias.\u201d<\/p>\n<p>A fam\u00edlia de Bianca vive em Estrela desde janeiro deste ano quando sa\u00edram da cidade de Serafina, buscando uma vida melhor. \u201cEu era daqui [Moinhos], mas meu pai e minha m\u00e3e morreram. Eu fui para l\u00e1 com ele [marido] e da\u00ed voltei para c\u00e1. Porque achei que aqui gra\u00e7as a Deus a gente ia prosperar muito. Mas da\u00ed o pouco que a gente prosperou nesses meses acabou que se foi tudo.\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/8e33f9b9f84970747808c121d1d82dc9.webp\"><br \/>\nDesde a enchente de maio Bianca e as filhas tiveram que permanecer no abrigo do gin\u00e1sio Ito Jo\u00e3o Snel \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>Sobre a quest\u00e3o da moradia, ela comenta que a equipe da prefeitura foi at\u00e9 o abrigo informando que a fam\u00edlia iria morar por um ano em uma casa provis\u00f3ria. \u201cParece que chegou as casinhas. S\u00f3 que eu n\u00e3o t\u00f4 entendendo o que que t\u00e1 acontecendo, ningu\u00e9m fala mais nada. Vieram aqui deram uma lista e dizendo que ia sair 31 casas, meu nome estava nessa lista. A gente fica ansiosa aguardando. Agora, ningu\u00e9m fala mais nada\u201d, desabafa.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Ela espera, assim que for para a moradia tempor\u00e1ria, se estabilizar at\u00e9 ter a casa definitiva. \u201cEm um ano d\u00e1 para fazer muita coisa se realmente a gente vai para essas casinhas, n\u00e9? Quero arrumar uma creche de novo para a mais nova, botar a outra l\u00e1 na escola. Arrumar um emprego bom e prosperar. Arrumando um emprego e sa\u00fade j\u00e1 era, n\u00e9?\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Casas provis\u00f3rias<\/p>\n<p>No dia 13 de agosto o Governo do Estado come\u00e7ou a instala\u00e7\u00e3o de 31 casas tempor\u00e1rias em Estrela a serem entregues para fam\u00edlias atingidas pelas enchentes de abril e maio. As unidades foram instaladas em duas \u00e1reas pr\u00f3ximas ao Sal\u00e3o Comunit\u00e1rio S\u00e3o Jos\u00e9 Oper\u00e1rio. A Prefeitura de Estrela selecionar\u00e1 as fam\u00edlias que receber\u00e3o as moradias.<\/p>\n<p>De acordo com o Executivo estadual, o investimento total \u00e9 de R$ 66,7 milh\u00f5es para aquisi\u00e7\u00e3o de 500 unidades habitacionais transport\u00e1veis. Al\u00e9m das moradias tempor\u00e1rias, o Governo do Estado est\u00e1 aportando R$ 56,4 milh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de casas definitivas.<\/p>\n<p>Ainda segundo o Governo do Estado, cada m\u00f3dulo de 27 m\u00b2 \u00e9 entregue com mobili\u00e1rio, feito sob medida, e eletrodom\u00e9sticos (fog\u00e3o e geladeira). As unidades s\u00e3o reaproveit\u00e1veis e podem ser usadas sempre que houver necessidade. Quando as fam\u00edlias forem para suas casas definitivas, os m\u00f3dulos ser\u00e3o higienizados e armazenados.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/b966768896133654c3d09f9df02823a7.webp\"><br \/>\nA casa provis\u00f3ria que a prefeitura entregar\u00e1 aos 91 atingidos. Dentre esses Bianca, que aguarda o an\u00fancio oficial dessa moradia para sair de vez do abrigo \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>Estrela \u00e9 o munic\u00edpio com o maior pedido de casas no programa Compra Assistida Reconstru\u00e7\u00e3o, totalizando 884 moradias, que est\u00e3o em an\u00e1lise pelo Minist\u00e9rio das Cidades. At\u00e9 o momento o munic\u00edpio j\u00e1 foi autorizado a construir 916 moradias pelo Governo Federal e 40 unidades pelo governo estadual.<\/p>\n<p>\u00c0 imprensa local a secret\u00e1ria de Desenvolvimento Social e Habita\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio, Renata Cherini, informou que as obras aprovadas ser\u00e3o realizadas no Bairro Nova Morada, edificadas em pr\u00e9dios no formato Minha Casa, Minha Vida. Cerca de outras 800 moradias est\u00e3o em fase de edital e ser\u00e3o constru\u00eddas da mesma forma, atrav\u00e9s da Caixa Econ\u00f4mica Federal.<\/p>\n<p>Conforme veiculado na <a href=\"https:\/\/www.valemaisrs.com.br\/noticia_ver.php?news=9600\">imprensa<\/a>, o Bairro Nova Morada receber\u00e1 tamb\u00e9m uma escola, creche, um posto de sa\u00fade e uma unidade do Centro de Refer\u00eancia de Assist\u00eancia Social (CRAS), tudo isso com recursos do Governo Federal.<\/p>\n<p>A falta de infraestrutura do local \u00e9 uma das cr\u00edticas que o MAB tem feito em rela\u00e7\u00e3o ao bairro. Conforme aponta o integrante do movimento Jo\u00e3o Jair Haacke, no local h\u00e1, at\u00e9 o momento, somente casas.<\/p>\n<p>\u201cA grande reivindica\u00e7\u00e3o que a gente est\u00e1 correndo atr\u00e1s e lutando \u00e9 que as pessoas tenham os seus direitos de ter uma infraestrutura um pouco melhor, ter o conforto para deixar as crian\u00e7as na escola, ter um posto de sa\u00fade, ter uma unidade de acolhimento para o povo. Porque s\u00f3 pegar e remover eles de um lugar que est\u00e1 sendo atingido e trazer eles para um outro lugar que n\u00e3o tem infraestrutura tamb\u00e9m \u00e9 antissocial.\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/bfda939305b9d4c2f5657cadb43934f0.webp\"><br \/>\nNo mapa das \u00e1reas de risco do Vale do Taquari, a cidade de Estrela se destaca pela sua geolocaliza\u00e7\u00e3o. \/ Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Sobre o planejamento de habita\u00e7\u00e3o, Haacke tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 participa\u00e7\u00e3o nenhuma da popula\u00e7\u00e3o, dos pr\u00f3prios atingidos na discuss\u00e3o sobre a qualidade das casas. \u201cO tamanho dessas casas e at\u00e9 mesmo o m\u00e9todo construtivo, que no caso aqui vai ser pr\u00e9dios, n\u00e9? E o pessoal n\u00e3o quer pr\u00e9dios, n\u00e3o quer morar em pr\u00e9dios, para n\u00e3o descaracterizar a quest\u00e3o cultural deles.\u201d \u2002<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Bairros fantasmas\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO bairro Marmitt n\u00e3o tem moradores, est\u00e1 s\u00f3 a sobra das casas e a gente pode identificar mais ou menos onde \u00e9 que as pessoas moravam. No bairro Moinhos tamb\u00e9m n\u00e3o existe mais moradores. A Vila Teresa, que \u00e9 um bairro menor, foi atingida, n\u00e3o tem mais moradores. Muitas pessoas perderam a casa em setembro. E outros perderam em maio, na grande enchente\u201d, afirma a coordenadora do MAB no Vale do Taquari, Juraci Padilha dos Santos, m\u00e3e do Jair.<\/p>\n<blockquote class=\"instagram-media\">\n<div>\n<div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/C_dlMkRuTle\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\">Ver essa foto no Instagram<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/C_dlMkRuTle\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\">Uma publica\u00e7\u00e3o compartilhada por Brasil de Fato RS (@brasildefato.rs)<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p>A professora aposentada, moradora at\u00e9 a enchente de maio do bairro das Ind\u00fastrias (outro fortemente atingido) recorda: \u201cA primeira vez de setembro eu reformei. Mas agora depois eu n\u00e3o consegui mais&#8221;. Atualmente ela mora no lote popular 4. Juraci est\u00e1 h\u00e1 29 anos no munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Ao andar pelos bairros mais atingidos de Estrela, as cenas de abandono se repetem. Casas destelhadas que vieram abaixo, \u00e1rvores ca\u00eddas sobre o teto. Dentro das casas, a lama acumulada. A escola municipal do bairro Moinhos foi devastada, lou\u00e7as, cadeiras, arm\u00e1rios marcados pelo desastre.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/9ff8047f8c885822e22f21c76a4325ce.webp\"><br \/>\nA equipe de reportagem entrou na escola municipal Moinhos e constatou uma quantidade impressionante de morros de lama que tomavam cada canto do p\u00e1tio de recrea\u00e7\u00e3o \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>Conforme comenta Jair, a escola era frequentada por crian\u00e7as do bairro Moinhos e Marmit. \u201cEram os bairros mais marginalizados, de pessoas carentes, que frequentavam esse col\u00e9gio. Agora est\u00e3o todos realocados, est\u00e3o frequentando outras institui\u00e7\u00f5es e sofrendo os impactos disso. Porque imagina, voc\u00ea n\u00e3o tem mais a cultura das turmas, dos amigos, dos colegas. Ent\u00e3o, o impacto na educa\u00e7\u00e3o \u00e9 gigantesco, al\u00e9m do impacto material, no estrago que deu.\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/79f55c30f125c72264a72172aab12664.webp\"><br \/>\nA escola foi inaugurada em abril de 2001 \/ Foto: Fabiana Reinholz<\/p>\n<p>De acordo com ele, o bairro Moinhos \u00e9 um dos mais antigos da cidade. \u201cEle tem uma import\u00e2ncia hist\u00f3rica na economia da cidade. Era ligado a maior empresa que teve nessa regi\u00e3o por muito tempo, a Gran\u00f3le. Foi o ber\u00e7o de muitas fam\u00edlias que se deslocaram do Interior. Ele tem uma liga\u00e7\u00e3o para o Centro, que agora est\u00e1 interrompida, a \u00e1gua levou metade do asfalto.&#8221;<\/p>\n<p>O bairro, prossegue o militante, \u00e9 um dos primeiros bairros fantasmas de Estrela. &#8220;Aqui o pessoal n\u00e3o vai retornar mais, n\u00e3o vai ter mais liga\u00e7\u00e3o de energia, liga\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, nada, nada. Aqui todo mundo vai ter que ser relocado.&#8221;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/79d929cce2e8b251e63b1b25706223f3.webp\"><br \/>\nJunto com a sua m\u00e3e Juraci, Jo\u00e3o Jair faz parte do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>Parte da popula\u00e7\u00e3o que morava na regi\u00e3o est\u00e1 nos abrigos, grande maioria se deslocou para casa de parentes, outras conseguiram um aluguel social. \u201cPara voc\u00ea ter uma ideia, segundo o levantamento da Defesa Civil, s\u00e3o 1800 casas que foram destru\u00eddas e est\u00e3o abandonadas. E s\u00f3 372 est\u00e3o sendo beneficiados no aluguel social.\u201d\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Ao lado do bairro Moinhos fica o Marmit, onde h\u00e1 32 anos mora Valmir Barbosa, sua casa ficava na rua Barros Cassal, 80. Ele conta que muitas vezes \u00e0 noite anda pelas ruas desertas do bairro. \u201cEu quero buscar minha fam\u00edlia e vou come\u00e7ar aqui. Eu vou limpar, organizar sozinho. Depois, quando tiver bem, eu vou trazer eles de volta pra morar comigo, porque a gente se criou aqui.\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/314076171694f86d985613f6a4e09b1b.webp\"><br \/>\nDe setembro para c\u00e1 o n\u00famero de mortes causadas pela enchente no Vale do Taquari passa de 100 pessoas \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/294ce0f108d5976fb7d993ea740d4210.webp\"><br \/>\nNem tudo est\u00e1 abandonado: Moradores ainda retornam ao bairro Marmitt com o objetivo de restaurar o que restou das portas, janelas e eletrodom\u00e9sticos \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>Diferentemente dos outros dois bairros, o Das Ind\u00fastrias guarda um cen\u00e1rio de fim dos tempos. Tubos de metal, container, galp\u00e3o e os maquin\u00e1rios das f\u00e1bricas todos expostos e detonados.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;A destrui\u00e7\u00e3o, os agrot\u00f3xicos, as quest\u00f5es dos pequenos riachos que foram tudo sendo destru\u00eddo pela lavra\u00e7\u00e3o. Os pequenos arroios e rios se tornaram gigantes e tamb\u00e9m veio muita chuva. Tudo isso ajudou para que acontecesse isso. Mas a pior coisa \u00e9 que a gente usou muito as margens dos rios, deixou poucas \u00e1rvores. Isso foi que ajudou muito tamb\u00e9m nas enchentes\u201d, pontua Juraci, ex-moradora do bairro das Ind\u00fastrias.\u2002<\/p>\n<p>De li\u00e7\u00e3o, conclui a coordenadora, ficou a solidariedade. &#8220;Porque ningu\u00e9m \u00e9 maior que ningu\u00e9m. Todos n\u00f3s tivemos que nos dar as m\u00e3os para sair daquele terr\u00edvel momento.&#8221;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/51647d73ee6855675897141864efc2b8.webp\"><br \/>\nEx-moradora de um bairro fantasma, dona Juraci sabe bem o sentimento que teve quando perdeu tudo pela enchente pela segunda vez. Por isso ela persiste atuando no MAB \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>A Secret\u00e1ria de Desenvolvimento Social e Habita\u00e7\u00e3o Municipal n\u00e3o soube responder qual ser\u00e1 o destino dos bairros fantasmas da cidade de Estrela. Afirmando estar em \u00e9poca eleitoral, a Prefeitura de Estrela n\u00e3o quis responder \u00e0s perguntas enviadas pela equipe de reportagem. O espa\u00e7o seguir\u00e1 aberto para futura manifesta\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>A equipe visitou as cidades no dia 26 de agosto de 2024.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/9d399738fb4e95b193729281059a6226.webp\"><br \/>\nAcessar Estrela virou n\u00e3o s\u00f3 um desafio para quem vem da Capital, mas tamb\u00e9m ficou complicado para os visitantes das cidades vizinhas e para os pr\u00f3prios estrelenses. \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p>A reportagem questionou o Governo do Estado sobre programas de reassentamento para situa\u00e7\u00f5es como observadas nos munic\u00edpios de Arroio do Meio e Estrela. De acordo com o Executivo estadual o Plano Rio Grande prev\u00ea uma nova urbaniza\u00e7\u00e3o dessas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>No momento, est\u00e3o sendo feitos estudos de <a href=\"http:\/\/planoriogrande.rs.gov.br\/revisao-dos-planos-diretores\">revis\u00e3o dos planos diretores<\/a> dos munic\u00edpios afetados pelas chuvas. A an\u00e1lise \u00e9 da Universidade do Vale do Taquari (Univates). Outra a\u00e7\u00e3o \u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/planoriogrande.rs.gov.br\/sistema-de-protecao-de-cheias-taquari-antas\">sistema de prote\u00e7\u00e3o de cheias Taquari-Antas<\/a>, que est\u00e1 em fase de planejamento. O projeto foi inscrito pelo Governo do RS e selecionado pela Uni\u00e3o no PAC Sele\u00e7\u00f5es. O<strong> <\/strong>Governo do Estado tamb\u00e9m disse ter assinado um contrato com a Univates para a realiza\u00e7\u00e3o de mapeamento de conjuntos habitacionais em munic\u00edpios em situa\u00e7\u00e3o de calamidade. O contrato prev\u00ea a valida\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/planoriogrande.rs.gov.br\/laudos-tecnicos\">laudos t\u00e9cnicos<\/a> de resid\u00eancias atingidas pelas enchentes.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/99879eeb1bf8ade2e829e594e7d97756.webp\"><br \/>\nEm setembro o Rio Taquari bateu a cota de 29,5 metros, j\u00e1 na \u00faltima enchente foi a 31,2 metros de inunda\u00e7\u00e3o \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p><strong>Nota da prefeitura de Arroio do Meio\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00c1reas destru\u00eddas pelas enchentes devem ser destinadas para a pr\u00e1tica de esportes e lazer <\/em><\/p>\n<p><em>A secretaria de Planejamento de Arroio do Meio trabalha h\u00e1 mais de 40 dias no levantamento dos impactos da enchente do in\u00edcio de maio. Conforme a secret\u00e1ria da pasta, a engenheira civil Ionara Magalh\u00e3es Stein, h\u00e1 v\u00e1rias frentes de trabalho em andamento. Desde o mapeamento dos estragos, a exemplo da situa\u00e7\u00e3o das pontes, estradas e acessos, at\u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o de projetos para obras cadastradas em \u00f3rg\u00e3os federais, a exemplo da Defesa Civil Nacional. Al\u00e9m disso, profissionais do munic\u00edpio e volunt\u00e1rios atuam na elabora\u00e7\u00e3o dos laudos dos im\u00f3veis atingidos. Por meio de um conv\u00eanio com o CREA\/RS a Anota\u00e7\u00e3o de Responsabilidade T\u00e9cnica \u00e9 isenta de pagamento.<\/em><\/p>\n<p><em>Conforme Ionara h\u00e1 uma demanda de trabalho muito grande. Nove im\u00f3veis do munic\u00edpio foram fortemente afetados. A Estrat\u00e9gia da Sa\u00fade da Fam\u00edlia e a escola Construindo o Saber, no bairro Navegantes, n\u00e3o ser\u00e3o reformadas. Inclusive, o munic\u00edpio j\u00e1 teve a confirma\u00e7\u00e3o de que receber\u00e1 recursos federais para a constru\u00e7\u00e3o de uma escola e uma Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) na Barra do Forqueta, pr\u00f3ximas da escola infantil que est\u00e1 sendo finalizada.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Novos usos<\/em><\/p>\n<p><em>Se a enchente de setembro do ano passado j\u00e1 tinha redesenhado a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio de Arroio do Meio, as duas de maio consolidaram a necessidade de se repensar o morar. O Poder P\u00fablico j\u00e1 vem elaborado projetos para que \u00e1reas pr\u00f3ximas ao rio Taquari, passem a ter outra finalidade e as fam\u00edlias sejam transferidas para locais seguros.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Por meio de uma parceria com o Semeia Emau da Univates, Governo do Estado, Escrit\u00f3rio de Desenvolvimento de Projetos (EDP) Defesa Civil estadual e nacional, j\u00e1 foi elaborado um projeto que prev\u00ea cinco \u00e1reas para interven\u00e7\u00e3o de baixo custo \u2013 com instala\u00e7\u00e3o de parques ou pra\u00e7as \u2013 num total de 140.641 m\u00b2, or\u00e7ado em R$ 11.202.442,30.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Este projeto est\u00e1 sendo atualizado, j\u00e1 que o evento de maio causou danos de grandes propor\u00e7\u00f5es em uma \u00e1rea ainda maior e deve ser repassado para a Defesa Civil Nacional at\u00e9 a semana que vem. A respons\u00e1vel t\u00e9cnica \u00e9 a arquiteta e urbanista Cristiane Lavall.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c0 \u00e9poca, o levantamento apontou que deveriam ser constru\u00eddas 294 unidades habitacionais em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0s moradias destru\u00eddas, interditadas definitivamente ou que estavam em zonas de risco, dentro das \u00e1reas que passariam pela interven\u00e7\u00e3o. A estimativa da secret\u00e1ria Ionara \u00e9 de que agora sejam inclu\u00eddas mais 250 unidades habitacionais, tamanho o raio de destrui\u00e7\u00e3o. O recurso para as 294 casas est\u00e1 garantido pelo governo federal.<\/em><\/p>\n<p><em>Ela destaca que as interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o a melhor forma de utilizar os espa\u00e7os, que n\u00e3o oferecerem seguran\u00e7a para a reconstru\u00e7\u00e3o de moradias. A tend\u00eancia \u00e9 de que os locais que hoje est\u00e3o cobertos por madeira arrastada pela \u00e1gua e o que sobrou dos im\u00f3veis que ru\u00edram, sejam transformados em caminh\u00f3dromos, pra\u00e7as, parques e ambientes para esportes e lazer. Dar\u00e3o um novo sentido para a orla do rio Taquari e imedia\u00e7\u00f5es. Inclusive, no futuro, podem ajudar a fomentar o turismo.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c1reas de conjunto para interven\u00e7\u00e3o de baixo custo \u2013 total de 140.641m\u00b2 (R$ 11.202.442,30) (proje\u00e7\u00e3o feita antes de maio. Projeto em atualiza\u00e7\u00e3o)<br \/>\n&#8211; Campos Sales &#8211; 85.734m\u00b2 (R$ 6.516.518,74)\u00a0<br \/>\n&#8211; V\u00e1rzea do Navegantes &#8211; 19.755m\u00b2 (R$ 1.843.833,27)\u00a0<br \/>\n&#8211; Tiradentes &#8211; 8.540m\u00b2 (R$ 718.255,21)\u00a0<br \/>\n&#8211; Maracangalha &#8211; 15.320m\u00b2 (R$ 1.095.315,97)\u00a0<br \/>\n&#8211; S\u00e3o Jos\u00e9 &#8211; 11.292m\u00b2 (R$ 1.028.519,11)<\/em><\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/f22d92924cf3fec3888a15b2609dd396.webp\"><br \/>\nO Rio Grande do Sul teve mais de 2 milh\u00f5es de pessoas atingidas entre 478 munic\u00edpios do estado, sendo que 40 deles s\u00e3o contornados pelo rio Taquari, formando o que chamamos de Vale \/ Foto: Theo Tajes<\/p>\n<p><em>* Jenifer Tain\u00e1 \u00e9 jornalista do Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB).<br \/>\n** Reportagem realizada em parceria entre o\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0e o\u00a0<a href=\"https:\/\/mab.org.br\/\">Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)<\/a><\/em><\/p>\n<hr>\n<p><a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send?phone=5551998132796&amp;text=Quero%20receber%20not%C3%ADcias%20do%20Brasil%20de%20Fato%20RS\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/238bbb7f5224bf3f2c5cee6f4a148fff.jpeg\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inunda\u00e7\u00f5es de setembro e novembro do ano passado, mais a enchente hist\u00f3rica de maio, transformaram a vida da regi\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1554,978,1037,2046,1890,1896,1411,1879,777,254,657,101,1176,1173,305,257,1101,259,1464,473,1510,1385,1239,531,1470,1114,626,1205,795,929,1919,1748,659,1493,959,734,1604,110,1700,1966,999,1375,1331,751,410,1302,1267,1298,857,858,709,480,1902,1022,2042,1431,1042,1953,1177,1308,1727,748,790,1214,136,1115,1983,1922,415,454,960,284],"class_list":["post-249648","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-1554","tag-abril","tag-acredita","tag-agosto","tag-aluguel","tag-areas-de-risco","tag-audiencia","tag-beneficio","tag-brasil","tag-caixa","tag-caixa-economica","tag-caixa-economica-federal","tag-casas","tag-cheias","tag-chuva","tag-chuvas","tag-conta-de-luz","tag-cultura","tag-custo","tag-defesa-civil","tag-desenvolvimento","tag-dinheiro","tag-doacao","tag-economia","tag-edital","tag-educacao","tag-emprego","tag-enchentes","tag-energia","tag-esporte","tag-estradas","tag-familias","tag-filhos","tag-governo","tag-governo-federal","tag-habitacao","tag-ia","tag-ibge","tag-industrias","tag-infraestrutura","tag-intervencao","tag-investimento","tag-ir","tag-lazer","tag-levantamento","tag-lote","tag-maio","tag-mapa","tag-minha-casa","tag-minha-vida","tag-municipios","tag-ocupacao","tag-pac","tag-pagamento","tag-planejamento","tag-porto-alegre","tag-projeto","tag-projetos","tag-reconstrucao","tag-recursos","tag-revisao","tag-rio","tag-rio-grande-do-sul","tag-rs","tag-sao-paulo","tag-saude","tag-seguranca","tag-seguros","tag-trabalho","tag-turismo","tag-uniao","tag-vale"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/249648","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=249648"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/249648\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=249648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=249648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=249648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}