{"id":254903,"date":"2024-09-13T12:19:13","date_gmt":"2024-09-13T12:19:13","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=254903"},"modified":"2024-09-13T12:19:13","modified_gmt":"2024-09-13T12:19:13","slug":"para-cientista-politico-eleicoes-em-salvador-ba-terao-carater-plebiscitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=254903","title":{"rendered":"Para cientista pol\u00edtico, elei\u00e7\u00f5es em Salvador (BA) ter\u00e3o car\u00e1ter plebiscit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>Em Salvador, as primeiras pesquisas eleitorais apontam um cen\u00e1rio com o candidato \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/minuto-a-minuto\/eleicoes-2024\">reelei\u00e7\u00e3o <\/a>Bruno Reis (Uni\u00e3o Brasil) em primeiro lugar com 55% a 68% das inten\u00e7\u00f5es de voto, a depender do instituto que realizou a pesquisa. Em segundo, aparece Geraldo J\u00fanior (MDB) com 9,8% a 22%. Os demais candidatos \u2014 Kleber Rosa (Psol), Victor Marinho (PSTU), Eslane Paix\u00e3o (UP), Silvano Alves (PCO) e Giovani Damico (PCB) \u2014, em todos os cen\u00e1rios, aparecem a seguir em empate t\u00e9cnico, com \u00edndices que variam de 0,4% a 3%.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nPara analisar o cen\u00e1rio eleitoral e o que est\u00e1 em jogo nas elei\u00e7\u00f5es da capital deste ano, o <strong>Brasil de Fato Bahia<\/strong> entrevistou o professor doutor Cloves Oliviera, do departamento de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ele \u00e9 docente dos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/02\/26\/e-importante-nao-desvalorizar-diz-cientista-politica-sobre-ato-de-bolsonaristas-em-sao-paulo\"> Ci\u00eancia Pol\u00edtica<\/a> e de Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, G\u00eanero e Feminismo na mesma institui\u00e7\u00e3o. H\u00e1 cerca de 20 anos, pesquisa sobre Estudos Eleitorais e Partidos Pol\u00edticos, principalmente nos temas de elei\u00e7\u00f5es e campanhas eleitorais.<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato Bahia \u2013 Como o senhor v\u00ea a conjuntura das candidaturas para as elei\u00e7\u00f5es municipais de Salvador? Mudou alguma coisa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a de candidaturas negras e femininas, por exemplo?<\/strong><br \/>\n<em>Cloves Oliveira<\/em> \u2013 A pergunta \u00e9 bem oportuna. Se levamos em considera\u00e7\u00e3o o item representa\u00e7\u00e3o de negros nos cargos pol\u00edticos na esfera da local, n\u00f3s n\u00e3o temos uma melhoria da qualidade dessa representa\u00e7\u00e3o que ainda continua com o monop\u00f3lio pol\u00edtico de homens, geralmente segmentos das elites locais, brancos, com perfil classe m\u00e9dia ou alta. Na esfera da disputa para elei\u00e7\u00e3o \u00e0 prefeitura, a gente tem uma perman\u00eancia do mesmo padr\u00e3o de recrutamento pol\u00edtico. Esse \u00e9 o grande aspecto.<\/p>\n<p>Mas na disputa para o cargo parlamentar municipal, a gente teve transforma\u00e7\u00f5es ao longo dos \u00faltimos tempos com um incremento no n\u00famero de pol\u00edticos negros eleitos. [Quando digo] pol\u00edticos negros, n\u00e3o estou querendo dizer que representem propostas para defender uma agenda de melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida dos negros. Mas em termos de composi\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Municipal, a gente saiu, nos \u00faltimos 20 anos, de mais ou menos 30% para agora em torno de quase 45% de pessoas negras, dependendo de como se consideram as ambiguidades na classifica\u00e7\u00e3o racial. J\u00e1 temos um n\u00famero significativo de pol\u00edticos negros \u2013 pretos e pardos \u2013 fazendo parte da C\u00e2mara, transitando no espectro que vai da direita \u00e0 esquerda.<\/p>\n<p>Tem-se hoje uma C\u00e2mara um pouco mais heterog\u00eanea em termos de espectro de cor e ra\u00e7a, mas ainda predominante masculina. Aumentou, nos \u00faltimos tempos, o n\u00famero de mulheres eleitas para a C\u00e2mara, temos atualmente oito vereadoras, num universo de 43 vereadores. Mas o padr\u00e3o, efetivamente, \u00e9 de uma extrema desigualdade de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Isso tamb\u00e9m se reproduz no perfil das candidaturas nacionais. Geralmente n\u00f3s temos maior predomin\u00e2ncia de candidatos negros no Nordeste, porque \u00e9 onde tem a maior propor\u00e7\u00e3o de negros no pa\u00eds. Mas em linhas gerais, no perfil das candidaturas no Brasil, n\u00e3o mudou muito a varia\u00e7\u00e3o de candidaturas segundo g\u00eanero. As mulheres eram 34,6% em 2020 e diminuiu para 34%, e os homens 65,4% em 2020 aumentaram para 66%. J\u00e1 em termos raciais, n\u00f3s temos um aumento da propor\u00e7\u00e3o de pretos e pardos. Os pretos eram 10,9% em 2020 e agora aumentou para 11,30%; pardos 40,9% para 41,33%; e os brancos, esse que \u00e9 o dado mais relevante, diminu\u00edram de quase 50% para 45,6%. Est\u00e1 diminuindo o n\u00famero de candidatos brancos nas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea enxerga essa diminui\u00e7\u00e3o de candidatos brancos como um cen\u00e1rio de afroconveni\u00eancia Ou houve mudan\u00e7as reais?<\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil precisar isso. Tem um amigo meu fazendo estudos na Universidade de Bras\u00edlia (UnB), o professor Carlos Augusto Machado, confrontando os padr\u00f5es de classifica\u00e7\u00e3o racial, autoclassifica\u00e7\u00e3o e heteroclassifica\u00e7\u00e3o. Ele mostra que existe realmente uma margem de discrep\u00e2ncia e uma certa volatilidade nas classifica\u00e7\u00f5es e migra\u00e7\u00f5es entre candidaturas no segmento branco-pardo e pardo-branco. Ent\u00e3o, se observa uma discrep\u00e2ncia, \u00e0s vezes da ordem de 5 a 10%. Mas, em linhas gerais, o que a gente observa \u00e9 que h\u00e1 dois padr\u00f5es: um da afroconveni\u00eancia em que, de alguma maneira, alguns candidatos migram da categoria de branco para pardo. E tamb\u00e9m existe o que eu chamo de \u201ctermo de ajuste de conduta\u201d, em que alguns que se autodeclaram pardos que migram para branco, evitando ser confrontado com a opini\u00e3o p\u00fablica e ser descredibilizado.<\/p>\n<p>Aqui em Salvador, a gente viu nesse momento o candidato Geraldo J\u00fanior (MDB), que simplesmente mudou a autodeclara\u00e7\u00e3o dele de pardo para branco. E o Bruno Reis (Uni\u00e3o Brasil) no mesmo caminho, nesse momento, se autodeclara tamb\u00e9m branco. Isso, em grande parte, \u00e9 resultado da politiza\u00e7\u00e3o da identidade racial.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/38ec8bf9fc10958adb07fe6188dbd999.webp\"><br \/>\nBruno Reis (dir.) e Ana Paula (esq.) candidatos \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o para prefeitura de Salvador \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong>O senhor apontou, l\u00e1 no in\u00edcio, que o aumento do n\u00famero de candidatos negros e negras n\u00e3o necessariamente quer dizer uma maior defesa das pautas trazidas pelo povo negro organizado. Como que o senhor avalia essa rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, essa correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as nas elei\u00e7\u00f5es desse ano?<\/strong><br \/>\n\u00c9 algo inquietante sobretudo porque, na hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira houve, desde 1988, uma capacidade muito grande do movimento negro ek incluir as bandeiras de luta pela cidadania dos negros e combate \u00e0 exclus\u00e3o social e pol\u00edtica em v\u00e1rios partidos e agremia\u00e7\u00f5es. Elas fazem parte do acervo sobretudo dos partidos ligados mais \u00e0 esquerda e \u00e0 centro-esquerda, como o MDB, PT, PDT, PCdoB, Psol. Todos esses foram partidos que, ao longo dos tempos, abra\u00e7aram essas causas, criaram departamentos e diret\u00f3rios dentro das suas agremia\u00e7\u00f5es para se mostrar sens\u00edveis a essas bandeiras. E assumiram o discurso de que a sociedade brasileira \u00e9 desigual, excludente, e lutaram pela proposta de produzir uma sociedade mais igualit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os partidos mais \u00e0 direita, com o discurso de louvor \u00e0 democracia racial, t\u00eam se recusado ao longo dos tempos a assumir essas bandeiras. Mas, eles tamb\u00e9m t\u00eam criado plataformas e propostas que, ainda que n\u00e3o fa\u00e7am alus\u00e3o \u00e0 defesa intransigente dos interesses da popula\u00e7\u00e3o negra, incorporam pol\u00edticas p\u00fablicas em favor desses grupos. Esse que \u00e9 o grande segredo de alguns partidos mais \u00e0 direita do espectro pol\u00edtico, que \u00e9 a capacidade de roubar algumas bandeiras tradicionais da esquerda e come\u00e7ar a incorporar um discurso de equidade sem expressamente falar nisso.<\/p>\n<p>No caso baiano n\u00e3o \u00e9 diferente. Mas o grande elemento fundamental que a gente observa aqui \u00e9 a capacidade da elite local de fazer uma boa gest\u00e3o discursiva e tamb\u00e9m de pol\u00edticas p\u00fablicas para frear as tens\u00f5es raciais. A direita baiana, desde os anos 1980, ou at\u00e9 antes com o ent\u00e3o senador e depois governador Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es que sempre foi capaz de fazer um discurso de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura negra e em favor da cidadania. Ele era capaz de criar pequenos freios e contrapesos para evitar uma tens\u00e3o racial mais ampla.<\/p>\n<p>E o principal indicador dessa capacidade \u00e9 a montagem das suas chapas para concorrer \u00e0s prefeituras. Nos \u00faltimos tempos, todas as chapas t\u00eam na sua composi\u00e7\u00e3o um homem branco como cabe\u00e7a de chapa e uma mulher negra\u00a0como vice. Isso \u00e9 de uma simbologia expl\u00edcita para mostrar que eles est\u00e3o sens\u00edveis o suficiente para ver a import\u00e2ncia simb\u00f3lica de colocar uma personagem que seja reconhecida pela popula\u00e7\u00e3o baiana e soteropolitana como sendo pertencente ao seu grupo, espelhando o perfil dessa popula\u00e7\u00e3o, mas ao mesmo tempo mantendo a r\u00e9dea do poder na m\u00e3o desses indiv\u00edduos oriundos de elites pol\u00edticas mais tradicionais.<\/p>\n<p>Vide agora, a campanha eleitoral de 2024, com a manuten\u00e7\u00e3o da Ana Paula como candidata a vice na chapa de Bruno Reis. O mesmo fen\u00f4meno aconteceu no primeiro epis\u00f3dio, quando ACM Neto foi eleito prefeito, quando ele colocou como sua parceira de chapa a professora C\u00e9lia Sacramento, uma mulher preta oriunda de movimentos sociais, professora universit\u00e1ria que encarnava essa simbologia toda.<\/p>\n<p>Ao passo que, atualmente, a gente v\u00ea a campanha eleitoral do candidato ligado \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o Gerado J\u00fanior, com F\u00e1bya Reis como vice. Ou seja, a \u00eanfase foi montada de novo em uma composi\u00e7\u00e3o com um homem branco e uma mulher negra, de novo com a forte identidade ligada a movimentos sociais. E nesse caso, nas propagandas eleitorais, uma parceria com o mesmo volume de presen\u00e7a na propaganda. Isso, sem d\u00favida, \u00e9 uma esp\u00e9cie de ret\u00f3rica com \u00eanfase na ideia de que finalmente temos a candidatura que represente a maioria da popula\u00e7\u00e3o, majoritariamente negra, embora as pautas que t\u00eam sido divulgadas falem muito do desenvolvimento regional, desenvolvimento urbano, melhoria do transporte, da educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, de um lado; e do outro, uma \u00eanfase de que n\u00e3o se pode ter uma sociedade t\u00e3o desigual e partida e que algumas transforma\u00e7\u00f5es na paisagem urbana n\u00e3o s\u00e3o suficientes para sanar essas desigualdades.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/66ca3093af57ee66ec21e09ef44975ef.webp\"><br \/>\nCientista pol\u00edtico analisa que participa\u00e7\u00e3o de Jer\u00f4nimo Rodrigues (centro) na campanha de Geraldo Jr. e Fabya Reis ainda \u00e9 t\u00edmida \/ PT-BA<\/p>\n<p><strong>Assistindo a essas propagandas eleitorais e pensando na realidade de Salvador atualmente, quais s\u00e3o as pautas que o senhor considera que deveriam estar sendo discutidas pelas campanhas?<\/strong><br \/>\nA minha impress\u00e3o \u00e9 que as candidaturas, pelo estilo de marketing pol\u00edtico, est\u00e3o dando muita \u00eanfase a imagens em movimentos, videoclipes, e n\u00e3o est\u00e3o tendo um debate muito enf\u00e1tico com propostas. De um lado, a gente tem a candidatura da situa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo muito bem sucedida na ideia de enfatizar um discurso da necessidade de continuidade. \u00c9 como se fosse uma administra\u00e7\u00e3o bem sucedida, desde ACM Neto at\u00e9 Bruno Reis, reivindicando a oportunidade de ter um segundo mandato. Eles t\u00eam sido muito enf\u00e1ticos, n\u00e3o em n\u00fameros, mas sobretudo em veicular cenas da paisagem urbana que mostram as interven\u00e7\u00f5es. O Bruno Reis, assim, de maneira muito inteligente, deu uma resposta \u00e0s cr\u00edticas de que a sua administra\u00e7\u00e3o s\u00f3 tem feito atividades cosm\u00e9ticas, no sentido de que s\u00e3o de pouco impacto na vida das pessoas e de que s\u00f3 faz obras no setor mais classe m\u00e9dia para acolhimento dos turistas. Ele tem mostrado obras na regi\u00e3o da Suburbana e de Cajazeiras, por exemplo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o \u00e9 preciso que a esquerda, sobretudo a oposi\u00e7\u00e3o, se d\u00ea conta que a inten\u00e7\u00e3o de voto em favor de Bruno Reis d\u00e1 conta que grande parte dessas pol\u00edticas p\u00fablicas est\u00e3o sendo bem recebidas \u2013 resta saber o que \u00e9 que est\u00e1 sendo criticado. Se s\u00e3o reais os dados das pesquisas de opini\u00e3o p\u00fablica divulgadas recentemente, essas a\u00e7\u00f5es t\u00eam sido bem aprovadas, ao passo que a oposi\u00e7\u00e3o tem sido muito enf\u00e1tica em mostrar uma sociedade desigual, sobretudo, com pouco investimento em produ\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para valoriza\u00e7\u00e3o de recursos humanos. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m mostrando uma \u00eanfase na ideia de cidade partida. De um lado a cidade dos ricos, das elites de Salvador e tamb\u00e9m a cidade que \u00e9 vista pelos turistas, que \u00e9 vigorosa, pulsante, bonita somente no ver\u00e3o; e, ao longo do ano todo, a sociedade desamparada, que vive \u00e0 merc\u00ea de transporte, de servi\u00e7os p\u00fablicos prec\u00e1rios, engarrafamento, dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o. Resta saber qual vai ser a escolha da popula\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 uma elei\u00e7\u00e3o chave, muito importante para selar o destino do grupo pol\u00edtico que est\u00e1 a\u00ed.<\/p>\n<p><strong>Essa \u00e9 justamente a pr\u00f3xima pergunta: o que \u00e9 que est\u00e1 em jogo nessas elei\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nGeralmente, a elei\u00e7\u00e3o municipal \u00e9 uma esp\u00e9cie de palco de disputas antecipadas do prest\u00edgio dos l\u00edderes locais que v\u00e3o testar a sua popularidade. Desde Jo\u00e3o Henrique tem sido sempre uma elei\u00e7\u00e3o com um car\u00e1ter plebiscit\u00e1rio, na qual o governante em andamento coloca seu nome para avalia\u00e7\u00e3o do eleitorado e a\u00ed o eleitorado decide se concede mais quatro anos ou n\u00e3o para ele. Foi assim com Jo\u00e3o Henrique, depois vem ACM Neto, com uma administra\u00e7\u00e3o muito bem avaliada que conseguiu fazer o seu sucessor. E agora n\u00f3s temos a situa\u00e7\u00e3o plebiscit\u00e1ria na qual Bruno Reis coloca tamb\u00e9m seu nome para cr\u00edtica do eleitorado e nesse momento ele tem sido, aparentemente, bem sucedido.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o municipal \u00e9 um palco tamb\u00e9m para testar popularidade de postulantes ao cargo de governador e tamb\u00e9m dos postulantes ao cargo de presidente da Rep\u00fablica. Note que Salvador \u00e9 muito alvo de disputa nas elei\u00e7\u00f5es nacionais. Aqui, o PT tem uma hegemonia fabulosa na esfera federal e estadual, com Lula conseguindo alcan\u00e7ar quase 70% dos votos em Salvador. O governador consegue tamb\u00e9m ter uma boa capilaridade aqui. A surpresa \u00e9 que, na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o, ACM Neto, que postulava o cargo de governador, conseguiu ter grande fatia de votos do eleitorado de Salvador e regi\u00e3o metropolitana.<\/p>\n<p>Mas parece, na elei\u00e7\u00e3o local, h\u00e1 pouca dimens\u00e3o federalista. A pol\u00edtica federal n\u00e3o est\u00e1 sendo muito relevante para guiar o comportamento do voto do soteropolitano. Parece que de alguma maneira o partido do governador, o PT, tem sido muito paciente ou acomodado no sentido de confrontar a hegemonia pol\u00edtica do grupo do ex-prefeito ACM Neto e do atual prefeito Bruno Reis. Parece uma situa\u00e7\u00e3o na qual o grupo ligado ao atual governador, Jer\u00f4nimo Rodrigues, Jaques Wagner e tamb\u00e9m Rui Costa, ainda se sinta confort\u00e1vel com a hegemonia do poder estadual e n\u00e3o se sente amea\u00e7ado pelo incremento da participa\u00e7\u00e3o da fatia de poder que o grupo do ex-prefeito ACM Neto domina.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m parece que o eleitorado soteropolitano n\u00e3o tem se incomodado tanto com esse arranjo. Ele \u00e9 capaz de votar tranquilamente numa chapa com um candidato a governador do PT e seus aliados, apoiado pelo presidente da Rep\u00fablica. E, ao mesmo tempo, na elei\u00e7\u00e3o local, usar uma nova chave de interpreta\u00e7\u00e3o. E acaba escolhendo um candidato como o grupo de ACM Neto, com um discurso t\u00edpico da direita, com \u00eanfase na efici\u00eancia administrativa, maior tentativa de sanar problemas espec\u00edficos da rotina do cotidiano das pessoas, uma atua\u00e7\u00e3o quase como s\u00edndico na esfera local.<\/p>\n<p>Essa l\u00f3gica que parece orientar o eleitor local talvez seja algo que esteja para ser pensado por parte de n\u00f3s, analistas, porque a l\u00f3gica do eleitor parece coerente: ele est\u00e1 fazendo uma an\u00e1lise de que de alguma maneira est\u00e1 valendo a pena dado o grau de informa\u00e7\u00e3o, de recursos dispon\u00edveis para ele decidir e tamb\u00e9m da qualidade dos competidores pela elei\u00e7\u00e3o. Porque \u00e9 preciso levar em conta que, no elenco de candidaturas que temos dispon\u00edveis hoje, apesar de serem sete candidaturas, em apenas tr\u00eas, poder\u00edamos dizer que s\u00e3o mais competitivas. Sobremaneira, a candidatura de Bruno Reis e Ana Paula, que est\u00e1 capitaneada por uma frente de 12 partidos, o que d\u00e1 muita capilaridade e for\u00e7a, que tem a maioria da bancada na C\u00e2mara Municipal, que tem o suporte dos candidatos puxadores de voto nas elei\u00e7\u00f5es passada, geralmente ligados \u00e0s igrejas evang\u00e9licas.<\/p>\n<p>Outra candidatura que, apesar de um partido forte, mas at\u00e9 agora n\u00e3o mostrou vigor suficiente, \u00e9 a candidatura do Geraldo J\u00fanior e Fabya Reis. Por fim, temos a candidatura de Kleber Rosa, que inclusive est\u00e1 criando uma tens\u00e3o, dividindo os votos da esquerda porque reivindica mais autenticidade, mais ader\u00eancia \u00e0 agenda e hist\u00f3ria dos partidos ligados a movimentos sociais, mais \u00e0 esquerda. Nesse cen\u00e1rio, quais s\u00e3o as op\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis para o eleitor? \u00c9 preciso considerar, ent\u00e3o, que esse eleitor trabalha com as ofertas de candidaturas, e isso mostra muito porque n\u00e3o se consegue ter a emerg\u00eancia de um voto mais gendrado, racializado, porque o eleitor faz um c\u00e1lculo bastante pertinente: quais chances esse candidato que eu gostaria de votar tem, realmente, de conseguir se eleger? Ou mesmo de conseguir chegar ao segundo turno? Ou, por fim, de fazer uma boa administra\u00e7\u00e3o? Ent\u00e3o \u00e9 um cen\u00e1rio, ao que tudo indica, baseado nas \u00faltimas pesquisa e tamb\u00e9m na taxa de sucesso dos candidatos \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, devemos ter a reelei\u00e7\u00e3o de Bruno Reis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista, Cloves Oliveira, professor de Ci\u00eancia Pol\u00edtica na UFBA, avalia o que est\u00e1 em jogo na capital<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1255,1582,2123,1781,777,1882,1619,2128,369,1359,259,1381,1508,403,1510,513,1114,1819,710,481,1179,385,414,247,1375,1262,27,1212,384,265,447,289,1962,1244,852,1699,1504,1509,1308,1009,1115,605,750,960],"class_list":["post-254903","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-acoes","tag-ana","tag-aumento","tag-bahia","tag-brasil","tag-brasilia","tag-calculo","tag-camara","tag-ciencia","tag-costa","tag-cultura","tag-dados","tag-debate","tag-democracia","tag-desenvolvimento","tag-desigualdade-de-genero","tag-educacao","tag-eleicoes","tag-emergencia","tag-engarrafamento","tag-entrevista","tag-genero","tag-homens","tag-igrejas-evangelicas","tag-investimento","tag-jaques-wagner","tag-lula","tag-mudancas","tag-mulher","tag-mulheres","tag-negros","tag-pesquisa","tag-pesquisas","tag-presidente","tag-producao","tag-professor","tag-proposta","tag-propostas","tag-recursos","tag-ricos","tag-saude","tag-servicos","tag-turistas","tag-uniao"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/254903","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=254903"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/254903\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=254903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=254903"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=254903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}