{"id":266941,"date":"2024-09-21T19:40:42","date_gmt":"2024-09-21T19:40:42","guid":{"rendered":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=266941"},"modified":"2024-09-21T19:40:42","modified_gmt":"2024-09-21T19:40:42","slug":"o-retorno-do-manto-sagrado-tupinamba-expoe-uma-grande-ferida-colonial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=266941","title":{"rendered":"O retorno do Manto Sagrado Tupinamb\u00e1 exp\u00f5e uma grande ferida colonial"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.brasildefatoba.com.br\/2023\/04\/24\/mantos-tupinamba-a-retomada-de-territorios-invisiveis\">retorno do manto sagrado<\/a> oxigena o debate sobre os direitos dos povos tradicionais no Brasil, especialmente dos povos origin\u00e1rios. Este caso se torna emblem\u00e1tico no contexto p\u00f3s-colonial e pode estabelecer um precedente para a resolu\u00e7\u00e3o de outras tens\u00f5es entre comunidades tradicionais, governos e institui\u00e7\u00f5es. A tens\u00e3o que se instaurou em torno desse artefato, reivindicado pelo povo Tupinamb\u00e1 de Oliven\u00e7a, uma comunidade ind\u00edgena do interior da Bahia, nos lembra o quanto o <a href=\"https:\/\/www.brasildefatomg.com.br\/2022\/01\/27\/america-latina-colonialismo-e-imperialismo\">colonialismo<\/a> ainda est\u00e1 presente em nossas vidas.<\/p>\n<p>Os povos tradicionais enfrentam uma forma persistente de tutela por parte das institui\u00e7\u00f5es e do Estado, que frequentemente <a href=\"https:\/\/www.brasildefatoba.com.br\/2023\/07\/19\/e-necessario-reescrever-a-historia-colocando-o-protagonismo-indigena-diz-historiador\">acreditam saber melhor do que as pr\u00f3prias comunidades<\/a> como cuidar de seus membros e de seus artefatos. Essa vis\u00e3o paternalista desconsidera o conhecimento e a autonomia dos <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/03\/05\/os-povos-indigenas-de-volta-as-suas-terras-as-retomadas\">povos tradicionais<\/a>, assumindo erroneamente que as institui\u00e7\u00f5es t\u00eam a compet\u00eancia superior para tomar decis\u00f5es sobre o que \u00e9 melhor para esses grupos. Apesar de serem centros importantes de pesquisa e aprendizado, no passado colonial, essas institui\u00e7\u00f5es muitas vezes foram usadas para fins de domina\u00e7\u00e3o. Atualmente, a falta de considera\u00e7\u00e3o pelas demandas das comunidades pode resultar na nega\u00e7\u00e3o de seus direitos, como evidenciado pela n\u00e3o considera\u00e7\u00e3o do pedido da comunidade para realizar um ritual assim que o manto chegasse ao Brasil, vindo do <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/07\/15\/museus-europeus-tem-outros-dez-mantos-de-pena-tupinambas\">Museu Nacional da Dinamarca<\/a>, em Copenhague.<\/p>\n<p>Hoje, surgem m\u00faltiplas narrativas sobre o <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/05\/17\/mantos-resgatam-historia-e-tradicao-do-povo-tubinamba\">manto sagrado<\/a>. Algumas, oriundas das institui\u00e7\u00f5es, afirmam que o manto foi presente de Maur\u00edcio de Nassau, o governante da col\u00f4nia holandesa em Pernambuco, aos seus parentes na Europa. Na \u00e9poca, os mantos eram considerados pe\u00e7as rar\u00edssimas das cole\u00e7\u00f5es etnogr\u00e1ficas. No entanto, a comunidade Tupinamb\u00e1 conta uma outra hist\u00f3ria, acreditando que o manto foi roubado.<\/p>\n<p>Essa tens\u00e3o revela a din\u00e2mica desigual de poder, evidenciando a diferen\u00e7a entre as vozes consideradas &#8220;altas&#8221; e leg\u00edtimas e as vozes &#8220;baixas&#8221;, frequentemente silenciadas. Antes de fazer qualquer especula\u00e7\u00e3o sobre roubo ou doa\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante reconhecer o contexto hist\u00f3rico do <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/01\/27\/rei-da-espanha-defende-colonizacao-e-diz-que-tratamento-dado-pela-coroa-era-de-igualdade\">advento colonial<\/a>. Durante esse per\u00edodo, foram usadas diversas estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia e resist\u00eancia: alguns grupos faziam pactos enquanto outros eram combatidos. O objetivo principal sempre foi a explora\u00e7\u00e3o m\u00e1xima dos recursos e da capacidade laboral das pessoas. Assim, qualquer a\u00e7\u00e3o que tenha levado o manto para fora do Brasil reabre uma grande ferida colonial que ele volta a expor, lembrando-nos das tens\u00f5es n\u00e3o resolvidas pelo Estado brasileiro e pelas institui\u00e7\u00f5es, como as academias. Nesse sentido, aprendemos com a pesquisadora ind\u00edgena Linda Tuhiwai como os espa\u00e7os de pesquisa muitas vezes evidenciam a explora\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios e o roubo de suas narrativas, impondo uma hist\u00f3ria \u00fanica \u2013 a do colonizador. Em suas palavras, &#8220;o Imp\u00e9rio reescreve&#8221; (The Empire Writes Back), reescrevendo os discursos coloniais sem alterar verdadeiramente as rela\u00e7\u00f5es de poder, mantendo os povos em uma posi\u00e7\u00e3o subalterna.<\/p>\n<p>&#8220;A palavra &#8216;pesquisa&#8217;, em si, \u00e9 provavelmente uma das mais sujas do vocabul\u00e1rio ind\u00edgena. Quando mencionada em diversos contextos, provoca sil\u00eancio, evoca mem\u00f3rias ruins, desperta um sorriso de conhecimento e de desconfian\u00e7a. Ela \u00e9 t\u00e3o poderosa que os povos ind\u00edgenas at\u00e9 escrevem poemas a seu respeito. A forma como a pesquisa cient\u00edfica esteve implicada nos piores excessos do colonialismo mant\u00e9m-se como uma hist\u00f3ria lembrada por muitos povos colonizados em todo o mundo. \u00c9 uma hist\u00f3ria que ainda fere, no mais profundo sentido, a nossa humanidade&#8221;, disse ela em seu livro <a href=\"https:\/\/www.editora.ufpr.br\/produto\/346\/descolonizando-metodologias--pesquisa-e-povos-indigenas\"><em>Descolonizando Metodologias: Pesquisa e Povos Ind\u00edgenas<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>Entre as vozes silenciadas est\u00e3o as dos anci\u00e3os da comunidade Tupinamb\u00e1, no interior da Bahia, que possuem uma narrativa aut\u00f3ctone sobre o manto. Mesmo ap\u00f3s o reconhecimento do manto por Amaltara no in\u00edcio dos anos 2000 e o pedido formal da comunidade para seu retorno, o <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/09\/09\/tupinambas-reencontram-manto-sagrado-no-rio-de-janeiro\">Museu Nacional n\u00e3o consultou a comunidade<\/a> \u2013 que abrange 23 aldeias e diversos caciques \u2013 sobre o destino desejado do artefato. Embora o Museu tenha realizado reuni\u00f5es com a comunidade ap\u00f3s a ci\u00eancia do retorno do manto, o desejo de realizar um ritual de recep\u00e7\u00e3o assim que o artefato chegasse n\u00e3o foi atendido. Esta omiss\u00e3o n\u00e3o apenas violou o direito da comunidade de realizar um ritual essencial para a espiritualidade do manto, mas tamb\u00e9m afetou os direitos culturais e espirituais da comunidade Tupinamb\u00e1. A falta de consulta e o desrespeito pelas pr\u00e1ticas e direitos tradicionais refletem uma continuidade da tutela colonial.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o central permanece: a quem pertence o manto? \u00c0 comunidade Tupinamb\u00e1, de onde ele foi tirado, ou \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que alegam buscar sua preserva\u00e7\u00e3o? O pedido da comunidade \u00e9 que seja criado um espa\u00e7o aut\u00eantico de cultura ind\u00edgena, onde os povos origin\u00e1rios possam contar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e cuidar de seus artefatos.<\/p>\n<p>A Cacique Valdelice Tupinamb\u00e1 (Jamopoty), uma das principais vozes de resist\u00eancia do povo, relembra a luta ancestral e a resili\u00eancia da comunidade: &#8220;A mem\u00f3ria est\u00e1 viva, n\u00e9? Ela fez a passagem, mas ela deixou a hist\u00f3ria que n\u00f3s vamos deixar. Nunca a hist\u00f3ria de Nivalda (Amaltara) ser\u00e1 esquecida, porque ela foi uma vitoriosa. Uma mulher guerreira, vitoriosa, que se levantou. [&#8230;] Como \u00e9 que o governo brasileiro, como \u00e9 que as leis agora dizem que n\u00f3s n\u00e3o somos leg\u00edtimos? Que n\u00f3s n\u00e3o somos ind\u00edgenas? Eles cortaram todo o tronco, queimaram todo o tronco, queimaram aquela \u00e1rvore, mas deixaram as ra\u00edzes e da raiz n\u00f3s brotamos.&#8221;<\/p>\n<p>Valdelice tamb\u00e9m destaca a import\u00e2ncia do retorno do manto Tupinamb\u00e1 como parte da luta pela terra: &#8220;N\u00f3s vamos fazer uma nova hist\u00f3ria. Vai chegar um Anci\u00e3o para <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/07\/23\/paralisacao-na-demarcacao-de-terras-contribuiu-com-alta-violencia-contra-indigenas-em-2023\">demarcar nossa Terra<\/a>, voc\u00ea sabe por qu\u00ea? Porque quando ele foi tirado do povo, ele saiu do territ\u00f3rio Tupinamb\u00e1, ele enfraqueceu a aldeia e hoje ele vem como um Anci\u00e3o para fortalecer essa aldeia.<\/p>\n<p>A jornada da comunidade at\u00e9 conseguir rever o Manto Sagrado foi marcada por dificuldades. Mesmo ap\u00f3s muitos pedidos de ajuda \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e ao governo, foi somente com o apoio de algumas figuras que realizaram doa\u00e7\u00f5es que conseguiram sair do interior da Bahia e viajar ao Rio de Janeiro. Durante essa jornada, enfrentaram escassez de recursos, chegando a passar grandes intervalos sem alimenta\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro. Entretanto, a comunidade se manteve firme em suas reivindica\u00e7\u00f5es, mesmo diante do cansa\u00e7o.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/b26f8d7521b815b5179e1a2100f762f8.webp\"><br \/>\nA Cacique Valdelice Tupinamb\u00e1 (Jamopoty) discursa na cerim\u00f4nia de recep\u00e7\u00e3o do manto e lembra a luta ancestral \/ Jade A. L\u00f4bo<\/p>\n<p>No grande dia, a fala emocionada da l\u00edder Cacique Valdelice e da anci\u00e3 Yakuy evocaram a profunda tens\u00e3o ainda existente sobre onde deveria ficar o manto e a terra que precisa ser demarcada. O presidente Lula, presente na cerim\u00f4nia, manifestou a promessa de avaliar a situa\u00e7\u00e3o da demarca\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e destacou que espera que as pessoas entendam que o lugar adequado para o manto n\u00e3o \u00e9 no museu.<\/p>\n<p>Assim, observa-se tamb\u00e9m ap\u00f3s a cerim\u00f4nia realizada na quinta-feira passada, que o retorno do manto n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o simb\u00f3lica, mas envolve intrinsecamente a luta pela demarca\u00e7\u00e3o de terras. Estamos falando de um direito \u00e0 espiritualidade e tamb\u00e9m de seguran\u00e7a territorial. A comunidade Tupinamb\u00e1, que j\u00e1 perdeu mais de 17 lideran\u00e7as em conflitos territoriais, vive um cen\u00e1rio de viol\u00eancia constante. Em 2016, um Mandado de Seguran\u00e7a foi julgado no Supremo Tribunal de Justi\u00e7a, buscando impedir a <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2019\/08\/povo-tupinamba-de-olivenca-retoma-pedaco-de-seu-territorio\/\">continuidade da demarca\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio ind\u00edgena<\/a>. Em 2019, a EMBRATUR chegou a pedir que a Funai desistisse da demarca\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena em Ilh\u00e9us para permitir a <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/natureza\/noticia\/2019\/10\/28\/embratur-pede-que-funai-desista-da-demarcacao-de-terra-indigena-na-bahia-para-construcao-de-resort.ghtml\">constru\u00e7\u00e3o de um resort<\/a> por um grupo portugu\u00eas. A inseguran\u00e7a continuou, e em 2021, o povo Tupinamb\u00e1 denunciou a FUNAI por neglig\u00eancia, ao se recusar a acompanhar as <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2021\/05\/em-audiencia-povo-tupinamba-de-olivenca-denuncia-funai-por-desvio-de-funcao-constitucional\/\">a\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas contra despejos<\/a>.<\/p>\n<p>Por fim, o retorno do Manto, de fato, trouxe um fortalecimento \u00fanico para o povo Tupinamb\u00e1, que conseguiu contar sua hist\u00f3ria ao mundo a partir de sua pr\u00f3pria narrativa. Que o manto ent\u00e3o tamb\u00e9m possa apontar para um grande come\u00e7o de um caminho descolonial. N\u00e3o h\u00e1 como avan\u00e7ar nos direitos dos povos origin\u00e1rios sem adotar uma abordagem verdadeiramente contracolonial, como sugerido por Nego Bispo. A contracolonialidade, como ele define, \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o concreta que busca desmantelar as estruturas coloniais e devolver a ag\u00eancia aos povos tradicionais sobre si mesmos e sua hist\u00f3ria. Somente por meio de a\u00e7\u00f5es efetivas e pol\u00edticas que respeitem as tradi\u00e7\u00f5es e direitos dos povos origin\u00e1rios, poderemos avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o a uma sociedade mais justa e equitativa.<\/p>\n<p><em>*Jade Alc\u00e2ntara Lobo \u00e9 pesquisadora, ativista e escritora baiana, doutoranda em Antropologia Social na UFSC e certificada pelo Afro-Latin American Research Institute at Harvard University. Mestre em Antropologia pela UFBA e graduada pela UNILA, possui experi\u00eancia em rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, povos tradicionais e cosmopol\u00edticas afroind\u00edgenas. Atua como perita judicial, \u00e9 a autora do livro *&#8221;Para Al\u00e9m da Imigra\u00e7\u00e3o Haitiana: Racismo e Patriarcado como Sistema Internacional&#8221;*, criadora e editora da *Revista Od\u00f9*, e foi coordenadora de pesquisa no IDAFRO.<\/em><\/p>\n<p><em>**Este \u00e9 um artigo de opini\u00e3o e n\u00e3o necessariamente expressa a linha editorial do <strong>Brasil de Fato<\/strong>.<\/em><\/p>\n<hr>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunidade ind\u00edgena n\u00e3o p\u00f4de realizar ritual de recep\u00e7\u00e3o do artefato que retornou o Brasil ap\u00f3s s\u00e9culos na Europa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1255,723,516,1781,777,280,369,476,705,259,1508,409,1239,783,1020,1272,1358,365,1493,1806,27,384,215,289,1244,921,273,1308,748,268,1983],"class_list":["post-266941","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-acoes","tag-alimentacao","tag-antropologia","tag-bahia","tag-brasil","tag-cacique","tag-ciencia","tag-conflitos","tag-consulta","tag-cultura","tag-debate","tag-direcao","tag-doacao","tag-doacoes","tag-embratur","tag-especulacao","tag-exploracao","tag-funai","tag-governo","tag-justica","tag-lula","tag-mulher","tag-pernambuco","tag-pesquisa","tag-presidente","tag-presidente-lula","tag-racismo","tag-recursos","tag-rio","tag-rio-de-janeiro","tag-seguranca"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/266941","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=266941"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/266941\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=266941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=266941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=266941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}