{"id":267963,"date":"2024-09-22T16:54:34","date_gmt":"2024-09-22T16:54:34","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=267963"},"modified":"2024-09-22T16:54:34","modified_gmt":"2024-09-22T16:54:34","slug":"retomada-mbya-guarani-atingida-por-enchentes-no-rs-recebe-sementes-para-reflorestamento-e-preservacao-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=267963","title":{"rendered":"Retomada Mby\u00e1 Guarani atingida por enchentes no RS recebe sementes para reflorestamento e preserva\u00e7\u00e3o cultural"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>A miss\u00e3o Sementes de Solidariedade chegou \u00e0 comunidade Mby\u00e1 Guarani da retomada <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/02\/15\/povo-guarani-mbya-nhe-engatu-retoma-territorio-ancestral-em-viamao\">Teko\u00e1 Nhe\u2019engatu<\/a>, em Viam\u00e3o (RS). O projeto que leva apoio a comunidades rurais atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul entregou aos ind\u00edgenas, na \u00faltima quarta-feira (18), sementes de milho, de feij\u00e3o e amendoim, mudas de \u00e1rvores, de cana, de batata doce e ramas de mandioca.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7a do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e diretor do Instituto Cultural Padre Josimo (ICPJ), Frei S\u00e9rgio Gorg\u00ebn, esteve no ato na retomada. \u201cA mandioca \u00e9 muito importante na tradi\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, \u00e9 uma heran\u00e7a dos ind\u00edgenas. Tamb\u00e9m trouxemos mudas de erva-mate, que \u00e9 guarani. Mudas nativas que tinham se perdido tamb\u00e9m, como a jabuticaba, a guabiroba, etc&#8221;, ressaltou<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria, que congrega mais de 23 organiza\u00e7\u00f5es, entre movimentos sociais, cooperativas, pastorais religiosas, movimentos populares, representa\u00e7\u00f5es sindicais e entidades representativas, <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/09\/17\/pequenos-agricultores-atingidos-por-enchentes-no-rs-comecam-a-receber-sementes-e-mudas-para-plantio\">iniciou as entregas <\/a>para agricultores de pequeno porte atingidos no Vale do Taquari, neste m\u00eas. Mas tamb\u00e9m prioriza <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2023\/08\/03\/sementes-de-solidariedade-leva-1-9-toneladas-de-sementes-crioulas-e-mudas-ao-povo-guarani-kaiowa\">comunidades ind\u00edgenas <\/a>das etnias Mbya Guarani e Kaigang.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apoia.se\/amigosdobrasildefators\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.brasildefato.com.br\/assets\/48f64e87b7241043b1f513dd7879699d.gif\"><\/a><\/p>\n<p>A ind\u00edgena Cl\u00e1udia Gomes comemorou a entrega das sementes e contou como eles vivem naquela terra. \u201cAqui, a gente planta melancia, milho tradicional, milho guarani mesmo. Ele \u00e9 de toda cor, \u00e9 branca, preta, azul, amarela. Essa terra \u00e9 muito boa de plantar. \u00c9 boa porque ela \u00e9 muito importante, para as crian\u00e7as, para a sa\u00fade. Tudo que vem da terra, da planta\u00e7\u00e3o, \u00e9 sa\u00fade. Meus antepassados j\u00e1 vivam nessa terra, tanto \u00e9 que a gente preserva muito a semente tradicional. A\u00ed vai plantando, vai plantando, sempre gerando.&#8221;<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/02\/15\/povo-guarani-mbya-nhe-engatu-retoma-territorio-ancestral-em-viamao\">retomada da \u00e1rea em Viam\u00e3o <\/a>aconteceu no dia 14 de fevereiro de 2024. Em comunicado, os guaranis deixaram clara a sua inten\u00e7\u00e3o: \u201cA retomada Teko\u00e1 Nhe\u2019engatu orienta o sentimento de um povo que h\u00e1 s\u00e9culos luta pelos seus direitos ancestrais.&#8221; Um dos l\u00edderes da retomada \u00e9 Eloir Wer\u00e1 Xondaro, que foi vice-cacique na aldeia da Estiva, em Viam\u00e3o. O seu av\u00f4 Tur\u00edbio Gomes, que morreu com 101 anos de idade, \u00e9 a for\u00e7a espiritual e a inspira\u00e7\u00e3o nesta busca pela terra demarcada, assim como anci\u00e3os e anci\u00e3s que lutaram e padeceram lutando por uma vida digna para o povo Mby\u00e1 Guarani.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/d427b69c72e4bedb0a26d3264e0baeeb.webp\"><br \/>\nCl\u00e1udia mostra terras retomadas \/ Foto: Rafa Dotti\/ Brasil de Fato\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Sementes que produzem vida<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m presente no ato de entrega, o mission\u00e1rio Roberto Ant\u00f4nio Liebgott, coordenador do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio no Rio Grande do Sul (Cimi-RS) explica a import\u00e2ncia da a\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00f3s do Cimi viemos atuando nessas parcerias, com o Movimento dos Pequenos Agricultores, h\u00e1 bastante tempo. N\u00f3s temos as mesmas perspectivas, no sentido de assegurar que as sementes tradicionais, as sementes crioulas, sejam preservadas, cultivadas e sirvam como ferramenta de luta e de resist\u00eancia sobre a terra.&#8221;<\/p>\n<p>Ele destaca que o projeto contribui para assegurar a posse-perman\u00eancia das comunidades na terra, porque elas produzem aquilo que elas t\u00eam como perspectiva alimentar. &#8220;Toda a produ\u00e7\u00e3o tradicional, especialmente dos Guaranis, dos Kaingang, tem como fonte especial a necessidade de produzir aquilo que gera vida. Todas as sementes h\u00edbridas e transg\u00eanicas usadas atualmente perderam o potencial da vida porque elas s\u00e3o reproduzidas artificialmente. E essa perspectiva do resgate da vida, da import\u00e2ncia da vida, solidariza, portanto, a solidariedade entre os povos, entre os pequenos&#8221;, pontuou.<\/p>\n<blockquote class=\"instagram-media\">\n<div>\n<div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\n<div><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DAHXIQxuuFD\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\">Ver essa foto no Instagram<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\n<div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DAHXIQxuuFD\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\">Uma publica\u00e7\u00e3o compartilhada por Brasil de Fato RS (@brasildefato.rs)<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p>\nLiegbott entende que a solidariedade das sementes \u00e9 fundamental na constru\u00e7\u00e3o de outra perspectiva de rela\u00e7\u00e3o com a terra. &#8220;Porque as sementes origin\u00e1rias, as sementes tradicionais, al\u00e9m delas produzirem vida, porque elas s\u00e3o essencialmente vida, elas asseguram a diversidade sobre o solo, a diversidade sobre a terra, se contrap\u00f5em com esse modelo hegem\u00f4nico dos monocultivos transg\u00eanicos. Ent\u00e3o, \u00e9 uma luta pol\u00edtica, \u00e9 uma resist\u00eancia contra um modelo que degrada&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O mission\u00e1rio explica que as retomadas &#8220;s\u00e3o um retorno&#8221;, como dizem os pr\u00f3prios Mby\u00e1 Guarani. \u201cEles identificam aqueles lugares que para eles t\u00eam um sentido de mem\u00f3ria, espiritualidade. Ent\u00e3o buscam resgatar mesmo diante de um ambiente de profunda degrada\u00e7\u00e3o e devasta\u00e7\u00e3o. E, em geral, as retomadas se combinam com a m\u00edstica de cada povo\u201d, explica. Nesse processo, o sonho e as mem\u00f3rias dos paj\u00e9s s\u00e3o fundamentais para azer &#8220;esse retorno ao lugar de onde nunca deveriam ter sa\u00eddo ao longo da hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Aldeia nova em terra antiga<\/p>\n<p>A lideran\u00e7a ind\u00edgena Laercio Karai ressalta que a retomada ind\u00edgena nada mais \u00e9 do que uma recupera\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o do territ\u00f3rio para os povos ind\u00edgenas. \u201cA hist\u00f3ria mostra que o Brasil todo foi colonizado pelos europeus e nesse processo todo, v\u00e1rios povos foram expulsos dos seus territ\u00f3rios, escravizados e mortos. Ent\u00e3o, nesse sentido, a gente perdeu muitos territ\u00f3rios. E hoje em dia, o que a gente est\u00e1 fazendo \u00e9 nada mais do que recuperar e voltar nesses espa\u00e7os antigos, que n\u00e3o s\u00e3o aproveitados adequadamente pelo Estado, para dar uma fun\u00e7\u00e3o social tamb\u00e9m para esses territ\u00f3rios.\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/cd3431ef3452a2849afb65f330118c6c.webp\"><br \/>\nLa\u00e9rcio conta a hist\u00f3ria da retomada \/ Foto: Rafa Dotti \/ Brasil de Fato<\/p>\n<p>De acordo com ele, v\u00e1rios fatores explicam por que o Estado n\u00e3o est\u00e1 usando adequadamente os territ\u00f3rios, o que depende da agenda pol\u00edtica. \u201cHoje em dia esses territ\u00f3rios s\u00e3o especulados pelas imobili\u00e1rias, v\u00e1rias grandes empresas imobili\u00e1rias. Tamb\u00e9m pelo agroneg\u00f3cio. E ao mesmo tempo tem o outro lado, os povos ind\u00edgenas que est\u00e3o em beiras de faixa, sem ter um territ\u00f3rio adequado. Isso se torna quase sempre um conflito violento. Ent\u00e3o \u00e9 nesse sentido que a gente est\u00e1 tamb\u00e9m est\u00e1 recuperando esse espa\u00e7o em forma de resist\u00eancia, ao mesmo tempo de estar existindo nesse planeta.\u201d<\/p>\n<p>Ele continua explicando que como \u00e9 uma aldeia nova, com uma organiza\u00e7\u00e3o &#8220;bem coletiva, como vivem em outras aldeias, os povos Guarani&#8221;. Conta que a ro\u00e7a e outros v\u00e1rios espa\u00e7os s\u00e3o coletivos, e as casas que chegam a 30 na retomada tamb\u00e9m s\u00e3o diferentes. &#8220;Nessas casas est\u00e3o as fam\u00edlias, com os pais, com os filhos, com os sobrinhos, s\u00e3o espa\u00e7os coletivos, espa\u00e7os de uma forma bem guarani de ser.&#8221;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Reflorestamento de \u00e1rea degradada<\/p>\n<p>Ele conta que a retomada j\u00e1 planta milho, melancia e aipim. E que com as mudas recebidas, est\u00e3o come\u00e7ando a reflorestas partes degradadas do territ\u00f3rio. &#8220;Essas sementes t\u00eam um valor espiritual tamb\u00e9m para nossas crian\u00e7as, para nossos rituais que s\u00e3o feitos aqui na aldeia\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para ele os povos guaranis podem ensinar mais sobre como se relacionar com a terra. \u201cNossos antepassados tinham essa rela\u00e7\u00e3o com a terra, de que a terra e o ambiente s\u00e3o uma extens\u00e3o do nosso corpo. Ent\u00e3o a gente tem sempre essa ideia de relacionamento de que todas as \u00e1rvores, todos os rios t\u00eam um ser que protege ele. Essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre de cuidado e respeito, para que a gente n\u00e3o possa causar esses danos. Essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 espiritual tamb\u00e9m ao mesmo tempo. Essa din\u00e2mica \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o que os n\u00e3o-ind\u00edgenas n\u00e3o compreendem, tanto \u00e9 que t\u00eam somente uma rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com o meio ambiente de querer lucrar, com a quest\u00e3o da natureza e dos recursos naturais que hoje em dia s\u00e3o escassos.\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Hist\u00f3ria e mem\u00f3ria<\/p>\n<p>La\u00e9rcio tem 30 anos e se formou recentemente em hist\u00f3ria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). \u201cEu me formei em abril, e o estado n\u00e3o est\u00e1 abrindo ainda contratos, ent\u00e3o estou esperando abrirem o edital para me inscrever. Da\u00ed eu pretendo dar aula aqui na aldeia.&#8221;<\/p>\n<p>Ele conta que o nome da retomada,\u00a0Nhe\u2019engatu, carrega o sobrenome do av\u00f4 que faleceu j\u00e1 h\u00e1 algum tempo. \u201cA aldeia leva a mem\u00f3ria do nosso av\u00f4 nessa aldeia. Nesse caminhar todo nosso av\u00f4 n\u00e3o conseguiu ver um \u00fanico territ\u00f3rio demarcado, enquanto ele esteve presente em vida. Ent\u00e3o a gente est\u00e1 levando essa luta do nosso av\u00f4 em frente. A gente pretende ver essa \u00e1rea demarcada logo, logo.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m lideran\u00e7a da retomada, Reni Gomes de Oliveira, confirma que era sonho de seus av\u00f3s encontrar um espa\u00e7o maior, onde pudessem fazer planta\u00e7\u00f5es e preservar a cultura. &#8220;Era um sonho deles que infelizmente partiram, mas espiritualmente est\u00e3o sempre com a gente. Como era um sonho, est\u00e1 sendo bem bom, o espa\u00e7o \u00e9 grande, tem muita mata e tem rios tamb\u00e9m, que na outra aldeia a gente n\u00e3o tinha.&#8221;<\/p>\n<p>Ela afirma que \u00e9 fundamental para seu povo manter as tradi\u00e7\u00f5es. &#8220;Porque sem a natureza, na verdade, a gente n\u00e3o \u00e9 praticamente quase nada. Porque a gente mant\u00e9m, preserva o espa\u00e7o que a gente tem tamb\u00e9m, que hoje que o homem branco, na verdade, est\u00e1 \u00e1 destruindo, infelizmente. A\u00ed, o pouco que a gente tem, a gente preserva.&#8221;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/dc0681139519585cff53422b568741ab.webp\"><br \/>\nReni faz parte de uma nova gera\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as \/ Foto: Rafa Dotti \/ Brasil de Fato<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Mulher Guarani e lideran\u00e7a<\/p>\n<p>Ela comenta ainda sobre ser mulher guarani e lideran\u00e7a. &#8220;\u00c9 fundamental uma mulher ter essa ocupa\u00e7\u00e3o, na verdade, porque antigamente n\u00e3o se via mulher como uma lideran\u00e7a ou tamb\u00e9m para trabalhar tamb\u00e9m. Eu sou professora tamb\u00e9m aqui na aldeia, de educa\u00e7\u00e3o infantil. Ent\u00e3o o papel da mulher \u00e9 fundamental, at\u00e9 para fazer grupos de mulheres tamb\u00e9m, porque at\u00e9 ent\u00e3o era s\u00f3 de homens, lideran\u00e7as de homens, mas \u00e9 um aprendizado tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p>Ela diz que a tarefa \u00e9 bastante desafiadora &#8220;porque tem coisas que seria apenas para homens fazer&#8221;. Por exemplo nas reuni\u00f5es. &#8220;A gente conversa, tudo mais, \u00e9 um homem ou mulher, porque antigamente era s\u00f3 o homem que, vamos dizer, comandava, e hoje em dia est\u00e1 crescendo mais essa quest\u00e3o da mulher ocupar o espa\u00e7o. E \u00e9 importante para ser exemplo tamb\u00e9m para os demais, para as crian\u00e7as, principalmente para para as meninas mulheres.&#8221;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Um programa de resgate<\/p>\n<p>Frei S\u00e9rgio conta que o MPA tem um programa de resgate, produ\u00e7\u00e3o, multiplica\u00e7\u00e3o e plantio de sementes crioulas varietais, sementes de alimento saud\u00e1vel, mudas e ramas de mandioca. A iniciativa, de acordo com ele, \u00e9 voltada para a base de pequenos agricultores mas, a partir de 2008, 2009, tudo come\u00e7ou a ser compartilhado tamb\u00e9m com os povos ind\u00edgenas e com os quilombolas.<\/p>\n<p>\u201cOs povos ind\u00edgenas, os povos origin\u00e1rios, especialmente os guaranis, eles nos deram no passado a comestica\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias plantas que s\u00e3o alimentos para n\u00f3s. A mandioca, o amendoim, o pr\u00f3prio milho, o abacaxi, as batatas. Eles foram roubados dessas suas sementes e mudas de sobreviv\u00eancia, porque eles perderam a terra. Eles foram roubados de suas terras e agora eles as est\u00e3o retomando, inclusive aqui em Viam\u00e3o \u00e9 uma retomada, \u00e9 uma nova terra ind\u00edgena constitu\u00edda e n\u00f3s compartilhamos com eles, devolvemos para eles as sementes que um dia foram deles\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Segundo ele, hoje esse movimento est\u00e1 acontecendo em todas as aldeias ind\u00edgenas guaranis do Rio Grande do Sul e em uma boa parte das aldeias Kaingangs tamb\u00e9m. \u201c\u00c9 uma integra\u00e7\u00e3o entre os pequenos agricultores e os povos ind\u00edgenas porque n\u00f3s compartilhamos os mesmos alimentos, da mesma forma de sobreviver. Ningu\u00e9m vive sem comida. E \u00e9 comida saud\u00e1vel, \u00e9 comida de qualidade, \u00e9 comida com sabor. E \u00e9 isso que a gente est\u00e1 fazendo aqui\u201d, concluiu.<\/p>\n<hr>\n<p><a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send?phone=5551998132796&amp;text=Quero%20receber%20not%C3%ADcias%20do%20Brasil%20de%20Fato%20RS\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/238bbb7f5224bf3f2c5cee6f4a148fff.jpeg\"><\/a><\/p>\n<div class=\"simple-translate-system-theme\">\n<div>\n<div class=\"simple-translate-button isShow\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"simple-translate-panel \">\n<div class=\"simple-translate-result-wrapper\">\n<div class=\"simple-translate-move\">\u00a0<\/div>\n<div class=\"simple-translate-result-contents\">\n<p class=\"simple-translate-result\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"simple-translate-candidate\">\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00e7\u00e3o faz parte da miss\u00e3o Sementes da Solidariedade e conta com a participa\u00e7\u00e3o de mais de 20 organiza\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[978,560,389,2151,777,280,1176,259,525,1470,1114,667,1205,1219,1748,1488,659,255,414,894,2131,2011,384,265,480,852,1042,56,1308,748,790,1214,1115,284],"class_list":["post-267963","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-abril","tag-agronegocio","tag-alimentos","tag-atingidos","tag-brasil","tag-cacique","tag-casas","tag-cultura","tag-diversidade","tag-edital","tag-educacao","tag-empresas","tag-enchentes","tag-enchentes-no-rio-grande-do-sul","tag-familias","tag-feijao","tag-filhos","tag-geral","tag-homens","tag-meio-ambiente","tag-milho","tag-mpa","tag-mulher","tag-mulheres","tag-ocupacao","tag-producao","tag-projeto","tag-quilombolas","tag-recursos","tag-rio","tag-rio-grande-do-sul","tag-rs","tag-saude","tag-vale"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/267963","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=267963"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/267963\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=267963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=267963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=267963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}