{"id":275033,"date":"2024-09-28T16:30:10","date_gmt":"2024-09-28T16:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=275033"},"modified":"2024-09-28T16:30:10","modified_gmt":"2024-09-28T16:30:10","slug":"e-sempre-urgente-um-filme-como-pasargada-afirma-humberto-carrao-sobre-estreia-de-obra-de-dira-paes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=275033","title":{"rendered":"&#8216;\u00c9 sempre urgente um filme como Pas\u00e1rgada&#8217;, afirma Humberto Carr\u00e3o sobre estreia de obra de Dira Paes"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 resistente Mata Atl\u00e2ntica do interior do estado do Rio de Janeiro, uma ornit\u00f3loga pesquisa a floresta e tenta caminhos para traficar p\u00e1ssaros do bioma para um alem\u00e3o. Parece mais uma den\u00fancia de explora\u00e7\u00e3o da natureza do <strong>Brasil de Fato<\/strong>, mas, desta vez, \u00e9 a trama do filme <em>Pas\u00e1rgada<\/em>, que estreou, nesta semana, no circuito nacional de cinema.<\/p>\n<p>O longa \u00e9 o primeiro dirigido e roteirizado por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/09\/26\/eu-tenho-a-cara-do-brasil-celebra-dira-paes-em-estreia-como-diretora-apos-40-anos-de-atriz\">Dira Paes<\/a>, que\u00a0tamb\u00e9m \u00e9 uma das protagonistas do filme, interpretando a ornit\u00f3loga Irene. Ela contracena com Manuel, um mateiro especialista em &#8220;falar&#8221; com os p\u00e1ssaros e que ganha vida pela atua\u00e7\u00e3o de Humberto Carr\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o do\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/playlist?list=PLytfbsQYLZpDNPAOVmEz366cVigYZ-I6a\">Bem Viver<\/a><\/em>,\u00a0programa do\u00a0<strong>Brasil de Fato,<\/strong> traz um papo com o artista sobre a participa\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o e outros projetos pessoais, quem sabe tamb\u00e9m com estreia de dire\u00e7\u00e3o e roteiro.<\/p>\n<p>::\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/09\/21\/documentario-musical-mostra-a-luta-dos-grupos-ciganos-pela-preservacao-das-tradicoes-no-brasil\">Document\u00e1rio musical mostra a luta dos grupos ciganos pela preserva\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es no Brasil<\/a>\u00a0::<\/p>\n<p>&#8220;Tem uma frase que eu adorava repetir durante o processo do filme, que \u00e9 do Guimar\u00e3es Rosa: &#8220;passarinho abaixou, o voo t\u00e1 pronto&#8221;. Isso se reflete na artista se transformando na personagem Irene, que est\u00e1 vivendo um momento importante, procurando <em>Pas\u00e1rgada<\/em>, ao mesmo tempo, em que se relaciona com tudo o que viveu no passado. Foi tamb\u00e9m a transforma\u00e7\u00e3o de uma atriz em diretora. Isso foi muito bonito de viver de perto&#8221;, conta Carr\u00e3o.<\/p>\n<p>Filmado no Arraial do Sana, na regi\u00e3o serrana carioca, <em>Pas\u00e1rgada<\/em> n\u00e3o apenas conta uma hist\u00f3ria de redescoberta pessoal de Irene a partir da sua rela\u00e7\u00e3o com Manuel, mas tamb\u00e9m explora a import\u00e2ncia da conex\u00e3o humana com o meio ambiente, refletindo sobre o impacto das a\u00e7\u00f5es humanas na biodiversidade.<\/p>\n<p>Carr\u00e3o destaca como foi a constru\u00e7\u00e3o do mateiro junto a\u00a0Ilson Gon\u00e7alves, mateiro da regi\u00e3o que d\u00e1 vida a Ci\u00e7a na trama.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Eu queria que o Manuel fosse aquele personagem que, como Ci\u00e7a, sabe muito e tem um conhecimento especial, portanto \u00e9 muito poderoso, mas que resguarda seu espa\u00e7o. N\u00e3o s\u00e3o figuras de peito aberto e poderosas nesse sentido. O poder est\u00e1 em outro lugar. Manuel \u00e9 uma figura dif\u00edcil de capturar. \u00c0s vezes ele se abre, mas muitas vezes se resguarda, e isso o torna um excelente observador da natureza&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m traz\u00a0 as li\u00e7\u00f5es que o filme traz sobre a natureza e a urg\u00eancia de preserv\u00e1-la. &#8220;\u00c9 gratificante que o filme possa ser uma plataforma de discuss\u00e3o dessas quest\u00f5es. Ao mesmo tempo, me d\u00e1 muito medo de que nunca mais haja um momento em que um filme como esse n\u00e3o seja relevante. Em maio, eram as chuvas. Assim, \u00e9 sempre urgente um filme como <em>Pas\u00e1rgada<\/em>. Espero que possamos ter um momento de calmaria, mas n\u00e3o me parece que isso v\u00e1 acontecer. O mundo est\u00e1 dando sinais de urg\u00eancia&#8221;, denuncia Carr\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista na \u00edntegra<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como foi receber esse convite para participar do filme e quais foram os desafios e potencialidades de trabalhar com uma diretora estreante?<\/strong><\/p>\n<p>Tem uma frase que eu adorava repetir durante o processo do filme, que \u00e9 do Guimar\u00e3es Rosa: &#8220;passarinho abaixou, o voo t\u00e1 pronto&#8221;. Isso se reflete na artista se transformando na personagem Irene, que est\u00e1 vivendo um momento importante, procurando <em>Pas\u00e1rgada<\/em>, ao mesmo tempo em que se relaciona com tudo o que viveu no passado. Foi tamb\u00e9m a transforma\u00e7\u00e3o de uma atriz em diretora.<\/p>\n<p>\u00c9 bonito isso. Falando em bicho, a Dira \u00e9 um bicho de cinema. Ela tem muita experi\u00eancia e um olhar muito especial, com muitos amores, e sabe o que quer. Isso foi muito bonito de viver de perto.<\/p>\n<p>Quando a Dira me ligou no meio da pandemia, lembro perfeitamente do entusiasmo dela em contar essa hist\u00f3ria. Era uma ideia um pouco \u00f3bvia: sair do apartamento em uma cidade grande, no meio da pandemia, e, com toda a seguran\u00e7a do mundo, fazer um filme sobre a natureza e sobre a natureza desses personagens. Foi muito especial.\u00a0<\/p>\n<p>Eu embarquei de cara e fui muito feliz em fazer.<\/p>\n<p><strong>O Manuel, que \u00e9 um grande conhecedor de p\u00e1ssaros, fala com eles literalmente. Quero saber se isso foi in\u00e9dito para voc\u00ea ou se j\u00e1 tinha vivido essa experi\u00eancia de se comunicar com a linguagem do assobio? Essa parte do processo de captar o personagem foi algo que voc\u00ea realmente aprendeu ou foi algo que voc\u00ea acabou se deixando levar?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho a profiss\u00e3o de atriz algo muito lindo, porque voc\u00ea contamina o personagem com suas experi\u00eancias e ele te contamina tamb\u00e9m, com coisas que ficam para a sua vida.<\/p>\n<p>Esse Manuel \u00e9 um exemplo muito especial disso. Meu av\u00f4, e eu falo isso no filme, era essa figura que sabia o canto dos p\u00e1ssaros. Ele se chamava Humberto e era um homem que conhecia \u00e1rvores, frutos e animais. Lembro de mim, pequenininho, ao lado dele, achando aquilo o maior barato, muito especial, uma luz.<\/p>\n<p>Com o tempo, senti um pouco de vergonha de ser t\u00e3o diferente dele, de n\u00e3o ter uma rela\u00e7\u00e3o assim com a natureza. Mas \u00e9 bonito, porque quando a Dira me chama, eu estava justamente nesse momento de ir mais para o mato, buscando me estabelecer l\u00e1, e fiquei muito tempo no mato durante a pandemia.<\/p>\n<p>O filme chega num momento em que estou me interessando mais por isso, lembrando da hist\u00f3ria do meu av\u00f4, e, sobretudo, do Ci\u00e7a (Ilson Gon\u00e7alves).<\/p>\n<p>Minha rela\u00e7\u00e3o com Ci\u00e7a come\u00e7ou muito antes de filmar. Passei um tempo na fazenda convivendo com ele, olhando atento e pedindo licen\u00e7a para copiar algumas coisas, anotando. Queria que o Manuel fosse aquele personagem que, como Ci\u00e7a, sabe muito e tem um conhecimento especial, portanto \u00e9 muito poderoso, mas que resguarda seu espa\u00e7o. N\u00e3o s\u00e3o figuras de peito aberto e poderosas nesse sentido.<\/p>\n<p>O poder est\u00e1 em outro lugar. Manuel \u00e9 uma figura dif\u00edcil de capturar. \u00c0s vezes ele se abre, mas muitas vezes se resguarda, e isso o torna um excelente observador da natureza.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea a rela\u00e7\u00e3o entre o momento da pandemia, que a Dira menciona como um per\u00edodo de ref\u00fagio e reconex\u00e3o com a natureza, e o atual cen\u00e1rio de desastres ambientais, como as queimadas? Voc\u00ea acredita que realmente aproveitamos a oportunidade de aprender com essas experi\u00eancias sobre a import\u00e2ncia de cuidar do nosso planeta<\/strong><\/p>\n<p>Acho que \u00e9 uma vergonha para n\u00f3s, como sociedade, que tenhamos vivido uma pandemia diretamente relacionada \u00e0 expans\u00e3o do homem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza e, poucos anos depois, estejamos repetindo os mesmos erros ou cometendo novos.<\/p>\n<p>Ainda somos ref\u00e9ns de um pensamento de que esses problemas n\u00e3o s\u00e3o nossos, de que o mundo \u00e9 grande e que tudo continuar\u00e1 como est\u00e1.\u00a0<\/p>\n<p>Os sinais s\u00e3o cada vez mais urgentes. Precisamos come\u00e7ar a fazer algo para melhorar. Portanto, respondendo \u00e0 sua pergunta, acho que \u00e9 uma vergonha. A impress\u00e3o que d\u00e1 \u00e9 que n\u00e3o aprendemos.<\/p>\n<p><strong>O filme aborda intensamente o contato com a natureza, mas tamb\u00e9m faz uma forte den\u00fancia sobre o tr\u00e1fico internacional de animais. O que voc\u00ea acha do fato de que um dos protagonistas desse crime \u00e9 um estrangeiro, orquestrando toda essa atividade? Isso n\u00e3o poderia ser interpretado como uma simbologia do processo colonial que o Brasil enfrentou por s\u00e9culos? Mesmo ap\u00f3s a independ\u00eancia, continuamos a ver situa\u00e7\u00f5es semelhantes. Esse aspecto tem relev\u00e2ncia na sua interpreta\u00e7\u00e3o do filme?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que sim. Al\u00e9m disso, o letreiro que informa que o tr\u00e1fico de animais \u00e9 o terceiro maior do mundo deve assustar muita gente. Isso ainda ocupa um lugar no imagin\u00e1rio de que \u00e9 apenas o &#8220;ladr\u00e3o de passarinhos&#8221;, o &#8220;senhorzinho velhinho&#8221; ca\u00e7ador de animais silvestres. Mas n\u00e3o, \u00e9 uma rede mundial, poderosa e com influ\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>E, ao mesmo tempo, Irene tamb\u00e9m \u00e9 uma estrangeira naquele lugar. O Peter \u00e9 um estrangeiro, um alem\u00e3o, e Irene tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 daquele lugar. Existem muitas camadas de pessoas de fora interferindo na vida da natureza em um canto.<\/p>\n<p><strong>Isso dialoga com o Brasil de hoje?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que sim. No entanto, \u00e9 importante entender que isso n\u00e3o significa que o problema est\u00e1 apenas fora, como se fosse algo distante. O mundo tem teias e ra\u00edzes, e as coisas chegam perto da gente.<\/p>\n<p>Muitas vezes, em rela\u00e7\u00e3o ao clima, vemos candidatos bem votados que acham que isso \u00e9 bobagem.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea considera que o filme serve como um chamariz pertinente para dialogar sobre as amea\u00e7as reais que estamos enfrentando atualmente, n\u00e3o apenas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fuma\u00e7a e fuligem, mas tamb\u00e9m em contextos como a Amaz\u00f4nia e outros biomas do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que sim e fico honrado por isso. \u00c9 gratificante que o filme possa ser uma plataforma de discuss\u00e3o dessas quest\u00f5es. Ao mesmo tempo, me d\u00e1 muito medo de que nunca mais haja um momento em que um filme como esse n\u00e3o seja relevante.<\/p>\n<p>Em maio, eram as chuvas. Assim, \u00e9 sempre urgente um filme como <em>Pas\u00e1rgada<\/em>. Espero que possamos ter um momento de calmaria, mas n\u00e3o me parece que isso v\u00e1 acontecer. O mundo est\u00e1 dando sinais de urg\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acredita que o cinema, o audiovisual e a arte s\u00e3o boas plataformas para conversarmos com as pessoas, mesmo em um mundo t\u00e3o polarizado nesse aspecto pol\u00edtico?<\/strong><\/p>\n<p>A arte altera a sensibilidade. Ela chama a aten\u00e7\u00e3o para coisas que estavam ali o tempo inteiro e que n\u00e3o percebemos. Portanto, a arte \u00e9 poderosa para nos indicar o que devemos prestar aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso se aplica tanto \u00e0s quest\u00f5es ambientais quanto pol\u00edticas. A arte \u00e9 uma forma de conversarmos sobre o mundo que vivemos, contando nossas hist\u00f3rias e conectando as coisas.<\/p>\n<p>Estamos acostumados a um mundo cheio de est\u00edmulos e velocidade, e isso faz com que a gente perca a capacidade de relacionar uma coisa com outra. Acredito que a arte \u00e9 importante para isso.<\/p>\n<p><strong>Humberto, se me permite, gostaria de desviar um pouco das conversas sobre o filme para perguntar sobre outros projetos que voc\u00ea est\u00e1 tocando. Voc\u00ea est\u00e1 se preparando para se lan\u00e7ar como diretor, certo? Pode me contar se essas ideias avan\u00e7aram e como est\u00e1 a atualiza\u00e7\u00e3o sobre isso?<\/strong><\/p>\n<p>Esse filme com a Ana Maria Gon\u00e7alves \u00e9 um projeto que eu tenho muito carinho. Eu escrevi dois roteiros com a Ana, justamente durante a pandemia. Primeiramente, \u00e9 um grande privil\u00e9gio. Eu sou louco por <em>Um Defeito de Cor<\/em>. Li v\u00e1rias vezes e isso marcou meu caminho. Fiz cursos com a Ana e tive coragem de cham\u00e1-la para escrever um roteiro. Acabamos escrevendo dois. Eu ia para S\u00e3o Paulo, pass\u00e1vamos madrugadas escrevendo, era lindo, mas a pandemia interrompeu um pouco isso.<\/p>\n<p>Agora, tenho outro projeto em andamento e estou muito dedicado a isso, escrevendo e procurando pessoas para estarem comigo. \u00c9 um roteiro sobre Aracy de Almeida, um filme de fic\u00e7\u00e3o sobre os \u00faltimos anos dela. Estou muito ansioso para dirigir esse filme.<\/p>\n<p><strong>E essa rela\u00e7\u00e3o com o samba, especialmente considerando sua presen\u00e7a em diversas rodas, e agora neste filme que destaca uma grande personagem do nosso samba O que te motiva a apostar no samba como tema Pode compartilhar um pouco mais sobre essa conex\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma aposta. \u00c9 um amor. Sou morador do Rio de Janeiro, nasci l\u00e1 e frequento o samba h\u00e1 muitos anos.<\/p>\n<p>Na verdade, a maioria dos meus amigos e amores s\u00e3o pessoas do samba, m\u00fasicos. Portanto, n\u00e3o fa\u00e7o isso por um interesse espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Meu interesse \u00e9 algo que vem da vida, \u00e9 o que me fascina. Sou louco por m\u00fasica, por Rio de Janeiro e pela hist\u00f3ria da cidade.<\/p>\n<p>Vou para onde gosto de estar, e realmente adoro estar no samba.<\/p>\n<p><strong>E esse filme sobre Aracy de Almeida \u00e9 uma maneira de exaltar personagens um pouco esquecidos e colocar o samba tamb\u00e9m como uma forma pol\u00edtica, n\u00e3o apenas como express\u00e3o de lazer?<\/strong><\/p>\n<p>Aracy viveu algo muito espec\u00edfico e especial, que n\u00e3o conhe\u00e7o outros paralelos. Para muitos, ela \u00e9 a maior cantora de samba. Mas o importante \u00e9 mostrar o tamanho dela.<\/p>\n<p>Ela conviveu com uma certa falta de interesse em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho dela como cantora, ou seja, um certo esquecimento, mesmo tendo vivido um sucesso brutal como jurada de programas de audit\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u00c9 estranho pensar que uma mulher idosa estava no centro do pop. Era incomum nos anos 1980, mas ela era disputad\u00edssima. Essa dualidade na figura de Aracy de Almeida me fascina e me faz querer fazer um<\/p>\n<p>\u00a0filme sobre ela, investigar o que ela viveu.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea comentou sobre o contato com Ci\u00e7a e a import\u00e2ncia do conhecimento que ele traz, mais do que a for\u00e7a. Poderia falar um pouco mais sobre a relev\u00e2ncia de trazer personagens como ele, que s\u00e3o verdadeiros salvaguardistas e t\u00eam o potencial de enfrentar o caos clim\u00e1tico que vivemos? Voc\u00ea acredita que o filme dialoga com essa ideia, ou \u00e9 mais sobre sua pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com esse personagem? Como voc\u00ea v\u00ea o conhecimento que recebeu de Ci\u00e7a e os paralelos com outras grandes lideran\u00e7as, como as quilombolas e ind\u00edgenas, no nosso pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>Ci\u00e7a \u00e9 uma figura que guarda uma intelig\u00eancia da natureza muito poderosa. Ele n\u00e3o \u00e9 passivo; \u00e9 ativo e compartilha seu conhecimento.<\/p>\n<p>Desde o primeiro momento, fiquei impressionado com seu dom\u00ednio do lugar onde vive. No filme, \u00e9 Ci\u00e7a, e n\u00e3o Manuel, quem percebe o que acontece e paga por isso.<\/p>\n<p>Quando uma figura como Ci\u00e7a protege aquele lugar e determina limites, isso \u00e9 uma quest\u00e3o de pol\u00edtica e suspense.<\/p>\n<p>Acho que essas figuras s\u00e3o, sim, importantes. \u00c9 lindo que a Dira tenha convidado Ci\u00e7a, n\u00e3o apenas para ser nosso guia, mas para estar presente.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o vejo a hora da sess\u00e3o no Sana, junto com as pessoas que constru\u00edram o filme e estiveram naquele lugar. O filme s\u00f3 existe porque a Dira se encantou com a beleza do lugar e viu a urg\u00eancia de fazer um filme que protege esse espa\u00e7o. \u00c9 fundamental celebrarmos isso com eles.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">E tem mais&#8230;<\/p>\n<p>O <em>Bem Viver<\/em> traz tamb\u00e9m a arte dos respons\u00e1veis por fazerem letras flutuarem em Bel\u00e9m (PA).\u00a0<\/p>\n<p>A <em>Dica de Sa\u00fade<\/em> traz a campanha brasileira de preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio, o <em>Setembro Amarelo<\/em>. A psic\u00f3loga Ivani Oliveira traz a import\u00e2ncia falar sobre isso e os caminhos para pedir ajuda.<\/p>\n<p>Tem tamb\u00e9m dica cultural. O <strong>Brasil de Fato<\/strong> lan\u00e7a o document\u00e1rio <em>Terra Vista<\/em> sobre a produ\u00e7\u00e3o de cacau no sul da Bahia em uma \u00e1rea recuperada pelo Movimento Sem Terra (MST).\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Quando e onde assistir?\u00a0<\/p>\n<p>No YouTube do Brasil de Fato todo s\u00e1bado \u00e0s 13h30, tem programa in\u00e9dito. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@AgenciaBrasildeFato\">Basta clicar aqui<\/a>.<\/p>\n<p>Na TVT: s\u00e1bado \u00e0s 13h30; com reprise domingo \u00e0s 6h30 e ter\u00e7a-feira \u00e0s 20h no canal 44.1 \u2013 sinal digital HD aberto na Grande S\u00e3o Paulo e canal 512 NET HD-ABC.<\/p>\n<p>Na TV Brasil (EBC), sexta-feira \u00e0s 6h30.<\/p>\n<p>Na TVE Bahia: s\u00e1bado \u00e0s 12h30, com reprise quinta-feira \u00e0s 7h30, no canal 30 (7.1 no aparelho) do sinal digital.\u00a0<\/p>\n<p>Na TVCom Macei\u00f3: s\u00e1bado \u00e0s 10h30, com reprise domingo \u00e0s 10h, no canal 12 da NET.\u00a0<\/p>\n<p>Na TV Floripa: s\u00e1bado \u00e0s 13h30, reprises ao longo da programa\u00e7\u00e3o, no canal 12 da NET.\u00a0<\/p>\n<p>Na TVU Recife: s\u00e1bados \u00e0s 12h30, com reprise ter\u00e7a-feira \u00e0s 21h, no canal 40 UHF digital.\u00a0<\/p>\n<p>Na UnBTV: sextas-feiras \u00e0s 10h30 e 16h30, em Bras\u00edlia no Canal 15 da NET.\u00a0<\/p>\n<p>TV UFMA Maranh\u00e3o: quinta-feira \u00e0s 10h40, no canal aberto 16.1, Sky 316, TVN 16 e Claro 17.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Sintonize<\/p>\n<p>No r\u00e1dio, o \u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/radioagencia\/podcasts\/bem-viver\">programa Bem Viver<\/a>\u00a0 vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 11h \u00e0s 12h, com reprise aos domingos, \u00e0s 10h, na R\u00e1dio Brasil Atual. A sintonia \u00e9 98,9 FM na Grande S\u00e3o Paulo e 93,3 FM na Baixada Santista.<\/p>\n<p>O programa tamb\u00e9m \u00e9 transmitido pela R\u00e1dio Brasil de Fato, das 11h \u00e0s 12h, de segunda a sexta-feira. O programa Bem Viver tamb\u00e9m est\u00e1 nas plataformas Spotify, Google Podcasts, iTunes, Pocket Casts e Deezer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bem Viver traz uma conversa com o ator sobre o longa que denuncia o tr\u00e1fico de animais e a explora\u00e7\u00e3o da natureza<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1255,1037,452,1582,492,1548,1781,348,1512,1754,777,1882,257,1549,203,423,1895,409,477,350,1179,1921,1358,453,1495,1604,1331,751,743,1267,381,894,431,384,1055,289,852,1640,1042,1953,290,56,191,748,268,136,1115,1983,2150,415,262],"class_list":["post-275033","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-acoes","tag-acredita","tag-amazonia","tag-ana","tag-arte","tag-audiovisual","tag-bahia","tag-baixada-santista","tag-belem","tag-biodiversidade","tag-brasil","tag-brasilia","tag-chuvas","tag-cinema","tag-clima","tag-denuncia","tag-desastres","tag-direcao","tag-documentario","tag-ebc","tag-entrevista","tag-expansao","tag-exploracao","tag-floresta","tag-google","tag-ia","tag-ir","tag-lazer","tag-limites","tag-maio","tag-maranhao","tag-meio-ambiente","tag-mst","tag-mulher","tag-pandemia","tag-pesquisa","tag-producao","tag-programacao","tag-projeto","tag-projetos","tag-queimadas","tag-quilombolas","tag-recife","tag-rio","tag-rio-de-janeiro","tag-sao-paulo","tag-saude","tag-seguranca","tag-setembro","tag-trabalho","tag-tv-brasil"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/275033","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=275033"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/275033\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=275033"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=275033"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=275033"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}