{"id":284982,"date":"2024-10-06T12:30:42","date_gmt":"2024-10-06T12:30:42","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=284982"},"modified":"2024-10-06T12:30:42","modified_gmt":"2024-10-06T12:30:42","slug":"no-sarandi-bairro-de-porto-alegre-mais-atingido-pela-enchente-quilombo-segue-sendo-referencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=284982","title":{"rendered":"No Sarandi, bairro de Porto Alegre mais atingido pela enchente, quilombo segue sendo refer\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>No in\u00edcio de maio, quando as \u00e1guas do Gua\u00edba subiram, soou o alerta e, rapidamente as ruas de Porto Alegre foram inundadas. Um dos bairros mais afetados foi o Sarandi, na Zona Norte da capital ga\u00facha, onde est\u00e1 localizado o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2022\/07\/29\/todos-os-negros-do-brasil-sao-quilombolas-so-o-que-falta-e-procurarem-as-suas-raizes\">Quilombo dos Machado<\/a>. Formado por aproximadamente 260 fam\u00edlias, o quilombo existe h\u00e1 mais de 70 anos. No maior desastre socioambiental clim\u00e1tico j\u00e1 registrado na hist\u00f3ria, o territ\u00f3rio serviu como ponto de refer\u00eancia e acolhida, mesmo tendo 40% de sua comunidade atingida.\u00a0<\/p>\n<p>Com uma popula\u00e7\u00e3o de 91.366 habitantes, representando 6,48% da popula\u00e7\u00e3o da Capital, o Sarandi possui um \u00e1rea de 28,76 km\u00b2, 6,48% do total da cidade, e com densidade demogr\u00e1fica de 3.176,84 habitantes por km\u00b2. Na enchente de maio, mais de <a href=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/06\/21\/moradores-do-sarandi-e-do-4-distrito-temem-efeitos-de-novas-chuvas\">26 mil pessoas do bairro foram afetadas<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cContudo, a gente teve um fortalecimento de sobreviv\u00eancia muito grande, n\u00e3o s\u00f3 para as fam\u00edlias atingidas aqui, mas tamb\u00e9m para todas as comunidades, al\u00e9m do Sarandi, como a Vila Dique, Vila Nazar\u00e9, Povo Sem Medo, Vila Bras\u00edlia, Asa Branca\u201d, comenta Rog\u00e9rio Machado, conhecido como Jamaica, 43 anos, lideran\u00e7a do quilombo.\u00a0<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apoia.se\/amigosdobrasildefators\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.brasildefato.com.br\/assets\/48f64e87b7241043b1f513dd7879699d.gif\"><\/a><\/p>\n<p>Com uma \u00e1rea de quatro hectares, o Quilombo dos Machado est\u00e1 localizado pr\u00f3ximo ao Carrefour da vvenida Sert\u00f3rio. Jamaica acredita que, por conta da sua geografia, 60% do territ\u00f3rio foi poupado, mesmo com a presen\u00e7a do val\u00e3o da avenida. \u201cGra\u00e7as aos orix\u00e1s, boa parte de nosso territ\u00f3rio foi poupado\u201d. Em frente da sua resid\u00eancia foi montada uma tenda para receber mantimento e doa\u00e7\u00f5es, um ponto de atendimento na regi\u00e3o.\u00a0<br \/>\n\u00a0<br \/>\n\u201cA gente conseguiu se fortalecer ali com o caf\u00e9 da manh\u00e3, com a roupa. Com bastante marmita no almo\u00e7o. Com psic\u00f3logos caminhando pela comunidade. Com uma enfermaria, porque lamentavelmente os postos de sa\u00fade foram todos atingidos. Com o pessoal fazendo algumas brincadeiras com as crian\u00e7as para tentar tirar aquele foco da desgra\u00e7a porque as pra\u00e7as que tinham foram destru\u00eddas. S\u00f3 um pra\u00e7a pr\u00f3xima aqui n\u00e3o foi atingida. A gente fez um trabalho bem fortalecedor de educa\u00e7\u00e3o popular e infantil\u201d, exp\u00f5e a lideran\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/f8af23e04dd2b904cc4395342044ddc7.webp\"><br \/>\n&#8220;Todos foram atingidos, mas a maioria da cidade que est\u00e1 sendo removida \u00e9 preta&#8221;, enfatiza Jamaica \/ Foto: Rafa Dotti<\/p>\n<p>Conforme pontua Jamaica, o quilombo teve esse preparo para que a situa\u00e7ao fosse amenizada quando as \u00e1guas baixassem e as pessoas voltassem para casa. \u201cE ver toda aquela destrui\u00e7\u00e3o ali dentro dessa casa, e aqueles que conseguissem limpar, com alguns apoios, para tentar voltar ao seu cotidiano normal.\u201d<\/p>\n<p>O territ\u00f3rio faz parte dos 11 <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/topicos\/quilombos-urbanos\">quilombos urbanos <\/a>da capital ga\u00facha. Porto Alegre \u00e9 a cidade com <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/07\/27\/rio-grande-do-sul-tem-17-496-mil-quilombolas-aponta-mapeamento-do-censo-2022\">maior presen\u00e7a de quilombolas<\/a>, com 2,2 mil pessoas.<\/p>\n<p>Segundo levantamento da\u00a0Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o de Quilombos (Conaq), as 145 comunidades quilombolas do estado, em 70 munic\u00edpios, sofreram impactos das cheias, afetando 17.552 quilombolas.<\/p>\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Zona mais afetada\u00a0<\/p>\n<p>No per\u00edodo eleitoral, afirma Jamaica, circula em alguns grupos de comunica\u00e7\u00e3o que a situa\u00e7\u00e3o no bairro est\u00e1 tranquila. O que segundo ele n\u00e3o \u00e9 verdade. Ele cita, por exemplo, a situa\u00e7\u00e3o da<a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/06\/14\/moradores-da-vila-nova-brasilia-reclamam-abandono-da-prefeitura-de-porto-alegre\"> Vila Nova Bras\u00edlia<\/a>, no bairro Sarandi, uma dos mais atingidas.<\/p>\n<p>\u201cSe a gente for caminhar agora, a gente vai ver quantas pessoas tinham e quantas pessoas j\u00e1 conseguiram voltar para sua casa, e quantas pessoas n\u00e3o v\u00e3o voltar mais porque n\u00e3o tem mais condi\u00e7\u00f5es de remontar sua vida. Essa \u00e9poca de elei\u00e7\u00e3o aparece meio mundo que quando o bairro estava dentro da \u00e1gua a gente n\u00e3o viu ningu\u00e9m\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Jamaica tamb\u00e9m cita a situa\u00e7\u00e3o da<a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/06\/03\/entidades-de-direitos-humanos-pedem-apuracao-de-acao-da-guarda-municipal-contra-moradores-do-sarandi\"> remo\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias <\/a>na mesma localidade. De acordo com o Executivo municipal, a remo\u00e7\u00e3o de 37 resid\u00eancias constru\u00eddas &#8220;irregularmente&#8221; foi necess\u00e1ria para a recomposi\u00e7\u00e3o do dique, localizado em uma \u00e1rea onde residem 70 mil pessoas.<\/p>\n<p>Ele destaca que, pr\u00f3ximo ao local, est\u00e1 localizado uma loja da Havan. Conta a prefeitura est\u00e1 pedindo para os moradores assinarem um termo de compromisso, com a proposta de mudan\u00e7a para um lugar melhor, concordando que o atual local \u00e9 inseguro. Para Jamaica, h\u00e1 um tratamento distinto entre a comunidade e o empres\u00e1rio. \u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/63ab5cf6f237ee4f663f702082268875.webp\"><br \/>\nEntre as reivindica\u00e7\u00f5es da comunidade est\u00e1 o asfaltamento das ruas da comunidade \/ Foto: Rafa Dotti<\/p>\n<p>\u201cPor que que o tratamento com as comunidades de periferia, quilombola, \u00e9 diferente do tratamento que foi com a Havan?&#8221; questiona &#8220;Todos foram atingidos, mas a maioria da cidade que est\u00e1 sendo removida \u00e9 preta. Aquele jogo pol\u00edtico da prefeitura, que &#8216;vamos fazer coisa melhor pra voc\u00eas&#8217;, a gente j\u00e1 sabe. V\u00e3o nos atirar l\u00e1 para o fim do mundo, sem estrutura para nada, sem pol\u00edtica popular para nada\u201d, pontua Jamaica, citando os casos de remo\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o da antiga ilhota, o bairro Rio Branco.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cNa verdade, sempre foi esse modo, essa pr\u00e1tica que eles t\u00eam de dom\u00ednio. De dizer, voc\u00ea tem que sair e pronto. Sem consulta, muitas vezes, \u00e0 pr\u00f3pria comunidade. Voc\u00ea n\u00e3o compra uma casa escriturada por 150 mil. Tudo vem de cima para baixo, nunca de baixo para cima. Porque se fosse de baixo para cima, a gente teria um planejamento de como n\u00f3s quer\u00edamos a cidade, n\u00e3o de como o Estado quer a cidade para n\u00f3s.&#8221;<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/c5f60f65006156435e739435c421dd70.webp\"><br \/>\nElaira Peixoto da Silva e sua neta Dandara \/ Foto: Rafa Dotti<\/p>\n<p>Conforme reportagem do Sul 21, ao todo, 48 resid\u00eancias localizadas sobre o dique do Sarandi foram retiradas em junho, em prepara\u00e7\u00e3o para a obra, cuja estimativa de conclus\u00e3o \u00e9 de seis meses.\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com a reportagem, no dia 10 de setembro, a prefeitura iniciou uma nova fase de visitas t\u00e9cnicas com engenheiros e agentes sociais, especialmente nas regi\u00f5es das Ilhas e nas proximidades do dique do Sarandi, para avaliar a possibilidade de realoca\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias. As visitas s\u00e3o parte de uma for\u00e7a-tarefa articulada pelo Escrit\u00f3rio de Reconstru\u00e7\u00e3o e tem o objetivo de desenvolver 19 mil laudos em toda a cidade nos pr\u00f3ximos dois meses.<\/p>\n<p>De acordo com Secretaria Extraordin\u00e1ria de Apoio \u00e0 Reconstru\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul, da prefeitura de Porto Alegre, at\u00e9 o momento foram conclu\u00eddas as indica\u00e7\u00f5es de \u00a02.190 fam\u00edlias para receberem novas casas. Para o Sarandi deve haver, de acordo com a pasta, aproximadamente 250 na \u00e1rea dos diques, o restante s\u00e3o, em sua maioria, para moradores da regi\u00e3o das Ilhas e do bairro Farrapos.\u00a0<\/p>\n<p>No dia 23 de setembro moradores da regi\u00e3o realizaram uma<a href=\"http:\/\/https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/geral\/2024\/09\/moradores-do-sarandi-protestam-em-frente-a-prefeitura-por-120-dias-de-abandono\/\"> manifesta\u00e7\u00e3o em frente \u00e0 prefeitura<\/a>. Diante da situa\u00e7\u00e3o pela qual passa o bairro, um grupo criou a comiss\u00e3o de moradores <a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/noticias\/politica\/eleicoes-2024\/2024\/09\/no-sarandi-demandas-da-comunidade-se-concentram-nos-rastros-da-enchente\/\">Fiscaliza Sarandi<\/a>.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Cinco meses ap\u00f3s a enchente comunidade vai se reconstruindo aos poucos\u00a0<\/p>\n<p>Expedito Pereira da Silva, mais conhecido como Cear\u00e1, \u00e9 vizinho de Jamaica, n\u00e3o foi atingido pelas \u00e1guas, mas teve seu com\u00e9rcio comprometido pela enchente. \u201cFoi complicado porque parou tudo, o com\u00e9rcio parou, as f\u00e1bricas de bebidas n\u00e3o entregavam para n\u00f3s e n\u00f3s depend\u00edamos muito das bebidas para sobreviver. O que ajudou foi a doa\u00e7\u00e3o que veio de fora\u201d, conta.<\/p>\n<p>Aos 36 anos, sendo 10 como morador do quilombo, ele conta que o seu pequeno com\u00e9rcio de bebidas existe em frente a sua casa h\u00e1 oito anos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/b50220ee130e23fc0f6888708915dcd9.webp\"><br \/>\nCear\u00e1 \/ Foto: Rafa Dotti<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo ele conta que teve que recorrer a terceiros para manter o com\u00e9rcio, com um valor acima do mercado, o que encareceu os produtos em seu estabelecimento. \u201cO pessoal falava muito, &#8216;\u00f3, t\u00e1 muito caro&#8217;, mas n\u00e3o entendia que eu estava pegando de terceiros, bem mais caro.\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">&#8220;Nunca vi um pol\u00edtico aqui&#8221;<\/p>\n<p>Ao comentar sobre os cinco meses p\u00f3s-enchente, concorda que a situa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o segue complicada. \u201dO pessoal, enquanto pegaram esse dinheiro do governo, os 5 mil, ainda tinha recurso, mas agora que acabou t\u00e1 muito dif\u00edcil. Est\u00e1 cada dia pior.\u201d<\/p>\n<p>Sobre a atua\u00e7\u00e3o da prefeitura, ele comenta: &#8220;At\u00e9 podem vir alguns, s\u00f3 se for pedir voto, porque para ajudar aqui, eu nunca vi um pol\u00edtico aqui me falar nada, para ajudar alguma coisa, n\u00e3o apareceu&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p>Para o futuro ele espera que a prefeitura asfalte as vias do quilombo, assim como regularize o esgoto que fica a c\u00e9u aberto.\u00a0<\/p>\n<p>A sogra de Jamaica, Elaira Peixoto da Silva, 60 anos, mora h\u00e1 quatro d\u00e9cadas no bairro. Sua casa fica a 25 minutos a p\u00e9 do quilombo. Ela conta que \u00e1gua chegou aos poucos. \u201cPerdi tudo. S\u00f3 sobrou as paredes e o telhado.\u201d<\/p>\n<p>Ela s\u00f3 conseguiu voltar para casa um m\u00eas e meio depois do in\u00edcio da enchente. E o cen\u00e1rio, como para todos os atingidos, foi de desespero. \u201cTive que botar tudo fora, n\u00e3o deu pra aproveitar nada. Foi muito triste.\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/77eaf6faf302830aa6cf54276c32558c.webp\"><br \/>\nQuilombo dos Machado \/ Foto: Rafa Dotti<\/p>\n<p>Ela afirma que, cinco meses ap\u00f3s a enchente, os desafios s\u00e3o muitos, principalmente na \u00e1rea da sa\u00fade. Afastada do trabalho por motivos de sa\u00fade, com problema na coluna, ela est\u00e1 fazendo tratamento. Mas os postos de sa\u00fade est\u00e3o aqu\u00e9m de sua capacidade. Sobre a atua\u00e7\u00e3o da prefeitura, ela reclama deixa desejar. \u201cL\u00e1 embaixo eles n\u00e3o fazem quase nada, n\u00e3o v\u00e3o l\u00e1 embaixo, perto da igreja de Santa Catarina. Posto de sa\u00fade l\u00e1 perto de casa n\u00e3o t\u00e1 funcionando. Agora n\u00e3o tem mercado perto, s\u00f3 tem um armaz\u00e9m l\u00e1, t\u00e1 ruim mesmo. Se quiser alguma coisa tem que ir longe, comprar, t\u00e1 tudo dif\u00edcil.\u201d<\/p>\n<p>Moradora do quilombo h\u00e1 seis anos, Maria da Concei\u00e7\u00e3o Souto de Oliveira, 64 anos, conta que a \u00e1gua chegou pelos fundos da sua casa. Ela e o marido ficaram tr\u00eas semanas, foram para um dos abrigos. \u201cEra muito barulho, quase entrei em depress\u00e3o. O tempo fora de casa foi horr\u00edvel\u201d, recorda. Quando voltaram, encontraram muito barro. Das perdas ela conta que enchente muita coisa, como geladeira, arm\u00e1rios e roupeiros.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/a3319f3b6c22e9a8d23b54d99772e6fe.webp\"><br \/>\nMaria da Concei\u00e7\u00e3o Souto de Oliveira \/ Foto: Rafa Dotti<\/p>\n<p>\u201cQualquer chuvinha entrava pro p\u00e1tio e deixava ele molhado, mas nunca como dessa vez\u201d, afirma. Maria recebeu o aux\u00edlio tanto do governo federal como do estado e, com o valor, foi poss\u00edvel come\u00e7ar a reconstru\u00e7\u00e3o do que foi perdido. A dona de casa espera conseguir se aposentar para finalizar o que n\u00e3o foi poss\u00edvel fazer, entre elas concluir as duas pe\u00e7as da resid\u00eancia de material.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Enfrentando desafios pela fam\u00edlia<\/p>\n<p>Maria afirma que gosta de morar no local. N\u00e3o quer se mudar por conta da sua filha, que \u00e9 m\u00e3e solo de tr\u00eas crian\u00e7as. \u201cAgora que ela conseguiu construir a casinha dela, aos poucos, ai eu me mudo e ela fica E meus netos? Fico pensando nas crian\u00e7as. Mas \u00e9 bom aqui, se encher de novo, seja o que Deus quiser, porque se encher de novo n\u00e3o vai ser s\u00f3 eu, vai ser todo mundo.\u201d<\/p>\n<p>Haitiano e morador do quilombo, Mulet Casseus tamb\u00e9m lembra do dia que a \u00e1gua chegou. &#8220;Era um medo completo. Encheu de \u00e1gua aqui, todo mundo ficou na rua. As pessoas trouxeram abrigo para n\u00f3s, <a href=\"https:\/\/www.brasildefators.com.br\/2024\/05\/23\/familias-improvisam-acampamentos-em-rodovias-para-vigiar-suas-casas\">trouxeram uma lona que cobria n\u00f3s<\/a>. Ficamos para cuidar das casas. Tem pessoas que foram para a casa de outra pessoa, e n\u00f3s ficamos aqui para cuidar, para que outra pessoa n\u00e3o entrasse aqui e pegasse as coisas.\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/7e9a4db8892543890b7b875a6886675a.webp\"><br \/>\nMulet Casseus \/ Foto: Rafa Dotti<\/p>\n<p>Com 44 anos de idade, Mulet vive h\u00e1 sete anos no quilombo. No Haiti trabalhava como servente de pedreiro e, no Brasil, teve alguns trabalhos, o mais recente como restaurador de vias p\u00fablicas. Atualmente est\u00e1 desempregado e procurando uma nova coloca\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Ele conta que com ajuda da lideran\u00e7a do quilombo conseguiu acessar o recurso federal, o que possibilitou come\u00e7ar a construir sua casa novamente. H\u00e1 sete anos sem conseguir visitar sua fam\u00edlia, ele espera um dia traz\u00ea-los ao Brasil, sua esposa, tr\u00eas filhos e uma neta. \u201cSaudades, \u00e0s vezes estou sofrendo com dor de cabe\u00e7a porque meu filho est\u00e1 crescendo atr\u00e1s de mim, perdi todo o amor de papai, de mam\u00e3e, porque os filhos est\u00e3o quase todos as grandes\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>Como muitos imigrantes, Mulet veio buscar uma vida melhor para cuidar e manter sua fam\u00edlia. Ele \u00e9 um dos 127.301 migrantes, refugiados e ap\u00e1tridas que vivem atualmente no RS, de acordo com <a href=\"https:\/\/saude.rs.gov.br\/upload\/arquivos\/202410\/03101034-boletim-informativo-da-saude-do-a-trabalhador-a-migrante-rs-mra-1.pdf\">Boletim de Sa\u00fade do Trabalhador e Trabalhadora Migrante<\/a> publicado pela Secretaria da Sa\u00fade (SES) e elaborado om informa\u00e7\u00f5es do Sistema de Registro Nacional Migrat\u00f3rio (Sismigra), vinculado ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo a secretaria o \u00famero equivale a 7,4% do total de migrantes internacionais no Brasil e representa 1,2% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o geral do Estado. A maioria \u00e9 de origem dos seguintes pa\u00edses: Uruguai, Venezuela, Haiti, Argentina, Senegal, Col\u00f4mbia, Cuba, Portugal, Chile, Alemanha, It\u00e1lia e Paraguai. Do total, apenas 22.885 pessoa possui v\u00ednculo empregat\u00edcio formal, segundo os dados da Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais (RAIS, 2023)<\/p>\n<p>Uma tenda montada em frente da casa de Jamaica segue realizando doa\u00e7\u00f5es a quem precisa. No dia da visita da reportagem, um casal estava saindo com um colch\u00e3o de casal. Jamaica comenta que, no momento, a comunidade necessita de mais cestas b\u00e1sicas.\u00a0<\/p>\n<p>O <strong>Brasil de Fato RS <\/strong>indagou a prefeitura de Porto Alegre sobre a\u00e7\u00f5es e projetos para a reestrutura\u00e7\u00e3o do bairro. At\u00e9 o fechamento desta mat\u00e9ria, n\u00e3o houve retorno. O espa\u00e7o segue aberto para manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunidade reclama de abandono da prefeitura e teme pelo futuro: &#8216;a maioria da cidade que est\u00e1 sendo removida \u00e9 preta&#8217;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1255,1037,21,2151,1755,777,1882,1176,2006,1173,995,562,1229,705,1381,2223,1385,1239,783,1114,2118,2159,1748,659,255,1493,959,1331,78,1513,1806,410,1267,1632,321,709,1436,2042,1431,1539,1953,1504,56,2135,1177,1924,748,790,1214,1115,1983,2150,551,415],"class_list":["post-284982","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-acoes","tag-acredita","tag-argentina","tag-atingidos","tag-bebidas","tag-brasil","tag-brasilia","tag-casas","tag-ceara","tag-cheias","tag-colombia","tag-comercio","tag-comunicacao","tag-consulta","tag-dados","tag-desafios","tag-dinheiro","tag-doacao","tag-doacoes","tag-educacao","tag-empresario","tag-familia","tag-familias","tag-filhos","tag-geral","tag-governo","tag-governo-federal","tag-ir","tag-italia","tag-junho","tag-justica","tag-levantamento","tag-maio","tag-mercado","tag-ministerio-da-justica","tag-municipios","tag-perdas","tag-planejamento","tag-porto-alegre","tag-produtos","tag-projetos","tag-proposta","tag-quilombolas","tag-rais","tag-reconstrucao","tag-regularize","tag-rio","tag-rio-grande-do-sul","tag-rs","tag-saude","tag-seguranca","tag-setembro","tag-trabalhador","tag-trabalho"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/284982","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=284982"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/284982\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=284982"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=284982"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=284982"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}