{"id":310927,"date":"2024-10-24T17:04:44","date_gmt":"2024-10-24T17:04:44","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=310927"},"modified":"2024-10-24T17:04:44","modified_gmt":"2024-10-24T17:04:44","slug":"benzedeiras-do-jequitinhonha-tradicao-de-regiao-em-minas-gerais-e-homenageada-em-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=310927","title":{"rendered":"Benzedeiras do Jequitinhonha: tradi\u00e7\u00e3o de regi\u00e3o em Minas Gerais \u00e9 homenageada em livro"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>No \u00faltimo m\u00eas, foi lan\u00e7ado o livro \u201cBenzedeiras do Jequitinhonha\u201d. A obra \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o de Aline Ruas e Lori Figueir\u00f3, fundadores do projeto Guardi\u00e3s das Palavras Benditas, que valoriza e homenageia as benzedeiras do Vale do Jequitinhonha, regi\u00e3o de Minas Gerais.\u00a0<\/p>\n<p>O nome do projeto faz men\u00e7\u00e3o \u00e0quelas que cuidam das palavras de benzimento e que levam essa fun\u00e7\u00e3o como of\u00edcio de vida, por meio de gestos de afeto e cuidado com as comunidades. O projeto \u00e9 amplo e conta ainda com outros trabalhos art\u00edsticos al\u00e9m do livro. Bordados, fotografias, v\u00eddeos e at\u00e9 bonecas fazem parte da iniciativa.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">O livro<\/p>\n<p>O livro \u00e9 uma mescla de fotografia e bordado, jun\u00e7\u00e3o que Aline e Lori chamam carinhosamente de \u201cluzes e la\u00e7os em ora\u00e7\u00e3o\u201d. Essa uni\u00e3o foi o que deu in\u00edcio ao projeto em 2021, quando Aline pediu as fotografias de Lori para bordar e, assim, expandiram o projeto para toda a regi\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>No primeiro volume, o livro traz um panorama geral dessa tradi\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria, com hist\u00f3rias de vida das benzedeiras, cantigas e ora\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a forma que a gente encontrou para homenagear as benzedeiras, trazendo o an\u00fancio da hist\u00f3ria de vida das mesmas e uma apresenta\u00e7\u00e3o desse universo\u201d, comenta Aline, em entrevista ao Brasil de Fato MG.\u00a0<\/p>\n<p>Ela afirma ainda que \u201cpelos depoimentos das benzedeiras, os leitores poder\u00e3o ver a riqueza do conhecimento tradicional dessas mulheres, de supera\u00e7\u00e3o em vida, dos saberes da espiritualidade e tamb\u00e9m da alegria\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m de homenagear as <a href=\"http:\/\/brasildefatomg.com.br\/2024\/04\/26\/lider-do-quilombo-bau-em-aracuai-e-ameacado-por-fazendeiros-apos-delimitacao-do-territorio\">benzedeiras do Vale do Jequitinhonha<\/a>, Aline declara que o livro \u00e9 uma forma de honrar a hist\u00f3ria da regi\u00e3o, que passa por dificuldades &#8211; principalmente em munic\u00edpios onde mineradoras exploram o l\u00edtio e interferem na vida dos moradores da cidade.\u00a0<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Desafios\u00a0<\/p>\n<p>Um dos principais desafios que o projeto enfrenta, segundo os artistas, \u00e9 a falta de investimentos e de parcerias com organiza\u00e7\u00f5es que tenham os mesmos valores que a iniciativa, uma vez que a atual conjuntura do estado apoia a minera\u00e7\u00e3o de l\u00edtio, que afeta grande parte do territ\u00f3rio do Vale.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s precisamos ser coerentes com as parcerias a serem constru\u00eddas, que precisam respeitar o territ\u00f3rio e o povo que faz esse territ\u00f3rio ser o que ele \u00e9\u201d, relata.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Aline conta h\u00e1 a intoler\u00e2ncia religiosa e o preconceito de pessoas que n\u00e3o respeitam essa tradi\u00e7\u00e3o. Esse fator, segundo a autora, fez com que muitas pessoas migrassem para outras religi\u00f5es e deixassem o benzimento de lado.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os criadores falam sobre o ritmo da vida moderna, que vai contra o tempo exigido pelos m\u00e9todos das benzedeiras, que acolhem, conversam e gastam tempo de qualidade com as pessoas.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cCom a modernidade e o avan\u00e7o do capital, muitas dessas tradi\u00e7\u00f5es e saberes podem se perder. A gente v\u00ea que n\u00e3o tem o mesmo n\u00famero de benzedeiras que tinha antes, por exemplo, na \u00e9poca da minha av\u00f3. Mas elas est\u00e3o resistindo e mostrando a import\u00e2ncia da tradi\u00e7\u00e3o\u201d, argumenta.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Fotografia<\/p>\n<p>H\u00e1 quase 20 anos, Lori Figueir\u00f3 faz registros das manifesta\u00e7\u00f5es culturais e religiosas do Vale do Jequitinhonha. Lori diz que s\u00f3 consegue fazer esses registros por conta das rela\u00e7\u00f5es afetivas que ele mant\u00e9m com a popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. Segundo ele, \u201c\u00e9 necess\u00e1rio olhar para o outro segundo as suas particularidades e singularidades\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o, Figueir\u00f3 come\u00e7ou a fotografar tudo o que abrange as anci\u00e3s e a cultura popular. Dando continuidade, junto com Aline, ao projeto e ao livro.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o elas que acolhem e proporcionam confortos, s\u00e3o elas as detentoras de saberes e fazeres ancestrais. Poder conviver e registrar os mestres da cultura popular \u00e9, para mim, motivo de inspira\u00e7\u00e3o, alegria e gratid\u00e3o\u201d, diz o fot\u00f3grafo.<\/p>\n<p>\u201cAs fotografias bordadas que comp\u00f5em este livro t\u00eam cheiro de ervas frescas colhidas ali no quintal, t\u00eam o calor do fogo das velas acesas nos altares e das brasas do fog\u00e3o \u00e0 lenha, t\u00eam o som das \u00e1guas do rio que corre e do murm\u00fario das ora\u00e7\u00f5es\u201d, sintetiza Sueli do Carmo Oliveira, curadora do projeto.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/595e35dce9bceea1b5b697e03474f951.webp\"><br \/>\nFrancisco Candido de Oliveira e Maria Teixeira de Oliveira, Terra Cavada, Berilo, Vale do Jequitinhonha MG \/ Lori Figueir\u00f3<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro homenageia benzedeiras por meio da mescla entre fotografia e bordado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[777,165,259,2223,1179,2026,475,255,1288,947,332,2282,1167,265,709,852,1042,748,960,284],"class_list":["post-310927","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-brasil","tag-calor","tag-cultura","tag-desafios","tag-entrevista","tag-fogo","tag-fotografia","tag-geral","tag-investimentos","tag-litio","tag-minas-gerais","tag-mineracao","tag-mineradoras","tag-mulheres","tag-municipios","tag-producao","tag-projeto","tag-rio","tag-uniao","tag-vale"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/310927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=310927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/310927\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=310927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=310927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=310927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}