{"id":312007,"date":"2024-10-25T12:35:25","date_gmt":"2024-10-25T12:35:25","guid":{"rendered":"http:\/\/avozdocerrado.com\/?p=312007"},"modified":"2024-10-25T12:35:25","modified_gmt":"2024-10-25T12:35:25","slug":"peixes-mortos-no-rio-paraopeba-em-mg-geram-novas-preocupacoes-sobre-impactos-do-crime-da-vale","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/avozdocerrado.com\/?p=312007","title":{"rendered":"Peixes mortos no Rio Paraopeba, em MG, geram novas preocupa\u00e7\u00f5es sobre impactos do crime da Vale"},"content":{"rendered":"<p>Brasil de Fato<\/p>\n<p>Pescadores e agentes da Defesa Civil encontraram, na \u00faltima semana, centenas de peixes mortos \u00e0s margens do rio Paraopeba, na divis\u00e3o entre os munic\u00edpios de Betim, Juatuba e S\u00e3o Joaquim de Bicas, na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), uma das \u00e1reas atingidas pelo rompimento da barragem BI da<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/01\/29\/historico-de-violacoes-da-vale-vai-muito-alem-de-mariana-e-brumadinho\"> Mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o<\/a>, em janeiro de 2019.\u00a0<\/p>\n<p>Quase seis anos ap\u00f3s o<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/30\/brumadinho-apos-5-anos-do-rompimento-da-barragem-da-vale-ninguem-foi-responsabilizado-pelo-crime\"> crime da Vale em Brumadinho<\/a>, as comunidades ainda lutam por repara\u00e7\u00e3o socioambiental.<\/p>\n<p>A morte dos peixes foi constatada ap\u00f3s uma den\u00fancia de moradores locais, que alegaram ter visto funcion\u00e1rios da mineradora coletando os animais mortos. Imagens obtidas por moradores mostram pessoas com roupas brancas de prote\u00e7\u00e3o usando barras para retirar os peixes do rio.\u00a0<\/p>\n<p>A pesca no Paraopeba permanece proibida desde o rompimento da barragem, que causou um dos maiores crimes ambientais do Brasil, deixando 272 mortos e impactando 26 munic\u00edpios.<\/p>\n<p>A den\u00fancia foi encaminhada \u00e0 Comiss\u00e3o de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que solicitou explica\u00e7\u00f5es \u00e0 Vale, \u00e0s prefeituras locais e ao governo estadual.\u00a0<\/p>\n<p>A deputada Bella Gon\u00e7alves (Psol) afirmou que o caso j\u00e1 chegou \u00e0 comiss\u00e3o e refor\u00e7ou a gravidade da situa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cFizemos v\u00e1rios pedidos de informa\u00e7\u00e3o sobre as causas, sobre os estudos da \u00e1gua e dos pr\u00f3prios peixes, mas ainda n\u00e3o foram respondidos. A quest\u00e3o j\u00e1 se arrasta h\u00e1 muito tempo. Os pescadores relataram a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, enquanto a Vale insiste que a \u00e1gua n\u00e3o est\u00e1 contaminada, mas apenas turva&#8221;, declarou a deputada.<\/p>\n<p>Para os moradores da regi\u00e3o, o epis\u00f3dio reflete o impacto cont\u00ednuo do <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/10\/21\/tragedia-em-mariana-defesa-dos-atingidos-aponta-erros-de-mineradoras\">rompimento<\/a>. Wilk Fernando, que vive nas proximidades do rio, falou sobre a inseguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEstamos assustados, pois \u00e9 algo que nunca aconteceu. Morrer peixe por causa da chuva \u00e9 normal, mas a quantidade dessa vez nunca aconteceu. Nos preocupa, porque o meio ambiente foi danificado e continua sendo. H\u00e1 um sentimento de inseguran\u00e7a e medo do que realmente estamos sendo expostos\u201d, relatou.<\/p>\n<p>O engenheiro h\u00eddrico Kalahan de Mello, representante da Associa\u00e7\u00e3o Estadual de Defesa Ambiental (Aedas), refor\u00e7a que os \u00f3rg\u00e3os ambientais restringem a importa\u00e7\u00e3o do uso do rio e seus recursos desde o rompimento. Ele afirma que a mortalidade dos peixes levanta reflex\u00f5es sobre o estado da recupera\u00e7\u00e3o do Paraopeba.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Quase seis anos ap\u00f3s o desastre, as repara\u00e7\u00f5es prometidas ainda n\u00e3o ocorreram, e o direito das pessoas de retomarem as suas vidas continua violado. Esse evento \u00e9 mais um sinal de vulnerabilidade das comunidades ribeirinhas, j\u00e1 que, quando algo assim acontece, pensamos que a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 piorando ou nada est\u00e1 sendo feito\u201d, explicou Kalahan.<\/p>\n<p>Segundo estudos contratados pela Aedas, an\u00e1lises realizadas entre 2021 e 2022 indicaram a presen\u00e7a de mais de 12 metais nocivos \u00e0 sa\u00fade humana nas \u00e1guas, sedimentos e peixes do Paraopeba. Al\u00e9m disso, 56% das amostras coletadas apresentaram graus de toxicidade que comprometem o ecossistema aqu\u00e1tico.\u00a0<\/p>\n<p>A dragagem do rio, uma das principais medidas de reposi\u00e7\u00e3o previstas, segue com atrasos. At\u00e9 o momento, menos de 2 km dos rejeitos foram removidos, conforme relat\u00f3rio da auditoria Aecom, que \u00e9 a empresa respons\u00e1vel por realizar a auditoria t\u00e9cnica e ambiental independente das atividades desenvolvidas pela mineradora Vale.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio, segundo especialistas, refor\u00e7a a urg\u00eancia de a\u00e7\u00f5es mais adequadas de reposi\u00e7\u00e3o e de esclarecimentos sobre os efeitos do desastre, que ainda s\u00e3o sentidos em toda a extens\u00e3o da bacia do Paraopeba.<\/p>\n<p>Procurada pelo <strong>Brasil de Fato MG<\/strong>, a Vale afirmou que suas equipes monitoram a fauna e realizam a\u00e7\u00f5es de remo\u00e7\u00e3o de peixes mortos desde 2019. Segundo a empresa, a morte dos peixes ocorrida no dia 11 de outubro est\u00e1 sendo investigada, e os resultados foram enviados aos \u00f3rg\u00e3os ambientais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesca no Paraopeba permanece proibida desde o rompimento da barragem,  um dos maiores crimes ambientais do Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"Default","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[1554,1255,334,777,285,2289,305,473,423,2082,2288,1488,1493,1193,894,332,282,709,742,1308,1718,748,1115,1677,284,881],"class_list":["post-312007","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","tag-1554","tag-acoes","tag-belo-horizonte","tag-brasil","tag-brumadinho","tag-causas","tag-chuva","tag-defesa-civil","tag-denuncia","tag-dragagem","tag-especialistas","tag-feijao","tag-governo","tag-importacao","tag-meio-ambiente","tag-minas-gerais","tag-morte","tag-municipios","tag-pesca","tag-recursos","tag-relatorio","tag-rio","tag-saude","tag-uso","tag-vale","tag-visto"],"jetpack_publicize_connections":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/312007","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=312007"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/312007\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=312007"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=312007"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/avozdocerrado.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=312007"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}